{"id":1608,"date":"2016-02-15T10:25:06","date_gmt":"2016-02-15T12:25:06","guid":{"rendered":"http:\/\/revistabaldebranco.com.br\/?p=1608"},"modified":"2016-02-15T10:25:06","modified_gmt":"2016-02-15T12:25:06","slug":"fatos-relevantes-do-leite-em-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/fatos-relevantes-do-leite-em-2015\/","title":{"rendered":"Fatos relevantes do leite em 2015"},"content":{"rendered":"<p><em>O ano que passou acumulou fatos relevantes no mercado l\u00e1cteo. O recuo das compras pela China e o embargo da R\u00fassia, juntamente com alguns outros fatos, podem definir uma nova ordem em 2016<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Em 2015, o com\u00e9rcio internacional de l\u00e1cteos foi din\u00e2mico e tentou equilibrar a desacelera\u00e7\u00e3o das compras chinesas e o embargo russo, segundo relat\u00f3rio divulgado pelo Centro Nacional Interprofis\u00adsional de Economia Leiteira-Cniel, da Fran\u00e7a. Alguns fatos relevantes, citados no documento, sobre a produ\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio internacional e os principais investimentos realizados, podem ter reflexos neste ano que se inicia.<\/p>\n<p>Por aqui, j\u00e1 se fala que o Brasil precisa atuar de forma mais agressiva na exporta\u00e7\u00e3o para compensar a retra\u00e7\u00e3o que dever\u00e1 ocorrer no mercado dom\u00e9stico de l\u00e1cteos, decorrente da crise financeira e pol\u00edtica vivida pelo Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os principais pa\u00edses participantes do mer\u00adcado internacional de l\u00e1cteos est\u00e3o destaca\u00addos na figura 1. Observa-se que entre eles, os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, os Estados Unidos e a Austr\u00e1lia, que s\u00e3o exportadores, tiveram crescimento da produ\u00e7\u00e3o de leite. A Nova Zel\u00e2ndia, o Uruguai, Chile e a Argentina, que tamb\u00e9m s\u00e3o fornecedores para o mercado mundial, tiveram redu\u00e7\u00e3o do volume produzido em dez meses de 2015 (figuras 1 e 2).<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1609\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/07\/616-rosangela-figura1.jpg\" alt=\"616-rosangela-figura1\" width=\"690\" height=\"529\" \/><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1610\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/07\/616-rosangela-figura2.jpg\" alt=\"616-rosangela-figura2\" width=\"690\" height=\"526\" \/><br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o de leite cresceu tamb\u00e9m em pa\u00edses importadores de l\u00e1cteos, como foi o caso do Jap\u00e3o e do M\u00e9xico. O Brasil e a R\u00fassia, que est\u00e3o no grupo dos que compram l\u00e1cteos, reduziram a produ\u00e7\u00e3o. Segundo o Cniel, a produ\u00e7\u00e3o brasileira reduziu 1,8% no primeiro semestre de 2015.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de leite \u00e9 c\u00edclica (como pode ser observado na figura 2) para os cinco principais pa\u00edses fornecedores de l\u00e1cteos para o mercado mundial, no per\u00edodo de 2013 a outubro de 2015. Por\u00e9m, nos Estados Unidos, o volume produzido aumentou na maioria dos meses do per\u00edodo considerado. Na Argentina a produ\u00e7\u00e3o reduziu principalmente em 2014. O leite da Nova Zel\u00e2ndia tem uma forte de\u00adpend\u00eancia da disponibilidade de pastos para alimenta\u00e7\u00e3o do rebanho e como consequ\u00eancia se observou uma varia\u00e7\u00e3o c\u00edclica da produ\u00e7\u00e3o, acompanhando as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Na Europa a produ\u00e7\u00e3o cresceu 1,5% nos dez primeiros meses de 2015, apesar dos sinais de pre\u00e7os menores, em v\u00e1rios pa\u00edses membros da UE, como na Irlanda, Holanda, B\u00e9lgica e Hungria, que tiveram crescimento elevado, principalmente em outubro de 2015.