Estudo aponta que produção animal crescerá mais do que lavouras na próxima década e destaca ganhos de produtividade como principal vetor da expansão
A produção pecuária deverá liderar o crescimento da agricultura mundial ao longo da próxima década. A projeção faz parte da mineração de dados realizada pela Casale a partir do recém-lançado OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035, estudo elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que reúne perspectivas para os principais mercados agropecuários globais.
Segundo o relatório, o valor bruto da produção agropecuária das commodities analisadas deverá crescer 13,3% até 2035, alcançando aproximadamente US$ 4,01 trilhões. Entre todos os segmentos, a pecuária deverá apresentar o maior ritmo de expansão, com crescimento estimado em 15,1%, superando as lavouras (12,5%) e a produção aquícola e pesqueira (11%).
De acordo com o estudo, o crescimento da atividade deverá ser impulsionado principalmente pelo aumento da renda da população, pela urbanização e pela maior demanda por alimentos de origem animal em países de renda média. A publicação também mostra que os países de renda média da Ásia-Pacífico, da África Subsaariana e da América Latina e Caribe deverão responder por 80,3% do crescimento da produção agropecuária mundial até 2035, reforçando o protagonismo dessas regiões na segurança alimentar global.
Embora projete expansão significativa da produção, o relatório indica que esse crescimento deverá ocorrer com ganhos de eficiência.
O relatório projeta crescimento de 13,5% no consumo mundial de proteína destinada à alimentação animal, impulsionado pelo avanço da produção pecuária. Ao mesmo tempo, a produção de proteína animal deverá crescer em ritmo superior ao aumento da utilização de ração, refletindo ganhos na eficiência alimentar dos sistemas produtivos.
O estudo também destaca diferenças importantes entre os níveis de produtividade dos países. A produtividade agrícola por trabalhador deverá crescer quase 30% nos países de renda média baixa, enquanto o avanço esperado é de 19% nos países de renda média alta e de 17% nas economias de baixa renda.