Ferramenta do IBGE permitirá atualizar informações sobre estabelecimentos rurais até agosto de 2027; Censo Experimental avaliará sistemas, metodologias e logística antes do levantamento nacional
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) avançou na preparação do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola com o lançamento nacional do Cadastro Prévio de Estabelecimentos Agropecuários e a apresentação das ações do Censo Experimental. As iniciativas foram apresentadas na última terça-feira (27/10), em evento realizado no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e integram a organização do levantamento nacional previsto para 2027.
Desenvolvido pelo IBGE, o Cadastro Prévio permitirá que produtores rurais e instituições parceiras contribuam para a atualização da base cadastral que servirá de referência para a coleta de informações. O preenchimento estará disponível de outubro de 2026 a agosto de 2027, por meio da página oficial do instituto, mediante acesso com uma conta gov.br.
A apresentação contou com a participação do secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos; da presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá; e do presidente do IBGE, Márcio Pochmann. Os representantes destacaram a importância dos dados censitários para conhecer a realidade do campo brasileiro e orientar políticas públicas, pesquisas e iniciativas de desenvolvimento do setor.
Para Guilherme Campos, o levantamento representa uma ferramenta essencial para compreender a dimensão e a diversidade da agropecuária nacional. Segundo o secretário, a atualização das informações permitirá obter um retrato mais preciso das atividades desenvolvidas nas propriedades rurais brasileiras, independentemente do porte ou da localização.
O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, ressaltou a contribuição histórica dos censos para o conhecimento da realidade do país. Ele destacou que as informações também são importantes para acompanhar as transformações da agricultura e da pecuária e subsidiar estudos sobre a produção nacional e as relações comerciais brasileiras.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, enfatizou a importância dos dados para a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação. Segundo ela, as informações produzidas pelo Censo são utilizadas por instituições de pesquisa para fundamentar estudos, avaliar hipóteses e orientar projetos, além de contribuir para a elaboração de políticas públicas.
Cadastro permitirá atualização das informações rurais
O Cadastro Prévio de Estabelecimentos Agropecuários foi criado para ampliar a participação dos produtores rurais e de instituições representativas na atualização da base cadastral do próximo Censo. Além dos proprietários e responsáveis por estabelecimentos agropecuários, cooperativas, associações, sindicatos rurais e escritórios de contabilidade poderão colaborar por meio de um perfil institucional.
Conforme os procedimentos estabelecidos pelo IBGE, essas entidades poderão cadastrar estabelecimentos vinculados ou encaminhar informações consolidadas, contribuindo para organizar e qualificar a identificação das unidades produtivas que deverão integrar o levantamento.
O instituto esclarece que a ferramenta possui finalidade exclusivamente estatística e não substitui outros registros relacionados aos imóveis rurais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR).
As informações reunidas nessa etapa ajudarão a planejar o trabalho dos recenseadores, identificar os estabelecimentos agropecuários e organizar a operação de coleta em todo o território nacional.
Censo Experimental testará procedimentos em três estados
Outra etapa importante da preparação será o Censo Experimental, programado para ocorrer entre 3 de novembro e 4 de dezembro de 2026. A operação permitirá testar, em condições reais de campo, os procedimentos que serão utilizados no levantamento nacional.
Os trabalhos avaliarão sistemas tecnológicos, metodologias de coleta, logística, treinamento das equipes e fluxos operacionais. A proposta é identificar eventuais dificuldades e realizar os ajustes necessários antes do início da operação em escala nacional.
Os testes serão realizados em localidades selecionadas para representar diferentes características territoriais, sociais e produtivas. Em São Paulo, a área escolhida é o município de Rio Claro. Em Mato Grosso, os trabalhos ocorrerão em Barra do Bugres, incluindo as Terras Indígenas Umutina e Figueiras.
No Maranhão, a operação abrangerá os municípios de Cururupu e Mirinzal, com atividades na Reserva Extrativista Cururupu e no Território Quilombola Santa Tereza.
Paralelamente, o IBGE realizará Testes de Ambientação em 24 unidades da Federação. A iniciativa avaliará equipamentos, sistemas, procedimentos de supervisão e fluxos de trabalho, complementando os testes de campo e contribuindo para a preparação das equipes.
Levantamento deverá alcançar 5 milhões de estabelecimentos
Com o lema “Juntos vamos colher a maior safra de dados do Brasil”, o 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola está previsto para 2027 e deverá abranger aproximadamente 5 milhões de estabelecimentos agropecuários em todos os municípios brasileiros. A operação também prevê a geração de cerca de 35 mil empregos temporários.
O levantamento atualizará as informações sobre a estrutura produtiva rural, tendo como referência os dados do Censo Agropecuário de 2017. Entre os aspectos investigados estarão as características dos estabelecimentos, as atividades desenvolvidas e a organização da produção agropecuária, florestal e aquícola.
Os resultados deverão oferecer um panorama atualizado da realidade do campo brasileiro, permitindo acompanhar mudanças na estrutura produtiva e identificar características e demandas dos diferentes segmentos do setor.
As informações também servirão de subsídio para a formulação e a avaliação de políticas públicas, o planejamento da produção, a elaboração de estudos técnicos e a definição de estratégias voltadas ao desenvolvimento da agropecuária nacional.