<\/p>\n<p>Entre os fatos relevantes do com\u00e9rcio exterior em 2015 esteve o crescimento da exporta\u00e7\u00e3o de leite em p\u00f3 desnatado da Uni\u00e3o Europeia, em 8%; da Nova Zel\u00e2ndia, 7%, e da Austr\u00e1lia, 34%. A Argentina reduziu as vendas do desnatado em 22% em nove meses de 2015 (tabela 1). O queijo seguiu a mesma tend\u00eancia de exporta\u00e7\u00e3o que o leite em p\u00f3 desnatado, com redu\u00e7\u00e3o maior da Argentina, 19%, e dos Estados Unidos, 15%.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1611\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/07\/616-rosangela-tabela1.jpg\" alt=\"616-rosangela-tabela1\" width=\"690\" height=\"468\" \/><br \/>\nEntre os pa\u00edses importadores de l\u00e1cteos, a China teve redu\u00ad\u00e7\u00e3o de 23% do volume de leite em p\u00f3 desnatado e de 52% do p\u00f3 integral em dez meses de 2015. A R\u00fassia reduziu em 44% a compra de queijo, e em 32%, de manteiga. No per\u00edodo de nove meses de 2015, o Brasil aumentou a importa\u00e7\u00e3o de leite em p\u00f3 integral em 118%.<\/p>\n<p><strong>Destaques no plano dos latic\u00ednios<\/strong><br \/>\nOs fatos relevantes do setor industrial ocorridos em 2015, ou que est\u00e3o em andamento, foram:<\/p>\n<p>&#8211; Na Holanda, a Danone est\u00e1 investindo 240 milh\u00f5es numa nova f\u00e1brica para a sua divis\u00e3o de nutri\u00e7\u00e3o infantil. A ind\u00fastria come\u00e7ar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o em 2017 e dever\u00e1 permitir \u00e0 empresa dobrar a capacidade naquele pa\u00eds. A Friesland Campina est\u00e1 aumentando a capacidade de produ\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica em Borculo, tamb\u00e9m especializada na produ\u00e7\u00e3o de alimentos infantis. A expans\u00e3o permitir\u00e1 atender \u00e0 crescente demanda global para esse tipo de produto.<\/p>\n<p>&#8211; No Reino Unido, a cooperativa First Milk vendeu a f\u00e1brica de Glenfield para a Graham\u00b4s Dairy, como parte das a\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o para compensar as perdas em 2014.<\/p>\n<p>&#8211; Na R\u00fassia, a Hochland anunciou um plano de investimento de 28 milh\u00f5es, que pretende dobrar a produ\u00e7\u00e3o com a mo\u00adderniza\u00e7\u00e3o das linhas de produ\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Belgorod. A Molochnay Ferma, que \u00e9 uma das principais processadoras de latic\u00ednios no pa\u00eds, tem planos de investir 40 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de uma nova planta de produtos l\u00e1cteos em Saint Petersburg. O latic\u00ednio ter\u00e1 capacidade de processamento de 35 milh\u00f5es de litros\/ano. O investimento tamb\u00e9m inclui a implan\u00adta\u00e7\u00e3o de uma fazenda com 2 mil vacas. O Complexo Agr\u00edcola Tkachev prev\u00ea investimento de 160 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de uma planta de queijo na regi\u00e3o de Krasnodar e dever\u00e1 entrar em opera\u00e7\u00e3o em 2017.<\/p>\n<p>&#8211; A Fonterra, na Austr\u00e1lia, vai investir na f\u00e1brica de queijos em Stanhope no norte de Victoria. A produ\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser iniciada em 2017 e a estimativa \u00e9 de produ\u00e7\u00e3o anual de 45.000 t, que representa um aumento da capacidade de processamento de 50% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atual planta. O soro de leite produzido ser\u00e1 transformado na planta de Darnum, que \u00e9 especializada na produ\u00e7\u00e3o de alimentos infantis.<\/p>\n<p>&#8211; Na Nova Zel\u00e2ndia, a Fonterra investiu na planta de Hautapuem Waikato para aumentar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de lactoferri\u00adna, que \u00e9 extra\u00edda a partir de leite desnatado ou do soro de leite.