A Granja Leiteira Eudes Braga adota os protocolos de biosseguridade e garante a sanidade do rebanho e o selo de qualidade de seus produtos

BIOSSEGURIDADE

CHECKLIST

da pecuária saudável

PARTE 2

Manter a sanidade dos animais requer menos investimentos do que sanar doenças introduzidas no rebanho. Pesquisadores mostram por que vale a pena adotar medidas de biosseguridade

Luiza Mahia

Intro­du­zir medi­das de bios­se­gu­ri­da­de nas pro­pri­e­da­des lei­tei­ras sig­ni­fi­ca pro­te­ger o reba­nho e todo o seu inves­ti­men­to no sis­te­ma de cri­a­ção. As medi­das de bios­se­gu­ri­da­de, como já foi dito na pri­mei­ra par­te des­ta série de duas repor­ta­gens, são prá­ti­cas de mane­jo ado­ta­das com o obje­ti­vo de redu­zir a dis­se­mi­na­ção de enfer­mi­da­des que pos­sam afe­tar o bem-estar, a sani­da­de e a pro­du­ti­vi­da­de do reba­nho lei­tei­ro, bem como tra­zer ris­cos à saú­de huma­na.

O médi­co vete­ri­ná­rio Gui­lher­me Nunes de Sou­za, pes­qui­sa­dor da Embra­pa Gado de Lei­te, em Juiz de Fora (MG), apon­ta que, embo­ra os pecu­a­ris­tas sai­bam da impor­tân­cia das medi­das de bios­se­gu­ri­da­de, mui­tos relu­tam em apli­cá-las em seus reba­nhos. “É pre­ci­so enten­der que não exis­te ‘cus­to ou gas­to’ na par­te sani­tá­ria do reba­nho e que medi­das de con­tro­le e pre­ven­ção como a bios­se­gu­ri­da­de e o mane­jo sani­tá­rio ade­qua­do e com­ple­to são inves­ti­men­tos”, afir­ma o espe­ci­a­lis­ta, que foi um dos cola­bo­ra­do­res na pro­du­ção do livro “Bios­se­gu­ri­da­de na bovi­no­cul­tu­ra lei­tei­ra”, publi­ca­do em 2018 com a par­ti­ci­pa­ção da Embra­pa Cli­ma Tem­pe­ra­do, da Embra­pa Gado de Lei­te, da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Pelo­tas (UFPel), da Uni­ver­si­da­de Regi­o­nal do Esta­do do Rio Gran­de do Sul (Uni­jui), do Ins­ti­tu­to de Pes­qui­sa Desi­de­rio Fina­mor (Sia­pe), da Emater/RS, da Rede Lei­te e de coo­pe­ra­ti­vas de lei­te regi­o­nais. O mate­ri­al pro­du­zi­do pela Embra­pa Cli­ma Tem­pe­ra­do apre­sen­ta uma exten­sa lis­ta de itens que são impor­tan­tes para garan­tir a “blin­da­gem” do reba­nho (A rela­ção com­ple­ta pode ser con­fe­ri­da no link https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/202288/1/Biosseguridade-Propriedade-Leiteira.pdf)

A edi­to­ra téc­ni­ca do livro, Lígia Mar­ga­reth Can­ta­rel­li Pego­ra­ro, dou­to­ra em repro­du­ção ani­mal e pes­qui­sa­do­ra da Embra­pa Cli­ma Tem­pe­ra­do, em Pelo­tas (RS), acres­cen­ta que, quan­do são ado­ta­das medi­das de bios­se­gu­ri­da­de robus­tas, a pre­va­lên­cia de doen­ças é dras­ti­ca­men­te dimi­nuí­da. “Essas medi­das asse­gu­ram que os reba­nhos sigam livres de enfer­mi­da­des”, diz. No entan­to, nenhu­ma doen­ça deve ser negli­gen­ci­a­da. “Aten­ção espe­ci­al para aque­las de cará­ter zoo­nó­ti­co, como bru­ce­lo­se, tuber­cu­lo­se, lep­tos­pi­ro­se e rai­va”, aler­ta.

