fbpx

COLUNA DO CEPEA

revista-balde-branco-coluna-cepea-natalia-grigol-edicao-660

Natália Grigol

Pesquisadora do CEPEA

Concorrência por matéria-prima mantém preço ao produtor em alta

O pre­ço do lei­te pago ao pro­du­tor em mar­ço (refe­ren­te ao volu­me cap­ta­do em feve­rei­ro) regis­trou alta de 1,4% em rela­ção ao mês ante­ri­or, che­gan­do a R$ 1,4376/litro na “Média Bra­sil” líqui­da, segun­do pes­qui­sas do Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da (Cepea), da Esalq/USP. O movi­men­to de alta nos valo­res do lei­te no cam­po ocor­re des­de dezembro/2019 e está atre­la­do à con­cor­rên­cia entre lati­cí­ni­os para garan­tir a com­pra de maté­ria-pri­ma num con­tex­to de ofer­ta limi­ta­da.

O Índi­ce de Cap­ta­ção Lei­tei­ra (Icap‑L) do Cepea recu­ou 4,35% na “Média Bra­sil” de janei­ro para feve­rei­ro e acu­mu­la que­da de 7,9% nes­te ano. A menor dis­po­ni­bi­li­da­de de lei­te – no que seria o perío­do sazo­nal de safra – se deve, prin­ci­pal­men­te, à ins­ta­bi­li­da­de cli­má­ti­ca. Além dis­so, outros fato­res tam­bém têm deses­ti­mu­la­do o aumen­to da pro­du­ção no cam­po, como o aumen­to nos valo­res do con­cen­tra­do (puxa­do pela cons­tan­te valo­ri­za­ção dos grãos) e o mai­or aba­te de vacas lei­tei­ras, em razão da ele­va­ção dos pre­ços no mer­ca­do de pecuá­ria de cor­te. Des­ta­cam-se, ain­da, as difi­cul­da­des em anos ante­ri­o­res, que com­pro­me­te­ram os inves­ti­men­tos de lon­go pra­zo na pro­du­ção lei­tei­ra, limi­tan­do o atu­al poten­ci­al de cres­ci­men­to da ati­vi­da­de.

As reco­men­da­ções de iso­la­men­to e a neces­si­da­de de menor cir­cu­la­ção gera­ram incer­te­zas nos con­su­mi­do­res acer­ca da manu­ten­ção do abas­te­ci­men­to

Coro­na­ví­rus — As reco­men­da­ções de iso­la­men­to e a neces­si­da­de de menor cir­cu­la­ção gera­ram incer­te­zas nos con­su­mi­do­res acer­ca da manu­ten­ção do abas­te­ci­men­to. Dian­te dis­so, redes ata­ca­dis­tas e vare­jis­tas inten­si­fi­ca­ram a pro­cu­ra por deri­va­dos em mar­ço, em espe­ci­al do lei­te UHT. De 2 a 27 de mar­ço, o pre­ço nomi­nal do lei­te UHT rece­bi­do pelas indús­tri­as em nego­ci­a­ções no esta­do de São Pau­lo sal­tou, regis­tran­do for­te alta 24,7%.

Por outro lado, o fecha­men­to de redes de ser­vi­ço de ali­men­ta­ção afe­tou seve­ra e nega­ti­va­men­te o con­su­mo de lác­te­os refri­ge­ra­dos, como quei­jos – que per­fa­zem mais de 30% da alo­ca­ção do lei­te nas indús­tri­as. Assim, as indús­tri­as lác­te­as pode­rão se depa­rar, em pou­cas sema­nas, com um cená­rio de bai­xo fatu­ra­men­to, o que será trans­mi­ti­do aos pro­du­to­res. Em algu­mas regiões, espe­ci­al­men­te as que dire­ci­o­nam a mai­or par­te do volu­me para quei­jos, a cole­ta de lei­te no cam­po foi inter­rom­pi­da. Vale lem­brar que, no epi­só­dio da gre­ve dos cami­nho­nei­ros, a inter­rup­ção da cole­ta de lei­te duran­te uma sema­na levou ao des­car­te de mais de 300 milhões de litros nas fazen­das, o que somou um pre­juí­zo de R$ 1 bilhão ao setor.

Rolar para cima