{"id":1367,"date":"2016-06-15T11:29:55","date_gmt":"2016-06-15T14:29:55","guid":{"rendered":"http:\/\/revistabaldebranco.com.br\/?p=1367"},"modified":"2016-06-15T11:29:55","modified_gmt":"2016-06-15T14:29:55","slug":"producao-e-consumo-de-lacteos-em-queda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/producao-e-consumo-de-lacteos-em-queda\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o e consumo de l\u00e1cteos em queda"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 2016, a produ\u00e7\u00e3o de leite dever\u00e1 recuar 3%, o que significar\u00e1 pre\u00e7os mais altos. No entanto, a mesma tend\u00eancia provavelmente afetar\u00e1 o consumo, principalmente de queijo e iogurte<\/em><!--more--><\/p>\n<p>No Brasil, a correla\u00e7\u00e3o entre aumento da renda e crescimento do consumo de l\u00e1cteos tem sido alta, principalmente para os produtos de maior valor agregado.<\/p>\n<p>A retra\u00e7\u00e3o no consumo de leite e derivados \u00e9 reflexo da recess\u00e3o instalada no Pa\u00eds, que gera desemprego, infla\u00e7\u00e3o e reduz a renda do brasileiro, levando a uma menor produ\u00e7\u00e3o devido ao aumento dos custos da atividade.<\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio preocupante altera o perfil do consumidor, que busca alternativas que causem menor impacto no or\u00e7amento. A estimativa de consumo de l\u00e1cteos em equivalentes litros de leite foi de 170 litros\/habitante\/ano, como se observa na figura 1, considerando que em 2015 ocorreu a importa\u00e7\u00e3o de 137,6 mil t e a exporta\u00e7\u00e3o de 76,8 mil t em produtos l\u00e1cteos, principalmente, leite em p\u00f3 e queijo.<\/p>\n<p>A expectativa do Rabobank \u00e9 de que o consumo se recupere gradualmente a partir de 2017, mas a disponibilidade de 174 litros, alcan\u00e7ada em 2013, dever\u00e1 demorar a retornar. Sobre o segmento de l\u00e1cteos do Mercosul, o banco holand\u00eas admite que ser\u00e1 dif\u00edcil recuperar esses n\u00edveis rapidamente, j\u00e1 que uma retomada depende da situa\u00e7\u00e3o do emprego e da renda real dos consumidores e\/ou de um grande e bem-sucedido esfor\u00e7o de exporta\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o tem exemplo em passado recente do setor.<\/p>\n<p>Em curto prazo, por\u00e9m, os consumidores seguem comprando menos e de forma mais seletiva. As empresas relatam que consumidores t\u00eam reduzido o n\u00famero de itens que compram de um produto espec\u00edfico e t\u00eam procurado as promo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As vendas de iogurte ca\u00edram no ano passado pela primeira vez desde que come\u00e7aram a ser acompanhadas em 2005, pela Nielsen, tendo havido retra\u00e7\u00e3o, em 2015, de 2,6% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. O iogurte foi um s\u00edmbolo do Plano Real e da ascens\u00e3o da classe m\u00e9dia brasileira, a classe C, refletindo a situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil da nossa economia.<\/p>\n<p>O iogurte apresentou crescimento m\u00e9dio de 6% ao ano no per\u00edodo de 2005 at\u00e9 2010, e nos anos mais recentes, de 2011 a 2014, de 4% ao ano. Este comportamento mostra como a economia vem impactando as compras do brasileiro, que procura levar para casa principalmente os produtos de primeira necessidade.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1539\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/06\/rosangela-620-figura1.jpg\" alt=\"Produ\u00e7\u00e3o e consumo de l\u00e1cteos em queda\" width=\"690\" height=\"308\" \/><\/p>\n<p><strong>Queda no consumo per capita de leite<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 os queijos e iogurtes t\u00eam perdido espa\u00e7o nos lares e, neste ano de 2016, a demanda por este tipo de produto dever\u00e1 recuar 4%, segundo o mesmo estudo do Rabobank. O consumo aparente de leite no Brasil, representado pela disponibilidade per capita, dever\u00e1 cair para 168 litros por habitante, o mesmo n\u00edvel de 2011. A produ\u00e7\u00e3o de leite no Pa\u00eds, em 2014, foi de 35,1 bilh\u00f5es de litros de leite, e a estimativa \u00e9 de redu\u00e7\u00e3o da quantidade produzida em 2015. Este fato decorre das informa\u00e7\u00f5es divulgadas pela pesquisa trimestral do leite do IBGE, em que foi estimada uma redu\u00e7\u00e3o de 697 milh\u00f5es de litros na quantidade de leite adquirida por ind\u00fastrias com inspe\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da capta\u00e7\u00e3o de leite tamb\u00e9m \u00e9 confirmada pelo ranking das quinze maiores empresas de latic\u00ednios que atuam no Brasil, cujo volume captado, por sete delas, reduziu 610 milh\u00f5es de litros em 2015. Al\u00e9m de deixar de comprar o leite de alguns produtores, em seis empresas ocorreu diminui\u00e7\u00e3o da m\u00e9dia por produtor do volume entregue diariamente.