PROTOCOLO DE VACINAÇÃO,
é fundamental para a sanidade do rebanho

   Entre as medi­das de mai­or impor­tân­cia na bios­se­gu­ri­da­de inter­na está a vaci­na­ção, que é um pro­ce­di­men­to já con­so­li­da­do na mai­o­ria das pro­pri­e­da­des lei­tei­ras, mas nem sem­pre de for­ma ade­qua­da. “Não adi­an­ta rea­li­zar vaci­na­ção sem o pro­to­co­lo cor­re­to, ou seja, sem res­pei­tar a frequên­cia cor­re­ta de vaci­na­ção, que varia de acor­do com a doen­ça”, aler­ta o pes­qui­sa­dor Gui­lher­me Nunes de Sou­za, da Embra­pa Gado de Lei­te.

   Ele cita como exem­plos bem-suce­di­dos de bios­se­gu­ri­da­de inter­na as cam­pa­nhas rela­ci­o­na­das ao Pro­gra­ma Naci­o­nal de Con­tro­le e Erra­di­ca­ção de Bru­ce­lo­se e Tuber­cu­lo­se Ani­mal (PNCBT), que pre­co­ni­za a vaci­na­ção obri­ga­tó­ria de bezer­ras entre 3 e 8 meses com a vaci­na B19 con­tra a bru­ce­lo­se e o sacri­fí­cio de ani­mais posi­ti­vos para bru­ce­lo­se e/ou tuber­cu­lo­se. “Para essas doen­ças de cará­ter crô­ni­co, obser­va­mos uma redu­ção con­si­de­rá­vel des­ses parâ­me­tros ao lon­go do tem­po” afir­ma.

   No esta­do de Rondô­nia, no perío­do de dez anos (entre 2004 e 2014), a cober­tu­ra da vaci­na­ção con­tra bru­ce­lo­se subiu de 46,5% das bezer­ras para 92,2%. A inci­dên­cia da bru­ce­lo­se entre os ani­mais recu­ou de 6,22% para 1,9% e nos reba­nhos a que­da foi de 35,2% para 12,5%.

Guilherme Nunes de Souza: um dos exemplos bem-sucedidos de biosseguridade interna são as campanhas relacionadas ao PNCBT, em que observamos uma redução considerável de tuberculose e brucelose ao longo do tempo

   “Temos outra situ­a­ção rela­ci­o­na­da à mas­ti­te sub­clí­ni­ca cau­sa­da por Strep­to­coc­cus aga­la­ci­tae em um reba­nho com apro­xi­ma­da­men­te 200 vacas em lac­ta­ção, onde obser­va­mos a redu­ção de pre­va­lên­cia da enfer­mi­da­de entre ani­mais de 60% para 0,5% em um ano”, lem­bra o pes­qui­sa­dor.

   Nes­te caso, as medi­das de bios­se­gu­ri­da­de foram a iden­ti­fi­ca­ção dos ani­mais por meio de exa­mes e tra­ta­men­to com anti­bió­ti­co via intra­ma­má­ria. “Do pon­to de vis­ta econô­mi­co, o reba­nho tinha uma média de pro­du­ção na lac­ta­ção de 17.115 litros e, após os tra­ta­men­tos, a média foi para 17.725, repre­sen­tan­do um incre­men­to de 276 kg de lei­te”, diz Gui­lher­me de Sou­za.

   “A redu­ção dos pre­juí­zos econô­mi­cos é dire­ta­men­te pro­por­ci­o­nal ao esfor­ço e à per­se­ve­ran­ça na ado­ção des­sas medi­das”, acres­cen­ta o médi­co vete­ri­ná­rio Gefer­son Fis­cher, pro­fes­sor Asso­ci­a­do na Facul­da­de de Vete­ri­ná­ria da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Pelo­tas (UFPel), em Capão do Leão (RS).

