Cepea: leite ao produtor registra quarta alta consecutiva em abril

Por Natália Grigol, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA)

De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Cepea, 29/05/2026 – Pelo quarto mês consecutivo, o preço do leite pago ao produtor subiu em abril/26. Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta foi de 10,4% frente a março, levando a “Média Brasil” a R$ 2,6584/litro. O preço, contudo, ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de abril/26).

O movimento de avanço seguiu sendo explicado pela redução da produção, devido à sazonalidade, e pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) registrou queda de 3,4% de março para abril na Média Brasil, e, no acumulado do ano, a queda é de 14,6%. Além da sazonalidade, os menores investimentos dentro da porteira têm prejudicado a oferta do leite cru. Segundo a pesquisa do Cepea, em abril/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 1,1% na “Média Brasil” – acumulando aumento de 3,24% neste ano. A elevação esteve atrelada ao aumento das despesas com nutrição, sanidade e operações mecanizadas.

Com a continuidade da menor oferta de leite no campo e os estoques mais ajustados, os derivados lácteos seguiram em valorização no atacado paulista em abril. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em abril, o preço do leite UHT subiu 20,17%, o da muçarela, 12,65%, e o do leite em pó fracionado, 1,52%, frente a março. Na primeira quinzena de maio, porém, o movimento demonstrou perder força e as negociações passaram a refletir uma demanda mais enfraquecida e um mercado mais cauteloso e sujeito às oscilações pontuais nas cotações.

No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos recuaram em 10% em abril, chegando a 218,38 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL). Ainda assim, as compras externas estão 34,1% maiores em relação às do mesmo período do ano passado.

A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização no curto prazo, mas existem indicativos de perda de intensidade do movimento altista a partir de maio. Ainda que, sazonalmente, maio seja caracterizado pela subida dos preços do leite cru em virtude de restrição de oferta, a pressão vinda da ponta final da cadeia deve afetar esse comportamento típico das cotações.

Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de abril/2026)
Fonte: Cepea-Esalq/USP.
Preços líquidos nominais do leite cru captado em abril/26 nos estados que compõem a “Média Brasil”. Preços líquidos não contêm frete e impostos. Valores e variações nominais.
Fonte: Cepea-Esalq/USP.

Posts Relacionados

Produtores rurais passam por nova organização fiscal com Reforma Tributária

A Reforma Tributária começa a produzir efeitos práticos no dia a dia do agronegócio brasileiro e já acende um alerta importante para produtores rurais que faturam acima de R$ 3,6...

Leite volta a cobrir custo, mas margem ainda é limitada no Rio Grande do Sul

Depois de um longo período em que o preço do leite mal cobria os custos da atividade, os produtores gaúchos voltaram a operar com margem positiva. Embora o cenário seja...

Pesquisa avalia leite de jumenta como alternativa para reduzir uso de antibióticos

Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) estão desenvolvendo uma tecnologia que utiliza o leite de jumenta como fonte natural de compostos antimicrobianos para aplicação em biotecnologias da reprodução...