Paraná lança Hub de Bioinformática para conectar universidades, empresas e acelerar inovação em saúde

Iniciativa reúne instituições de pesquisa, setor produtivo e poder público para impulsionar projetos em inteligência artificial, medicina de precisão, biotecnologia e agronegócio

O avanço da tecnologia está transformando a forma como doenças são estudadas, diagnosticadas e tratadas. De olho nesse mercado em expansão, o Paraná acaba de lançar o Hub de Bioinformática, iniciativa que pretende conectar universidades, empresas, centros de pesquisa e instituições públicas para fortalecer a produção científica, acelerar projetos de inovação e ampliar a formação de profissionais especializados na área. O lançamento foi oficializado durante a 1ª Jornada de Bioinformática e Inteligência Artificial na Saúde, realizada na cidade de Guarapuava.

A iniciativa conta com o apoio da Fundação Araucária, Assespro-PR, Cilla Tech Park, Instituto para Pesquisa do Câncer de Guarapuava (IPEC), Unicentro, Hospital São Vicente e Sebrae/PR e nasce em um momento em que Guarapuava se consolida como um dos principais polos de genômica do país. O município abriga um dos nove centros brasileiros que integram o Genomas SUS e um dos cinco habilitados para realizar o sequenciamento genético, etapa fundamental para pesquisas em medicina de precisão e desenvolvimento de novas tecnologias em saúde.

Para o presidente do Cilla Tech Park, Ricardo Miyahara, o Hub nasce em um momento em que a capacidade de transformar grandes volumes de dados em conhecimento passa a ser um diferencial para áreas como saúde, biotecnologia e agronegócio. “Nossa região já possui uma base importante de dados, produzidos por iniciativas como o Genomas SUS. O desafio agora é formar profissionais e criar conexões que permitam transformar essas informações em soluções concretas para a sociedade”, afirma.

Em Guarapuava, o trabalho é desenvolvido pelo Instituto para Pesquisa do Câncer (IPEC), um dos Centros Âncoras do Genomas SUS, que realiza o sequenciamento genético no próprio município com processos automatizados. Segundo a pesquisadora Adriane Feijó Evangelista, bióloga sênior do programa, mais de duas mil amostras genéticas da população já foram sequenciadas, com a expectativa de alcançar cerca de 4,5 mil até o fim de 2026.

Durante o evento de lançamento do Hub, especialistas apresentaram aplicações da bioinformática em áreas como análise genômica, medicina personalizada, inteligência artificial aplicada ao diagnóstico e desenvolvimento de medicamentos. Também foram debatidas oportunidades para o agronegócio, setor que vem incorporando tecnologias genômicas para acelerar pesquisas e aumentar a produtividade.

Os debates também destacaram o desafio da infraestrutura tecnológica necessária para esse avanço. Apenas o projeto desenvolvido em Guarapuava gera cerca de sete terabytes de dados genômicos a cada dois dias, volume que exige infraestrutura computacional, ferramentas de inteligência artificial e especialistas para análise e interpretação das informações.

Entre os participantes estiveram representantes do IPEC Guarapuava, Genomas SUS, UTFPR, e outras instituições de pesquisa e inovação do estado.

Segundo o professor Robson Parmezan Bonidia, da UTFPR, Campus Cornélio Procópio, encontros como esse são importantes para aproximar projetos que vêm sendo desenvolvidos em diferentes instituições. “Tivemos a oportunidade de apresentar como o SABIÁ DATA LAKE pode se conectar às iniciativas de bioinformática e inteligência artificial que estão sendo estruturadas no Paraná. Essa troca fortalece o ecossistema de inovação.”

“A integração entre universidades, instituições de pesquisa, empresas e setor público é essencial para transformar conhecimento científico em inovação e ampliar o impacto dessas tecnologias na sociedade”, disse a pesquisadora Adriane Feijó Evangelista, do IPEC Guarapuava. “Com o lançamento do Hub de Bioinformática do Paraná, a expectativa é fortalecer a colaboração entre pesquisa e mercado, estimular novos projetos e ampliar a capacidade do estado de desenvolver soluções baseadas em dados para a saúde, o agronegócio e outros setores estratégicos”, acrescenta Adriano Krzyuy, presidente da Assespro-PR.

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