   Fis­cher, da UFPel, ao lado de Gui­lher­me de Sou­za, da Embra­pa Gado de Lei­te, e de outros pes­qui­sa­do­res que cola­bo­ra­ram com a pro­du­ção do livro sobre esse tema, par­ti­ci­pa­ram, em setem­bro de 2019, do pri­mei­ro cur­so sobre Bios­se­gu­ri­da­de na Bovi­no­cul­tu­ra Lei­tei­ra, rea­li­za­do na sede da Embra­pa Cli­ma Tem­pe­ra­do, na Esta­ção Expe­ri­men­tal Ter­ras Bai­xas em Pelo­tas (RS).

   O cur­so abor­dou a impor­tân­cia da ado­ção de medi­das de bios­se­gu­ri­da­de e as prin­ci­pais doen­ças do reba­nho lei­tei­ro que podem ser evi­ta­das com tais ações. “O pro­pó­si­to foi capa­ci­tar médi­cos vete­ri­ná­ri­os, equi­pes da assis­tên­cia téc­ni­ca de coo­pe­ra­ti­vas de lei­te, da exten­são rural e estu­dan­tes em medi­ci­na vete­ri­ná­ria para dis­se­mi­nar os con­cei­tos sobre a prá­ti­ca e assim redu­zir os ris­cos sani­tá­ri­os nas fazen­das de lei­te”, apon­ta o pes­qui­sa­dor.

A BIOSSEGURIDADE ,
é a maior aliada do produtor para garantir a sanidade e a maior produtividade do rebanho

Seguir à risca o protocolo de vacinação para todo o rebanho é fundamental para a sanidade dos animais

   “Mos­tra­mos que medi­das como um calen­dá­rio vaci­nal apro­pri­a­do para cada enfer­mi­da­de em cada pro­pri­e­da­de, qua­ren­te­na para ani­mais recém-che­ga­dos ou eli­mi­na­ção de ani­mais posi­ti­vos são estra­té­gi­as para evi­tar pre­juí­zos econô­mi­cos”, segue Fis­cher. 

   O espe­ci­a­lis­ta suge­re que o pecu­a­ris­ta pro­cu­re por um pro­fis­si­o­nal para ado­tar as medi­das na pro­pri­e­da­de, por­que é impor­tan­te ter um diag­nós­ti­co cor­re­to da rea­li­da­de da pro­pri­e­da­de em rela­ção à epi­de­mi­o­lo­gia des­sas enfer­mi­da­des.

   Fazer um estu­do deta­lha­do dos desa­fi­os a cam­po é um dos pri­mei­ros pas­sos para a ado­ção de um pro­gra­ma de bios­se­gu­ri­da­de. E, para isso, a par­ti­ci­pa­ção do médi­co vete­ri­ná­rio é mui­to impor­tan­te. Tam­bém o esta­be­le­ci­men­to de um calen­dá­rio vaci­nal, base­a­do no conhe­ci­men­to das doen­ças no reba­nho, deve ser pau­ta­do pelo médi­co vete­ri­ná­rio”, diz.  Após isso, o pecu­a­ris­ta pode assu­mir o coman­do do pro­gra­ma de bios­se­gu­ri­da­de em sua pro­pri­e­da­de, recor­ren­do ao médi­co vete­ri­ná­rio caso sur­jam fatos novos.

