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COLUNA DO CEPEA

Natália Grigol

Pesquisadora do Cepea

  A pes­qui­sa diá­ria de deri­va­dos do Cepea indi­cou que os esto­ques de UHT e muça­re­la segui­ram limi­ta­dos em junho, o que favo­re­ceu as altas acu­mu­la­das nas cota­ções

Menor oferta eleva preço ao produtor em quase 10% em junho

A menor ofer­ta de lei­te no cam­po em maio acir­rou a com­pe­ti­ção entre lati­cí­ni­os e resul­tou em aumen­to nos pre­ços pagos a pro­du­to­res em junho. Esse cená­rio foi veri­fi­ca­do em todos os esta­dos acom­pa­nha­dos pela pes­qui­sa do Cepea (Cen­tro de Estu­dos Avan­ça­dos em Eco­no­mia Apli­ca­da), da Esalq/USP.

Na “Média Bra­sil” líqui­da, o pre­ço ao pro­du­tor de junho (refe­ren­te à cap­ta­ção de maio) atin­giu R$ 1,5135/litro, for­te alta de 9,8% em rela­ção ao mês ante­ri­or. Em ter­mos reais (os valo­res foram defla­ci­o­na­dos pelo IPCA de maio/20), a média atu­al está 2,7% menor que a veri­fi­ca­da em junho de 2019, mas é a mai­or des­de julho daque­le ano.

É pre­ci­so sali­en­tar que exis­te a ten­dên­cia sazo­nal de aumen­to das cota­ções entre mar­ço e agos­to, uma vez que a pro­du­ção de lei­te é pre­ju­di­ca­da pela bai­xa dis­po­ni­bi­li­da­de de pas­ta­gens em decor­rên­cia da dimi­nui­ção das chu­vas. Com o avan­ço da entres­sa­fra da pro­du­ção no Sudes­te e Cen­tro-Oes­te e a esti­a­gem no Sul, a cap­ta­ção de lei­te seguiu limi­ta­da. O Índi­ce de Cap­ta­ção Lei­tei­ra (Icap‑L) do Cepea regis­trou que­da de 0,2% de abril para maio na “Média Bra­sil” e acu­mu­la dimi­nui­ção de 12,6% nes­te ano.

Assim, a menor cap­ta­ção em maio acir­rou a com­pe­ti­ção entre os lati­cí­ni­os para a com­pra de maté­ria-pri­ma. Isso foi evi­den­ci­a­do pelo aumen­to de 6,7% do pre­ço médio men­sal do lei­te spot (nego­ci­a­ção de lei­te cru entre indús­tri­as) em Minas Gerais de abril para maio, em ter­mos nomi­nais.

A menor ofer­ta de maté­ria-pri­ma em maio, por sua vez, inten­si­fi­cou a redu­ção dos esto­ques de UHT, muça­re­la e lei­te em pó – que, vale lem­brar, já vinham limi­ta­dos, devi­do à menor pro­du­ção em abril, por cau­sa das incer­te­zas gera­das pela pan­de­mia de coro­na­ví­rus. Adi­ci­o­nal­men­te, agen­tes de mer­ca­do con­sul­ta­dos pelo Cepea infor­ma­ram que a deman­da por deri­va­dos lác­te­os se mos­trou mais fir­me em maio em com­pa­ra­ção com abril, cená­rio que favo­re­ceu a recu­pe­ra­ção das cota­ções dos lác­te­os.

Pers­pec­ti­vas para julho – A defa­sa­gem tem­po­ral entre a pro­du­ção de lei­te e a comer­ci­a­li­za­ção dos deri­va­dos cau­sa o delay de um mês no repas­se das con­di­ções de mer­ca­do para o pro­du­tor. Nes­se sen­ti­do, as nego­ci­a­ções quin­ze­nais do lei­te spot e a ven­da dos lác­te­os de junho vão influ­en­ci­ar os valo­res do lei­te cap­ta­do naque­le mês, que serão pagos ao pro­du­tor em julho.

No caso do pre­ço do spot, hou­ve alta nas duas quin­ze­nas de junho, com mai­or inten­si­da­de na segun­da. Pes­qui­sas do Cepea mos­tram que, na média des­te mês, o pre­ço do spot em Minas Gerais ficou 45% aci­ma do de maio, em ter­mos nomi­nais, che­gan­do a R$ 2,28/litro. A pes­qui­sa diá­ria de deri­va­dos do Cepea indi­cou que os esto­ques de UHT e muça­re­la segui­ram limi­ta­dos em junho, o que favo­re­ceu as altas acu­mu­la­das nas cota­ções (de 1º a 29 de junho), res­pec­ti­va­men­te de 8,4% e de 21,2%. O UHT regis­tou média men­sal par­ci­al de R$ 3,19/litro, 18% aci­ma do valor veri­fi­ca­do em maio. A média men­sal par­ci­al da muça­re­la foi de R$ 22,24/kg, ele­va­ção de 22,8% na mes­ma com­pa­ra­ção.

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