{"id":2078,"date":"2016-07-15T10:51:23","date_gmt":"2016-07-15T13:51:23","guid":{"rendered":"http:\/\/revistabaldebranco.com.br\/?p=2078"},"modified":"2016-07-15T10:51:23","modified_gmt":"2016-07-15T13:51:23","slug":"leite-perante-os-acordos-comerciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-perante-os-acordos-comerciais\/","title":{"rendered":"Leite perante os acordos comerciais"},"content":{"rendered":"<p><em>O mercado internacional de l\u00e1cteos diante do recente acordo Transpac\u00edfico ganha uma nova ordem, seja na oferta ou na demanda de produtos. Com isso, resta ao Brasil ajustar sua estrat\u00e9gia comercial para se manter competitivo<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nOs acordos comerciais representam a uni\u00e3o de dois ou mais pa\u00edses que se associam com diferentes finalidades, entre elas, a isen\u00e7\u00e3o de tarifas alfandeg\u00e1rias, incentivo e desburocratiza\u00e7\u00e3o das trocas de com\u00e9rcio e amplia\u00e7\u00e3o e acesso ao mercado para produtos com capacidade real ou potencial de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rios acordos comerciais no mundo, e um dos principais \u00e9 a Uni\u00e3o Europeia, que hoje congrega 27 pa\u00edses; o Nafta, entre Estados Unidos, Canad\u00e1 e M\u00e9xico; o Mercosul, que une comercialmente Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela. Na figura 1 est\u00e3o destacados 17 acordos comerciais em diferentes regi\u00f5es do mundo, e se observa que a grande maioria dos pa\u00edses faz parte de algum tipo de acordo.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2079\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/07\/rosangela-621-figura1.jpg\" alt=\"rosangela-621-figura1\" width=\"690\" height=\"463\" \/><br \/>\nEm outubro de 2015 foi firmado mais um acordo comercial, o Transpac\u00edfico, que congrega doze pa\u00edses banhados pelo Oceano Pac\u00edfico. Da \u00c1sia, fazem parte: Jap\u00e3o, Brunei, Mal\u00e1sia, Cingapura e Vietn\u00e3; da Am\u00e9rica do Norte: Canad\u00e1, Estados Unidos e M\u00e9xico; da Am\u00e9rica do Sul: Peru e Chile; da Oceania: Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Esse grupo re\u00fane tr\u00eas grandes pot\u00eancias mundiais: Estados Unidos, Canad\u00e1 e Jap\u00e3o, e pa\u00edses com economias abertas e muito inseridas no com\u00e9rcio mundial, como Mal\u00e1sia e Cingapura. Nesse grupo tamb\u00e9m est\u00e3o presentes pa\u00edses emergentes, como Chile e M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Esse novo acordo pode mudar o com\u00e9rcio mundial por ter outras finalidades, al\u00e9m do pr\u00f3prio com\u00e9rcio entre eles.<\/p>\n<p>Prev\u00ea a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos pa\u00edses-membros com a elimina\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o das tarifas e outras barreiras comerciais; a cria\u00e7\u00e3o de regras comuns de propriedade intelectual de produtos e tecnologias; a padroniza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas, garantindo os padr\u00f5es de trabalho nos pa\u00edses asi\u00e1ticos para evitar a migra\u00e7\u00e3o; o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es ambientais comuns com foco na sustentabilidade e investimentos nos pa\u00edses-membros para aumentar a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>Transpac\u00edfico: Dez anos de negocia\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nOs pa\u00edses associados ao Transpac\u00edfico somam aproximadamente 40% de toda a economia mundial, um ter\u00e7o de todas as exporta\u00e7\u00f5es, um mercado consumidor de 800 milh\u00f5es de pessoas, e pretendem movimentar, at\u00e9 2025, cerca de US$ 223 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>Como esse acordo atinge v\u00e1rios setores da economia dos pa\u00edses envolvidos, foram necess\u00e1rios quase 10 anos de negocia\u00e7\u00f5es secretas entre os pa\u00edses-membros do bloco para que se chegasse ao documento que o legitimou, assinado no dia 4 de fevereiro deste ano.