   O médi­co vete­ri­ná­rio José Zam­bra­no, espe­ci­a­lis­ta em sani­da­de e téc­ni­co da Reha­gro, con­sul­to­ria agro­pe­cuá­ria de Lavras (MG), apon­ta a bios­se­gu­ri­da­de como um impor­tan­te ali­a­do da pro­du­ti­vi­da­de. “Uma fazen­da que inves­te em ini­ci­a­ti­vas para pro­te­ger seus ani­mais de doen­ças infec­ci­o­sas como bru­ce­lo­se, tuber­cu­lo­se e tri­pa­nos­so­mo­se, por exem­plo, terá gran­des bene­fí­ci­os, já que essas doen­ças podem cau­sar gran­des pre­juí­zos na fazen­da sob o ris­co, até mes­mo, de levá-la à falên­cia”, enfa­ti­za.

 

   Segun­do ele, a ado­ção de tais medi­das em mui­tos casos exi­ge inves­ti­men­tos míni­mos e traz gran­des bene­fí­ci­os. Ele ilus­tra esse fato citan­do o tra­ba­lho desen­vol­vi­do na Gran­ja Lei­tei­ra Eudes Bra­ga, no muni­cí­pio de Car­mo do Para­naí­ba (MG), como exem­plo. 

José Zambrano: uma fazenda que investe na proteção de seus animais contra doenças infecciosas, como brucelose, tuberculose e tripanossomose, consegue evitar grandes prejuízos, que podem, até mesmo, levá-la à falência

Mai­or pro­du­ti­vi­da­de — Nes­sa pro­pri­e­da­de, que com­por­ta um reba­nho for­ma­do por 200 vacas lac­tan­tes da raça Holan­de­sa, as medi­das de bios­se­gu­ri­da­de já são comuns des­de 2008. “Pre­ci­sá­va­mos apre­sen­tar um lei­te livre de qual­quer con­ta­mi­na­ção para entre­gar ao mer­ca­do um quei­jo com total cer­te­za sobre a segu­ran­ça do ali­men­to”, expli­ca Eudes Bra­ga, pro­pri­e­tá­rio da gran­ja.

   Gra­ças e esse con­tro­le, a fazen­da osten­ta o cer­ti­fi­ca­do de livre de bru­ce­lo­se e tuber­cu­lo­se emi­ti­do pelo Minis­té­rio da Agri­cul­tu­ra des­de 2009, que­si­to fun­da­men­tal para pro­du­ção e comer­ci­a­li­za­ção do quei­jo arte­sa­nal, que é a mar­ca da fazen­da.

   “Os inves­ti­men­tos em bios­se­gu­ri­da­de equi­va­lem a cer­ca de 1% do Cus­to Ope­ra­ci­o­nal Efe­ti­vo (COE)”, expli­ca Bra­ga, que ado­ta o calen­dá­rio sani­tá­rio para man­ter em dia a imu­ni­da­de do reba­nho con­tra todas as enfer­mi­da­des. Como resul­ta­do, o cri­a­dor con­ta com um reba­nho com ani­mais lon­ge­vos, sem con­ta­mi­na­ções, expres­san­do uma mai­or pro­du­ti­vi­da­de e não levan­do nenhum ris­co, nem para os cola­bo­ra­do­res dire­tos, nem para os con­su­mi­do­res finais.

   Em Ara­ras (SP), a Fazen­da Colo­ra­do, famo­sa pela pro­du­ção do lei­te tipo A Xandô, optou por fechar seu reba­nho, for­ma­do por 1.500 matri­zes,  há cer­ca de dez anos com o obje­ti­vo de dimi­nuir o ris­co da intro­du­ção de agen­tes pato­gê­ni­cos. “Ain­da há uso de mate­ri­al gené­ti­co (sêmen e embriões) nos pro­to­co­los repro­du­ti­vos, e temos a cons­ci­ên­cia de que todo o ganho gené­ti­co do reba­nho pode ser per­di­do se não hou­ver con­tro­le das doen­ças”, diz Vivi­a­ni Gomes, médi­ca vete­ri­ná­ria, res­pon­sá­vel pelo mane­jo sani­tá­rio.

