Ferramenta desenvolvida pela StoneX Leite Brasil, com apoio da CNA e parceria do Cepea, permite estabelecer referências de preços e ampliar a proteção de produtores e demais agentes da cadeia diante da volatilidade do mercado
Da redação – com informações da CNA
Gestão de riscos começa a ganhar espaço na atividade leiteira brasileira como uma estratégia para enfrentar um dos principais desafios do setor: a forte oscilação dos preços e a dificuldade de prever a receita futura da propriedade. Nesse cenário, os contratos futuros de leite surgem como uma nova alternativa para produtores e demais agentes da cadeia planejarem suas operações e reduzirem a exposição às variações do mercado.
A ferramenta de hedge foi desenvolvida pela StoneX Leite Brasil, com apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e parceria do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). As primeiras operações do contrato futuro de leite já estão sendo efetivadas, marcando um avanço na criação de mecanismos de proteção específicos para o mercado de lácteos.
Para o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Jônadan Ma, a chegada dos contratos futuros representa uma mudança importante para a atividade leiteira brasileira. “Os contratos futuros vêm para marcar o início de uma nova era para o leite brasileiro, uma vez que a gestão de riscos é cada vez mais importante para a atividade leiteira”, afirma.
Segundo o dirigente, a pecuária de leite precisa ampliar a utilização de instrumentos financeiros destinados à proteção contra as oscilações de mercado. Esse tipo de estratégia já faz parte da rotina de outras cadeias do agronegócio brasileiro e também é utilizado em mercados internacionais.
Gestão precisa fazer parte do planejamento
O avanço da ferramenta, no entanto, depende também da disseminação de uma cultura de gestão de riscos entre os produtores. Para o assessor técnico da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Guilherme Dias, esse é o próximo desafio para o setor. “É preciso disseminar a cultura da gestão de risco no mercado de lácteos. Enquanto grande parte dos produtores de boi gordo, milho ou soja já opera contratos futuros, estamos começando com essa ferramenta para o setor leiteiro, com grandes expectativas. A tendência é que, à medida que os benefícios sejam divulgados, as negociações ganhem força”, explica.
Na prática, a utilização dos contratos futuros exige que o produtor tenha conhecimento sobre seus custos de produção, indicadores zootécnicos e margens da atividade. Com essas informações em mãos, o instrumento pode ser incorporado ao planejamento financeiro da propriedade, contribuindo para reduzir a exposição às oscilações de preços.
A possibilidade de estabelecer antecipadamente uma referência de preço permite ao produtor trabalhar com maior previsibilidade sobre parte da receita futura. O mecanismo, portanto, passa a integrar uma estratégia mais ampla de gestão, que envolve desde o controle dos custos e eficiência produtiva até as decisões comerciais.
Instrumento alcança diferentes produtos
Além do contrato direcionado ao leite pago ao produtor, a plataforma disponibiliza instrumentos relacionados a outros produtos lácteos, como queijo muçarela, leite em pó e leite UHT.
A ampliação dos contratos permite que a gestão de riscos seja aplicada em diferentes pontos da cadeia, envolvendo produtores, cooperativas, indústrias, atacadistas e varejistas.
Para a atividade leiteira, a consolidação desses instrumentos representa um passo importante na profissionalização da gestão comercial. Em um mercado marcado por ciclos de preços, custos elevados e influência de fatores internos e externos, mecanismos que permitam maior previsibilidade podem contribuir para decisões mais estruturadas.
O desafio agora é ampliar o conhecimento sobre a ferramenta e estimular sua incorporação ao planejamento das propriedades e das empresas que atuam no setor. À medida que mais agentes conheçam e utilizem os contratos, a expectativa é de que o mercado de lácteos desenvolva uma cultura de gestão de riscos mais próxima daquela já observada em outras cadeias do agronegócio.