<\/p>\n<p>O acordo ainda \u00e9 muito recente e \u00e9 prematuro prever quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias dele para o com\u00e9rcio mundial, mas as perspectivas econ\u00f4micas para os pa\u00edses-membros s\u00e3o bastante otimistas. Estudiosos acreditam que a cria\u00e7\u00e3o do bloco foi uma rea\u00e7\u00e3o ao crescimento econ\u00f4mico chin\u00eas, para limitar a influ\u00eancia da China no continente asi\u00e1tico e diminuir a presen\u00e7a dos produtos chineses no mercado global.<\/p>\n<p>J\u00e1 os pa\u00edses europeus, que dependem de uma maior intera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com os Estados Unidos e com pa\u00edses do sudeste asi\u00e1tico para superar a crise, est\u00e3o muito atentos \u00e0s consequ\u00eancias desse novo bloco.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses unidos nesse bloco econ\u00f4mico d\u00e3o um exemplo nas rela\u00e7\u00f5es comerciais, enquanto o Brasil est\u00e1 paralisado nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s discuss\u00f5es sobre a Alca, que reuniria os Pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, Central e do Norte, mas as iniciativas n\u00e3o foram concretizadas; isso \u00e9 grave e ter\u00e1 reflexos a aus\u00eancia do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Chances do leite no mundo globalizado<\/strong><br \/>\nNo mercado de l\u00e1cteos, a participa\u00e7\u00e3o do bloco do Transpac\u00edfico \u00e9 significativa, seja na oferta ou na demanda de produtos. Os pa\u00edses-membros produzem 20% do volume mundial de leite, sendo os Estados Unidos respons\u00e1veis por 60% desse total, e a Nova Zel\u00e2ndia, que \u00e9 a maior participante no mercado internacional, tem volume aproximado de 19 bilh\u00f5es de litros.<\/p>\n<p>Fazem parte desse bloco pa\u00edses com alta demanda de l\u00e1cteos, com produ\u00e7\u00e3o muito baixa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do Jap\u00e3o, M\u00e9xico, Cingapura, Vietn\u00e3 e Peru, que se caracterizam como importadores. O mercado consumidor, superior a 800 milh\u00f5es de pessoas, produz, em m\u00e9dia, 188 litros\/ano por habitante, como se observa na tabela 1.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2080\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/07\/rosangela-621-tabela1.jpg\" alt=\"rosangela-621-tabela1\" width=\"690\" height=\"345\" \/><\/p>\n<p>Os grandes produtores e exportadores de l\u00e1cteos, como Nova Zel\u00e2ndia, Estados Unidos, Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia, ter\u00e3o vantagens sobre os produtos brasileiros para mercados fechados como Jap\u00e3o, Vietn\u00e3 e Mal\u00e1sia, que s\u00e3o integrantes do bloco.<\/p>\n<p>O acordo comercial brasileiro se restringe ao Mercosul, onde Argentina e Uruguai s\u00e3o exportadores, e Brasil, Paraguai e Venezuela s\u00e3o importadores de l\u00e1cteos. Considerando que a maior parte do com\u00e9rcio mundial ocorre via acordos bilaterais, \u00e9 premente um grande esfor\u00e7o brasileiro para acessar novos mercados, e a cria\u00e7\u00e3o de acordos comerciais para aumentar a competitividade do Brasil e se tornar um pa\u00eds importante no mercado mundial.<\/p>\n<p>Estamos vivendo num mundo globalizado, onde a busca por parceria e uni\u00e3o \u00e9 o caminho para a sobreviv\u00eancia. Nesse sentido, restabelecer a economia e fortalecer os acordos econ\u00f4micos pode representar o sucesso do setor leiteiro brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado internacional de l\u00e1cteos diante do recente acordo Transpac\u00edfico ganha uma nova ordem, seja na oferta ou na demanda de produtos. 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