Eudes Braga: Os investimentos em biosseguridade equivalem a cerca de 1% do COE. Adotamos o calendário sanitário para manter em dia a imunidade do rebanho contra todas as enfermidades

   Para garan­tir a sani­da­de do reba­nho, a fazen­da divi­de os ani­mais por lotes de acor­do com as ida­des no ber­çá­rio (1 a 15 dias de vida), no bezer­rei­ro (16 ao perío­do máxi­mo de 80 dias de vida), nos lotes pós-des­ma­ma (até 4 meses de ida­de), e na fase novi­lha, quan­do são rea­li­za­dos os pri­mei­ros pro­to­co­los repro­du­ti­vos.

   Depois, as novi­lhas são trans­fe­ri­das para pique­tes pré-par­to e enca­mi­nha­das para a mater­ni­da­de em gal­pão com sis­te­ma de ven­ti­la­ção cru­za­da, onde são man­ti­das duran­te todo o perío­do de lac­ta­ção. “Todo o his­tó­ri­co dos ani­mais, incluin­do a ocor­rên­cia de doen­ças, pro­du­ção e repro­du­ção, é regis­tra­do em um pro­gra­ma cha­ma­do Dairy Comp. Esses regis­tros per­mi­tem ana­li­sar os índi­ces do reba­nho de todas as fases da pro­du­ção, e enten­der os gar­ga­los para bus­car solu­ções que mui­tas vezes envol­vem a cole­ta de amos­tra para pes­qui­sa de agen­tes pato­gê­ni­cos, segui­da da ela­bo­ra­ção de pro­to­co­los espe­cí­fi­cos para tra­ta­men­to, con­tro­le e pre­ven­ção de deter­mi­na­da doen­ça no reba­nho”, diz Vivi­a­ni.

CUIDADOS PARA MANTER O SISTEMA SAUDÁVEL

S ão dois con­jun­tos de medi­das que os pecu­a­ris­tas devem ado­tar para evi­tar que pató­ge­nos e enfer­mi­da­des ingres­sem no sis­te­ma pro­du­ti­vo da pro­pri­e­da­de. Jun­tos, os sis­te­mas for­mam os pila­res da bios­se­gu­ri­da­de, que é evi­tar a entra­da e dimi­nuir a cir­cu­la­ção de pató­ge­nos no reba­nho leiteiro.Destacamos alguns itens que for­mam o con­jun­to da bios­se­gu­ri­da­de da fazen­da lei­tei­ra: exter­nos e inter­nos. No livro, esses itens são mais deta­lha­dos, bas­ta seguir o link: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/202288/1/Biosseguridade-Propriedade-Leiteira.pdf

BIOSSEGURIDADE EXTERNA

Medi­das para evi­tar que pató­ge­nos e enfer­mi­da­des ingres­sem no sis­te­ma pro­du­ti­vo da pro­pri­e­da­de:

Qua­ren­te­na: iso­la­men­to dos ani­mais recém-adqui­ri­dos antes da intro­du­ção no reba­nho por 40 dias em con­di­ções ade­qua­das, até a rea­li­zação de deter­mi­na­dos tes­tes sani­tá­ri­os ou para veri­fi­ca­ção de mani­fes­ta­ções clí­ni­cas. Cer­ti­fi­ca­ção do sta­tus sani­tá­rio do reba­nho de ori­gem.

Visi­ta­ções em geral e visi­tas téc­ni­cas: redu­zi­das ao máxi­mo. O aces­so de pes­so­as, veí­cu­los e outros ani­mais estra­nhos à pro­pri­e­da­de deve ser res­tri­to. É impor­tan­te o regis­tro de todos os visi­tan­tes.

Mate­ri­ais usa­dos na pro­pri­e­da­de: devem ter regis­tros de entra­da, tais como ali­men­tos, for­ra­gens, equi­pa­men­tos, pro­du­tos, medi­ca­men­tos e vaci­nas.

