Brasil e União Europeia ampliam cooperação na alimentação animal

Memorando de Entendimento entre Sindirações e FEFAC prevê troca de conhecimentos e alinhamento em segurança dos alimentos, sustentabilidade e regulamentação

Da redação

O setor de alimentação animal brasileiro e europeu deram mais um passo para ampliar a cooperação e o intercâmbio de conhecimentos. O Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) e a Federação Europeia dos Fabricantes de Alimentos para Animais (FEFAC) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) com o objetivo de fortalecer a parceria entre as duas regiões.

O acordo estabelece uma agenda conjunta em temas estratégicos para a cadeia de produção animal, como segurança dos alimentos para animais, saúde e bem-estar animal, biossegurança, sustentabilidade, normas internacionais e avanços regulatórios. A iniciativa também busca contribuir para a implementação dos acordos entre União Europeia e Mercosul e ampliar as oportunidades comerciais entre os mercados.

De acordo com Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações, a parceria permitirá o compartilhamento de informações e experiências relacionadas à aprovação de insumos utilizados na alimentação animal, rotulagem e limites máximos de resíduos. As entidades também pretendem atuar de forma cooperada em organismos internacionais.“A iniciativa contribui para a implementação dos acordos entre a União Europeia e o Mercosul e para incrementar o comércio de grãos, oleaginosas e respectivos coprodutos, como farelos e biocombustíveis, além de aditivos para alimentação animal”, destaca Zani.

Para a produção de leite, a aproximação entre os dois mercados também pode representar avanços em temas relacionados à eficiência produtiva, qualidade e segurança dos ingredientes utilizados na nutrição dos rebanhos. O intercâmbio regulatório tende ainda a facilitar o entendimento sobre exigências para produtos e insumos que integram uma cadeia cada vez mais globalizada.

O presidente do Sindirações, Roberto Ignacio Betancourt, ressalta a importância estratégica da União Europeia no mercado mundial de alimentos e ingredientes destinados à alimentação animal.“A União Europeia desempenha um papel fundamental na produção e no comércio mundiais de alimentos e ingredientes destinados à alimentação animal. Preservar o acesso aos mercados é essencial para resguardar o abastecimento de alimentos para animais na UE e, ao mesmo tempo, apoiar uma produção pecuária competitiva e sustentável em toda a Europa”, afirma.

Segundo Betancourt, a aproximação entre os setores brasileiro e europeu pode contribuir para tornar as cadeias de alimentação animal mais resilientes e favorecer novas oportunidades de crescimento. “Por meio de uma estreita cooperação, Europa e Brasil podem promover o crescimento contínuo e a resiliência de suas indústrias de alimentação animal”, acrescenta.

Regulamentação e comércio

Entre os pontos previstos no memorando está a troca de conhecimentos sobre os processos de aprovação de ingredientes e insumos, além de discussões relacionadas à rotulagem e aos limites máximos de resíduos. A cooperação também deverá envolver a participação das entidades em fóruns e organismos internacionais.

A iniciativa ganha relevância diante da crescente necessidade de harmonização de normas e procedimentos entre diferentes mercados. Para o Brasil, um dos principais exportadores mundiais de produtos agropecuários, o alinhamento regulatório pode contribuir para ampliar o acesso a mercados e dar maior previsibilidade às relações comerciais.

O memorando foi discutido durante a 19ª Reunião Internacional de Autoridades Reguladoras de Alimentação Animal, organizada pela International Feed Industry Federation (IFIF), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Após as discussões, o documento foi formalmente assinado na sede do Sindirações, em São Paulo, consolidando a intenção das entidades de manter uma agenda permanente de cooperação.

Para a cadeia leiteira, a aproximação reforça a importância da alimentação animal dentro das estratégias de competitividade e sustentabilidade da produção. Ingredientes, aditivos, segurança dos alimentos e eficiência nutricional estão diretamente ligados ao desempenho dos rebanhos e à qualidade do leite produzido.

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