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o total de leite e a quantidade adquirida pelas ind\u00fastrias, nos \u00faltimos anos, pode ser vista na figura 2, na qual se observa que n\u00e3o existe uma proporcionalidade das taxas de crescimento da quantidade produzida e o que \u00e9 processado pelos latic\u00ednios.<\/p>\n<p>Em 2012 a produ\u00e7\u00e3o nacional teve um pequeno crescimento, de 0,6%, ou 208 milh\u00f5es de litros, e o leite captado cresceu 4,9%, ou 1,072 bilh\u00e3o de litros. Em 2013 o volume adquirido cresceu 3,0%, 685 milh\u00f5es de litros, enquanto o nacional aumentou 6,0%, e somou 1,950 bilh\u00e3o de litros. Em 2014 a produ\u00e7\u00e3o total cresceu 2,7%, 919 milh\u00f5es de litros, e o leite processado 5,1%, 1,194 bilh\u00e3o. Para o ano que passou ainda n\u00e3o temos a estimava da produ\u00e7\u00e3o total, mas o leite que chegou at\u00e9 as ind\u00fastrias reduziu 2,8%, que equivalem a 697 milh\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1544\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/06\/rosangela-620-figura2.jpg\" alt=\"rosangela-620-figura2\" width=\"690\" height=\"570\" \/><br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o deve recuar neste ano<br \/>\n<\/strong>A quantidade de leite captada pela ind\u00fastria foi de 24,05 bilh\u00f5es de litros, e a maior redu\u00e7\u00e3o ocorreu no centro-oeste, onde o volume foi 323 milh\u00f5es menor do que em 2014. Em 2016, a produ\u00e7\u00e3o dever\u00e1 recuar mais 3%, segundo o Rabobank, o que significa pre\u00e7os mais altos.<\/p>\n<p>Observa-se que os produtores brasileiros continuam com margens apertadas em decorr\u00eancia da eleva\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, houve redu\u00e7\u00e3o dos investimentos na produ\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos e um &#8220;n\u00famero expressivo&#8221; de pequenos pecuaristas diminuiu o rebanho ou saiu da atividade.<\/p>\n<p>O aumento do custo de produ\u00e7\u00e3o de leite e o menor pre\u00e7o recebido pelo produtor tamb\u00e9m colabora para a redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de leite. Em abril de 2015 eram necess\u00e1rios 28 litros de leite para se comprar um saco de 60 kg de ra\u00e7\u00e3o para vacas leiteiras, e em abril de 2016, eram necess\u00e1rios 40 litros de leite para comprar a mesma ra\u00e7\u00e3o, segundo os indicadores econ\u00f4micos divulgados pela Intelactus\/Embrapa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos problemas na economia brasileira, outro fator que tem prejudicado o segmento de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o clima. Em algumas regi\u00f5es ocorreu estiagem prolongada, e em outras, excesso de chuvas, prejudicando as pastagens e aumentando o custo de produ\u00e7\u00e3o. No m\u00eas de maio, na maior parte do Pa\u00eds, come\u00e7ou o per\u00edodo de seca, prejudicando ainda mais a situa\u00e7\u00e3o dos produtores de leite.<\/p>\n<p>Este deve ser um ano dif\u00edcil para o produtor, com custo de produ\u00e7\u00e3o maior, com fen\u00f4menos clim\u00e1ticos marcantes e um mercado consumidor retra\u00eddo. Se confirmada a estimativa de menor produ\u00e7\u00e3o de leite em 2015, ser\u00e1 a primeira vez que o setor leiteiro apresentar\u00e1 esse fato, mesmo o Pa\u00eds tendo passado por situa\u00e7\u00f5es adversas na economia em per\u00edodos anteriores.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s v\u00e1rios anos de n\u00fameros positivos, esse momento de retra\u00e7\u00e3o pode ser transformado em mudan\u00e7a para que o setor se torne eficiente e competitivo com investimentos de longo prazo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2016, a produ\u00e7\u00e3o de leite dever\u00e1 recuar 3%, o que significar\u00e1 pre\u00e7os mais altos. 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