Locais res­tri­tos: sala de orde­nha e o local onde ficam as bezer­ras pre­ci­sam ser res­tri­tos (e com todos os cui­da­dos reco­men­da­dos a pes­so­as de fora) e aces­so ao pes­so­al da pro­pri­e­da­de, devi­da­men­te ori­en­ta­dos.

Cer­cas com pro­pri­e­da­des vizi­nhas: com dis­tan­ci­a­men­to ade­qua­do para se evi­tar o con­ta­to dire­to entre ani­mais e impe­dir a trans­mis­são de pató­ge­nos. Nas áre­as de divi­sa, reco­men­da-se o cul­ti­vo de lavou­ras, como de cor­ti­na­men­to vege­tal.

Aces­so dos funcionários/trabalhadores: devem uti­li­zar botas, maca­cões e aven­tais deno­mi­na­dos EPIs (equi­pa­men­tos de pro­te­ção indi­vi­du­al).

Aces­so de téc­ni­cos e vete­ri­ná­ri­os: devem uti­li­zar equi­pa­men­tos de pro­te­ção indi­vi­du­al em cada pro­pri­e­da­de que forem aten­der para evi­tar a dis­se­mi­na­ção de pató­ge­nos entre reba­nhos dis­tin­tos.

Prá­ti­cas vete­ri­ná­ri­as: para os ins­tru­men­tos e mate­ri­ais uti­li­za­dos nas prá­ti­cas vete­ri­ná­ri­as, como a inse­mi­na­ção arti­fi­ci­al e outras inter­ven­ções, é for­te­men­te reco­men­da­da a cor­re­ta higi­e­ni­za­ção e desin­fec­ção dos mate­ri­ais. Assim como o uso indi­vi­du­al de luvas de pal­pa­ção e agu­lhas des­car­tá­veis.

Deli­mi­ta­ção de aces­so a cer­tas áre­as da pro­pri­e­da­de: pedi­lú­vio para lavar cal­ça­dos ou as patas dos ani­mais e rodo­lú­vio para as rodas (pneus) de car­ros, cami­nhões, motos e bici­cle­tas.

BIOSSEGURIDADE INTERNA

Tópi­cos fun­da­men­tais na pre­ven­ção da dis­se­mi­na­ção de pató­ge­nos já pre­sen­tes no reba­nho. Con­tro­le rigo­ro­so da sani­da­de:

Mane­jo cor­re­to dos lotes de ani­mais: cada cate­go­ria ani­mal deve ser mane­ja­da ade­qua­da­men­te com o con­tro­le sani­tá­rio pró­prio para cada fase de desen­vol­vi­men­to e de vida pro­du­ti­va.

Pique­te ou baia de mater­ni­da­de: deve ser pró­xi­mo aos cur­rais e de fácil visu­a­li­za­ção, um ambi­en­te seco, com boa ven­ti­la­ção e, aci­ma de tudo, lim­po.

Mane­jo do colos­tro: a fon­te do colos­tro, ou seja, a vaca doa­do­ra, deve ter seu sta­tus sani­tá­rio asse­gu­ra­do.

Cri­a­ção de bezer­ras: o local deve ser lim­po e seco, deven­do ser toma­dos todos os cui­da­dos na higi­e­ni­za­ção dos uten­sí­li­os (mama­dei­ras, cochos bebe­dou­ros, sem esque­cer o asseio do tra­ta­dor).

Higi­e­ne: os fun­ci­o­ná­ri­os que tra­ba­lham na orde­nha devem man­ter unhas cur­tas, mãos lim­pas e cabe­lo pre­so, e usar tou­ca ou boné pró­prio para essa ati­vi­da­de. Lavar as mãos é uma das mais impor­tan­tes medi­das de bios­se­gu­ri­da­de inter­na da pro­pri­e­da­de lei­tei­ra.

