Compras externas avançaram 8,7% e chegaram a 243 milhões de litros em equivalente-leite; exportações também aumentaram, mas permaneceram em patamar bem inferior
As importações brasileiras de leite e derivados voltaram a crescer em setembro de 2026, ampliando o déficit da balança comercial do setor. As compras externas totalizaram 243 milhões de litros em equivalente-leite, volume 8,7% superior ao registrado em agosto. No mesmo período, as exportações avançaram 6,5%, alcançando 5,4 milhões de litros em equivalente-leite.
Com o aumento das importações, o déficit comercial de lácteos passou de aproximadamente 219 milhões de litros em equivalente-leite, em agosto, para 237,6 milhões de litros em setembro. Os números reforçam a presença dos produtos importados no abastecimento do mercado brasileiro e a importância do comércio internacional na dinâmica da cadeia leiteira nacional.
Os dados foram divulgados na edição de outubro do boletim Indicadores Leite e Derivados, do Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite. A publicação acompanha indicadores relacionados aos preços do leite nos mercados brasileiro e internacional, à relação de troca para o produtor e à balança comercial de lácteos.
Compras externas de leite em pó e queijos avançam
O crescimento das importações em setembro foi acompanhado por mudanças no perfil dos produtos adquiridos pelo Brasil. Entre os destaques estão o leite em pó desnatado e os queijos, cujos volumes importados aumentaram em relação ao mês anterior.
As compras externas de leite em pó desnatado cresceram 26%, revertendo a queda observada em agosto. Já as importações de queijos avançaram 19%, mesmo percentual registrado pela muçarela, uma das principais categorias de produtos lácteos comercializadas no mercado brasileiro.
Na direção contrária, o leite em pó integral apresentou redução de 3% no volume importado, após dois meses consecutivos de crescimento.
Outro produto que registrou avanço nas compras externas foi o concentrado proteico de soro de leite (WPC, na sigla em inglês). O volume passou de aproximadamente 546,5 toneladas, em agosto, para 586 toneladas, em setembro, alta de 7,2%.
O movimento das importações ocorreu em um cenário de elevada disponibilidade de leite nos países do Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai, importantes fornecedores de produtos lácteos para o Brasil. A oferta na região favorece a entrada de derivados no mercado brasileiro e amplia a concorrência com a produção nacional.
Exportações apresentam recuperação
Apesar do avanço das compras externas, as exportações brasileiras de lácteos também registraram crescimento em setembro. Os embarques somaram 5,4 milhões de litros em equivalente-leite, alta de 6,5% em comparação com agosto.
Entre os produtos exportados, o soro de leite apresentou desempenho positivo, com aumento de 54,1% no volume embarcado. As vendas externas alcançaram 1,28 milhão de quilos no mês.
Por outro lado, as exportações de queijos recuaram 15,2% na comparação mensal, indicando comportamentos distintos entre as categorias de produtos comercializados pelo Brasil no exterior.
Mesmo com a recuperação das vendas externas, a diferença entre os volumes importados e exportados permaneceu expressiva. Em setembro, o Brasil importou o equivalente a 243 milhões de litros de leite e exportou apenas 5,4 milhões de litros, contribuindo para a ampliação do déficit comercial.
Mercado internacional influencia a competitividade
A disponibilidade de leite nos países do Mercosul continua sendo um fator relevante para a dinâmica das importações brasileiras. A produção elevada na região favorece a oferta de derivados destinados ao mercado nacional, enquanto as condições cambiais influenciam o custo de aquisição desses produtos.
O dólar em patamar inferior ao observado no ano anterior contribui para reduzir o custo de internalização dos lácteos importados. Entretanto, a valorização de determinados produtos nos mercados de origem vem diminuindo a vantagem competitiva de alguns derivados estrangeiros em relação aos nacionais.
Esse movimento pode contribuir para moderar o ritmo das importações nos próximos meses, dependendo da evolução dos preços internacionais, da produção nos países fornecedores e das condições de comercialização no mercado brasileiro.
Para a cadeia leiteira nacional, o comportamento do comércio exterior permanece entre os fatores que merecem acompanhamento, especialmente em um cenário de maior disponibilidade de produtos e pressão sobre os preços dos derivados. A evolução da oferta, da demanda e da competitividade dos lácteos brasileiros será determinante para os próximos movimentos do mercado.
Mais detalhes através do link: https://www.cileite.com.br/ind_leite_derivados_out_2026?utm_medium=email&utm_campaign=boletim_indicadores_leite_e_derivados_-_outubro_2026&utm_source=RD+Station
Fonte: Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, e dados de comércio exterior compilados pelo MilkPoint Mercado a partir do Comex Stat.