Rally Forrageiras leva tecnologias para ampliar a oferta de alimento ao rebanho no semiárido alagoano

Dia de Campo realizado em Monteirópolis (AL) apresentou resultados de pesquisas com forrageiras adaptadas às condições locais e mostrou alternativas para reduzir os efeitos da estiagem sobre a produção pecuária

Comunicação CNA

Tecnologia, conhecimento e planejamento são aliados importantes para enfrentar um dos principais desafios da pecuária no Semiárido: garantir alimento de qualidade para os animais durante os períodos de menor disponibilidade de forragem. Foi com esse objetivo que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por meio do Instituto CNA, realizou, em Monteirópolis (AL), um Dia de Campo do Rally Forrageiras.

A atividade ocorreu na Unidade de Referência Tecnológica (URT) do Projeto Forrageiras para o Semiárido e reuniu produtores, técnicos e estudantes para conhecer os resultados das pesquisas e as tecnologias que podem contribuir para aumentar a regularidade da oferta de volumosos para os rebanhos.

Localizado na bacia leiteira alagoana, Monteirópolis foi escolhido para apresentar soluções desenvolvidas considerando as características de solo, clima e regime de chuvas da região.

A abertura do evento contou com a participação do presidente do Sistema Faeal/Senar Alagoas, Álvaro Almeida; do vice-presidente da Faeal e produtor rural André Ramalho, que cedeu a área para implantação do projeto; do superintendente do Senar Alagoas, Fernando Dória; do diretor-executivo adjunto do Instituto CNA, Matheus Ferreira; e da coordenadora do Forrageiras, Alenilda Carvalho.

Para Álvaro Almeida, os resultados apresentados reforçam a importância da adoção de tecnologias para melhorar a eficiência das propriedades. “Iniciativas como o projeto Forrageiras contribuem diretamente para o desenvolvimento da economia alagoana, permitindo que o produtor produza mais, com maior eficiência, além de fortalecer a geração de emprego e renda no estado”, afirmou.

Pesquisa adaptada ao Semiárido

Segundo Matheus Ferreira, os resultados apresentados durante o Dia de Campo são fruto de quase uma década de pesquisas realizadas em parceria com a Embrapa. O trabalho busca identificar variedades de plantas forrageiras mais resistentes e resilientes às condições de déficit hídrico do Semiárido.

rally forrageiras al palma
Fotos: Júlio Vasconcelos

“Hoje temos resultados importantes sobre as variedades que apresentaram melhor desempenho, técnicas de manejo de pastagens e uso da palma forrageira. São conhecimentos que ajudam a diminuir a sazonalidade da produção e aumentar a regularidade da oferta de volumosos para os animais”, explicou.

Um dos diferenciais do Projeto Forrageiras para o Semiárido é justamente a adaptação das recomendações às diferentes realidades encontradas na região. As pesquisas foram realizadas nos nove estados do Nordeste e no Norte de Minas Gerais, considerando as particularidades de cada ambiente de produção.

A proposta é oferecer ao produtor informações que possam ser aplicadas de maneira mais adequada às condições de sua propriedade, aumentando as possibilidades de sucesso na implantação e no manejo das forrageiras.

Resultado acima da expectativa

De acordo com Alenilda Carvalho, os experimentos também apresentaram resultados positivos no desempenho dos animais. A expectativa inicial era alcançar ganho médio diário de aproximadamente 400 gramas por animal em novilhas leiteiras. Nos experimentos realizados, entretanto, a média registrada chegou a 650 gramas por animal/dia. O resultado foi obtido a partir da combinação de diferentes forrageiras, silagem de palma e suplementação.

Para Matheus Ferreira, a geração de dados dentro das próprias regiões produtoras aumenta a segurança para a tomada de decisão.“O produtor, quando tem dados da sua região, com uma implantação técnica próxima à sua propriedade, tem uma chance muito maior de obter bons resultados”, destacou.

Durante o Rally, os participantes também conheceram variedades de capim que apresentaram melhor desempenho nas condições locais e receberam orientações sobre implantação e manejo, com foco no aproveitamento do potencial produtivo das plantas.

Conhecimento dentro da propriedade

Para o produtor de leite e vice-presidente da Faeal, André Ramalho, a presença do projeto dentro da propriedade permite aproximar a pesquisa da realidade vivenciada pelos produtores. “A importância do Programa Forrageiras para o Semiárido é estar implantado e mostrar o que é possível nessa região. O grande segredo é identificar uma cultura que se estabilize, que seja viável e torne a região mais eficiente e produtiva”, afirmou.

Ramalho também destacou a oportunidade de abrir as portas da propriedade para produtores, técnicos e estudantes. Cerca de 600 pessoas participaram da atividade. “É uma honra e um privilégio estar aqui com uma turma dessa. A propriedade serviu para abrir as porteiras e mostrar aos produtores, técnicos e estudantes o que está sendo feito”, disse.

O produtor ressaltou ainda que os resultados dependem da atuação integrada de diferentes profissionais e instituições. “Isso só aconteceu porque tem técnico envolvido. Sem o agrônomo, zootecnista, veterinário, através da Faeal, CNA, Senar e Embrapa, isso aqui não teria acontecido”, acrescentou.

Forragem como estratégia para a produção de leite

A regularidade na oferta de alimentos é especialmente importante para a pecuária leiteira, atividade que depende de uma alimentação equilibrada durante todo o ano para manter o desempenho dos animais e a estabilidade da produção.

gado de leite

Para Matheus Ferreira, o fortalecimento da produção de forragem integra um processo mais amplo de recuperação da bacia leiteira de Alagoas. “Estamos vivendo um processo de recuperação da bacia leiteira. Isso passa pela oferta de forragem, mas também pelo melhoramento genético dos animais, pelo manejo das propriedades, eficiência da mão de obra e mecanização”, explicou.

Nesse processo, a assistência técnica também tem papel estratégico. Segundo Ferreira, o Senar participa da transformação das propriedades por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), auxiliando os produtores na adoção de práticas voltadas à eficiência produtiva e à gestão dos negócios.

A combinação entre conhecimento técnico, escolha de forrageiras adaptadas, manejo adequado e planejamento alimentar pode contribuir para reduzir a sazonalidade da produção, melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis e aumentar a eficiência econômica das propriedades.

Próximas etapas

O Rally Forrageiras já passou por Bahia e Sergipe e terá como próxima parada o município de Venturosa (PE), no dia 25 de setembro.

A iniciativa integra o Projeto Forrageiras para o Semiárido, que busca gerar e disseminar conhecimento sobre alternativas de alimentação animal adaptadas às condições do Semiárido brasileiro.

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