Enfer­ma­ria: os ani­mais doen­tes devem ser iso­la­dos dos demais, e tra­ta­dos, con­for­me ori­en­ta­ção do médi­co vete­ri­ná­rio, em um local apro­pri­a­do, deno­mi­na­do enfer­ma­ria. O médi­co vete­ri­ná­rio res­pon­sá­vel deve aler­tar sobre o poten­ci­al ris­co de trans­mis­são de pató­ge­nos para os demais ani­mais do reba­nho ou meio ambi­en­te.

Mane­jo de ester­co: alter­na­ti­vas para mane­jo ade­qua­do de deje­tos na pro­pri­e­da­de (bio­di­ges­tor; lago­as de esta­bi­li­za­ção; com­pos­ta­gem e ester­quei­ras).

Qua­li­da­de da água uti­li­za­da na pro­pri­e­da­de: a água de bebi­da, assim como a água des­ti­na­da à lim­pe­za das ins­ta­la­ções, deve ser de qua­li­da­de, ou seja, potá­vel.

Lim­pe­za e desin­fec­ção das ins­ta­la­ções: cur­rais, tron­cos e bre­tes tam­bém são fon­tes de con­ta­mi­na­ção. Ester­co, bar­ro, poei­ra, san­gue e outras suji­da­des devem ser reti­ra­dos. As super­fí­ci­es e áre­as de tra­ba­lho devem ser com­ple­ta­men­te lava­das e desin­fe­ta­das após cada uso, espe­ci­al­men­te entre lotes de ani­mais.

Orde­nha: fun­da­men­tal rea­li­zar o pro­ces­so de lim­pe­za e depois fazer a desin­fec­ção da sala de orde­nha e do equi­pa­men­to de orde­nha, seguin­do os pro­to­co­los indi­ca­dos.

A série de medi­das elen­ca­das no sis­te­ma de bios­se­gu­ri­da­de é um rotei­ro que deve ser adap­ta­do às neces­si­da­des de cada pro­pri­e­da­de, que é úni­ca em ter­mos estru­tu­rais e ope­ra­ci­o­nais. Para a obten­ção de suces­so em um pro­gra­ma estra­té­gi­co de bios­se­gu­ri­da­de na pro­pri­e­da­de lei­tei­ra, alguns fato­res são fun­da­men­tais: cons­tan­te trei­na­men­to, dis­ci­pli­na e real com­pro­me­ti­men­to de todos os envol­vi­dos na ati­vi­da­de. A capa­ci­ta­ção de todos em edu­ca­ção sani­tá­ria e medi­ci­na vete­ri­ná­ria pre­ven­ti­va é par­te deci­si­va na imple­men­ta­ção do pro­gra­ma.

Na Fazenda Colorado, galpão com ventilação cruzada para o conforto das vacas, que têm registro histórico de toda a sua vida

   A fazen­da pos­sui cer­ti­fi­ca­do de livre con­tra bru­ce­lo­se e tuber­cu­lo­se e fez a pes­qui­sa e o des­car­te de ani­mais per­sis­ten­te­men­te infec­ta­dos com o vírus da diar­reia viral bovi­na. Além dis­so, pos­sui calen­dá­rio de vaci­na­ção con­tra doen­ças res­pi­ra­tó­ri­as (BVDV, BoHV‑1, BRSV, BPIV‑3), doen­ças repro­du­ti­vas (BVDV, BoHV‑1 e Lep­tos­pi­ra spp.), mas­ti­te por E.coli, mas­ti­te por S.aureus, diar­reia neo­na­tal (rota­ví­rus, coro­na­ví­rus, E.coli ente­ro­to­xi­gê­ni­ca) e clos­tri­di­o­ses, além de cum­prir o calen­dá­rio ofi­ci­al do gover­no (bru­ce­lo­se e febre afto­sa).

 Mais infor­ma­ções: Embra­pa Cli­ma Tem­pe­ra­do, fone:
(53) 3275–8100;  www.embrapa.br/clima-temperado /
www.embrapa.br/fale-conosco/sac

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