Biotecnologias reprodutivas buscam acelerar melhoramento genético de búfalos no Amazonas

Projeto apoiado pelo Sebraetec utiliza técnicas como a transferência de embriões para ampliar a produção leiteira e multiplicar animais de genética superior

A adoção de biotecnologias reprodutivas começa a ampliar as possibilidades de melhoramento genético de búfalos no Amazonas. Por meio do Projeto de Pecuária do Sebraetec Amazonas, propriedades rurais estão utilizando ferramentas voltadas à multiplicação de animais com características produtivas selecionadas, com o objetivo de aumentar a produção de leite e melhorar o desempenho dos rebanhos.

Entre as propriedades participantes está a Fazenda Beatriz, localizada em Itacoatiara (AM). O trabalho busca elevar a produtividade leiteira sem a necessidade de ampliar a área utilizada ou modificar as atuais condições de manejo. A iniciativa conta com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) e é considerada pioneira no estado, segundo informações do Sebrae Amazonas.

O desenvolvimento do programa foi planejado ao longo de pelo menos três anos. Nesse período, uma das prioridades foi identificar animais com genética adaptada às condições da região, selecionando fêmeas doadoras capazes de transmitir características desejáveis, como maior capacidade de produção de leite e ganho de peso.

A estratégia busca melhorar os índices zootécnicos do rebanho e aumentar a produção por animal e por hectare. Com isso, o melhoramento genético passa a ser uma ferramenta para ampliar a eficiência da atividade, reduzindo a necessidade de abertura de novas áreas de pastagem.

Multiplicação de animais selecionados

Algumas propriedades do Amazonas já contam com búfalas selecionadas para a produção de leite e carne. A utilização de biotecnologias reprodutivas permite multiplicar a genética desses animais e acelerar a obtenção de descendentes com características de interesse econômico.

Entre as técnicas previstas está a transferência de embriões (TE), que possibilita ampliar o número de descendentes de fêmeas geneticamente superiores. A ferramenta pode contribuir para encurtar o tempo necessário à evolução dos plantéis, especialmente quando associada à seleção criteriosa dos animais e ao acompanhamento dos resultados produtivos.

Segundo o Sebrae Amazonas, o emprego dessas tecnologias tem potencial para reduzir em décadas o período necessário para alcançar determinados avanços genéticos nos rebanhos. Os resultados, entretanto, dependem da qualidade dos animais selecionados, da execução dos protocolos reprodutivos e das condições de nutrição e manejo oferecidas aos animais.

A combinação entre genética e gestão produtiva é especialmente importante para sistemas que buscam aumentar a produção sem expandir a estrutura da propriedade. Nesse contexto, o desempenho das fêmeas e a capacidade de transmitir características favoráveis às gerações seguintes são fatores relevantes para a evolução da atividade.

Produção de leite e derivados

Na Fazenda Beatriz, o criador Renato Silva Pessoa trabalha com a bubalinocultura há dez anos, na região de Novo Remanso. A propriedade tem como atividades a produção de queijo coalho de búfala e a comercialização de novilhos precoces para abate.

A participação no programa está diretamente relacionada à busca por maior eficiência produtiva e rentabilidade. A expectativa é aprimorar geneticamente o rebanho e elevar o volume de leite produzido, mantendo a área e as condições de manejo existentes.

“Nosso principal objetivo é melhorar geneticamente o plantel e aumentar significativamente a produção de leite nas mesmas condições de área e manejo. É uma combinação de genética, tecnologia, manejo e sustentabilidade para elevar produtividade e rentabilidade”, afirma Pessoa.

Para o produtor, as biotecnologias também representam uma oportunidade de acelerar os resultados do melhoramento e ampliar o acesso ao conhecimento gerado pela iniciativa.

“Acreditamos que essas ferramentas podem acelerar o melhoramento e produzir animais mais produtivos. Queremos também compartilhar esse aprendizado com outros pecuaristas do Amazonas e de outras regiões do Brasil”, acrescenta.

Além dos ganhos esperados na produção primária, o projeto considera os reflexos do melhoramento genético sobre a cadeia de derivados do leite de búfala. A ampliação da oferta de leite e a melhoria do desempenho dos animais podem contribuir para fortalecer atividades como a fabricação de queijos, agregando valor à produção nas propriedades.

As próximas etapas incluem a continuidade dos protocolos reprodutivos e o acompanhamento dos animais gerados, a fim de avaliar os resultados alcançados e os avanços obtidos no rebanho. A experiência da Fazenda Beatriz também poderá contribuir para disseminar o uso de biotecnologias reprodutivas entre criadores interessados em aumentar a produtividade da bubalinocultura no Amazonas.

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