<\/p>\n<p>&#8211; A Bel est\u00e1 investindo 7 milh\u00f5es na Turquia em uma planta processadora para dobrar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica em Corlu.<\/p>\n<p>&#8211; Em Oman, a empresa Oman Investment Holding Co. lan\u00e7ou um plano de desenvolvimento para o setor leiteiro cuja meta \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um sistema de produ\u00e7\u00e3o de leite, previsto para come\u00e7ar em 2017, com um rebanho de 4 mil vacas, e a pretens\u00e3o \u00e9 de uma megafazenda de 25 mil vacas em 10 anos.<\/p>\n<p>&#8211; Na \u00cdndia, a Coca-Cola, em parceria com a Dynamix, quer lan\u00e7ar suas bebidas l\u00e1cteas no mercado local, n\u00e3o gaseificadas e com sabores. A Amul continua seu plano de desenvolvimento e dever\u00e1 iniciar a produ\u00e7\u00e3o de leite em p\u00f3 com a instala\u00e7\u00e3o de duas novas torres de secagem, com capacidade de 150 t por dia nos pr\u00f3ximos 18 meses. A f\u00e1brica de queijos alem\u00e3es Hochland firmou parceria com a empresa de latic\u00ednios Parag Milk para entrar no mercado indiano. As empresas v\u00e3o lan\u00e7ar o Go Almette na \u00cdndia, que ser\u00e1 distribu\u00eddo em domicilio por meio da rede existente da Parag Milk.<\/p>\n<p>&#8211; Nos Estados Unidos, a Glanbia adquiriu a empresa Think Thin, que \u00e9 l\u00edder no mercado de snacks. Esta aquisi\u00e7\u00e3o faz parte da estrat\u00e9gia de desenvol\u00advimento e posi\u00e7\u00e3o no mercado de lanches em expans\u00e3o no mundo. A Fonterra vendeu sua participa\u00e7\u00e3o, de 50% na joint venture, para a Dairy Farmers of America. A Fonterra fornecer\u00e1 ingredientes l\u00e1cteos de valor agregado por meio da NZMP. A Select Milk Producers Inc. adquiriu, em Littlefield, no Texas, uma planta de processamento de l\u00e1cteos com investimento de US$250 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; No Brasil, a Coca-Cola negocia a compra da empresa de latic\u00ednios Verde Campo. Esta aqui\u00adsi\u00e7\u00e3o faz parte da estrat\u00e9gia da multinacional de refrigerantes de entrar no mercado brasileiro em segmentos de produtos com valor agre\u00adgado, como iogurte, queijo e sorvete. A Verde Campo atualmente produz iogurte e queijo.<\/p>\n<p>&#8211; No continente africano, na Nig\u00e9ria, a Ornua, que era a irlandesa Dairy Board, abriu um novo centro de condicionamento para os produtos Kerrygold na capital Lagos. A f\u00e1brica, que \u00e9 uma joint-venture com a Fareast Mercantile, poder\u00e1 facilitar as vendas de produtos irlan\u00addeses que ser\u00e3o exportados para a Nig\u00e9ria e vendidos sob a marca Kerrygold.<\/p>\n<p>&#8211; No Qu\u00eania, o IFAD (Fundo Internacional para o Desenvolvi\u00admento Agr\u00edcola) investe para o desenvolvimento de pequenas explora\u00e7\u00f5es leiteiras para aumentar a produ\u00e7\u00e3o. A Brookside Dairy come\u00e7ou a secagem de leite.<\/p>\n<p>&#8211; Na Tanz\u00e2nia e Eti\u00f3pia, a ONG Land O\u2019Lakes ir\u00e1 investir US$ 18,1 milh\u00f5es, nos pr\u00f3ximos cinco anos, para o desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o de leite.<\/p>\n<p>O crescimento da produ\u00e7\u00e3o de leite no mundo, principal\u00admente nos pa\u00edses exportadores de l\u00e1cteos, os grandes proces\u00adsadores cada vez maiores e mais fortes, a moderniza\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias e a inova\u00e7\u00e3o de produtos s\u00e3o fatores que poder\u00e3o dificultar a entrada e perman\u00eancia do Brasil em mercados im\u00adportadores de l\u00e1cteos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano que passou acumulou fatos relevantes no mercado l\u00e1cteo. 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