{"id":2089,"date":"2016-07-19T11:05:48","date_gmt":"2016-07-19T14:05:48","guid":{"rendered":"http:\/\/revistabaldebranco.com.br\/?p=2089"},"modified":"2016-07-19T11:05:48","modified_gmt":"2016-07-19T14:05:48","slug":"leite-uht-eleva-preco-pago-ao-produtor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-uht-eleva-preco-pago-ao-produtor\/","title":{"rendered":"Leite UHT eleva pre\u00e7o pago ao produtor"},"content":{"rendered":"<p>A concorr\u00eancia no campo segue acirrada, influenciada pela forte demanda por parte das ind\u00fastrias de derivados l\u00e1cteos. <!--more-->No mercado atacadista do estado de S\u00e3o Paulo, os pre\u00e7os continuam registrando altas di\u00e1rias, inclusive, recordes na s\u00e9rie hist\u00f3rica, impulsionadas pela baixa oferta da mat\u00e9ria-prima, segundo o Cepea-Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada, da Esalq-USP.<\/p>\n<p>A cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de junho do leite UHT fechou em R$ 3,6476\/ litro, valor 24,1% superior ao de maio e acumulando valoriza\u00e7\u00e3o de 58,5% apenas este ano, em valores reais (deflacionados pelo IPCA de maio\/16). J\u00e1 o queijo mussarela registrou m\u00e9dia de R$ 18,31\/kg, valorizando 14,08% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior e acumulando alta de 29,8% nos \u00faltimos seis meses.<\/p>\n<p>A baixa oferta de mat\u00e9ria-prima tem sido ocasionada pelo per\u00edodo de entressafra e pelos altos patamares dos custos de produ\u00e7\u00e3o, valorizando ainda mais a precifica\u00e7\u00e3o do leite. Em junho, o movimento de alta foi verificado em todos os estados acompanhados pelo Cepea. O pre\u00e7o do leite recebido pelo produtor (sem frete e impostos) teve alta de 5,14% de maio a junho, passando para R$ 1,2165\/litro na \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d. Este va-lor est\u00e1 18,01% maior que o de junho de 2015, em termos reais.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o bruto m\u00e9dio (com frete em impostos) foi de R$ 1,3276\/litro, aumento real de 17,96% frente ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>O aumento na m\u00e9dia nacional em junho foi influenciado pela eleva\u00e7\u00e3o principalmente em Santa Catarina (5,94%) e em Minas Gerais (5,77%), onde os pre\u00e7os l\u00edquidos passaram para R$ 1,2474\/ litro e R$ 1,2636\/litro, respectivamente. Dentro da porteira, as principais dificuldades continuam sendo o clima desfavor\u00e1vel para as pastagens e os custos elevados da alimenta\u00e7\u00e3o animal, e mesmo com as quedas nos indicadores dos \u00faltimos dias os patamares ainda permanecem altos.<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Capta\u00e7\u00e3o de Leite do Cepea teve queda de 1,63% em maio, considerando-se os sete estados que comp\u00f5em a \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d. A Bahia registrou a maior queda na capta\u00e7\u00e3o, de 6,87%, seguida de Goi\u00e1s (-3,37%), Minas Gerais (-2,62%), S\u00e3o Paulo (-2,09%), Santa Catarina (-0,80%) e Paran\u00e1 (-0,30%). Rio Grande do Sul foi o \u00fanico estado que registrou ligeira melhora na capta\u00e7\u00e3o, de 0,73%. Para os pr\u00f3ximos meses, a capta\u00e7\u00e3o dever\u00e1 come\u00e7ar a se recuperar no Sul, devido \u00e0s forragens de inverno e tamb\u00e9m pelo per\u00edodo de safra que come\u00e7a um pouco antes nessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante disso, segundo agentes de mercado, a baixa oferta da mat\u00e9ria-prima se intensificou nesse \u00faltimo m\u00eas e, com isso, a concorr\u00eancia para capta\u00e7\u00e3o por parte das ind\u00fastrias de derivados l\u00e1cteos deve continuar impulsionando os pre\u00e7os. Dos agentes entrevistados pelo Cepea, 97% (que representam 99,5% do volume amostrado) acreditam em nova alta nos pre\u00e7os do leite, enquanto o restante (2,2%, que representam 0,5% do volume) acredita em estabilidade nas cota\u00e7\u00f5es \u2013 frente ao m\u00eas passado. Houve diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de colaboradores que estima estabilidade nos valores. Nenhum dos colaboradores consultados estima queda de pre\u00e7os em julho. O levantamento de pre\u00e7os pago ao produtor do Cepea \u00e9 mensal e conta com o apoio financeiro da OCB-Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas Brasileiras.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brimagens\/economia-621-tabela1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2094 size-full\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/07\/economia-621-tabela1a.jpg\" alt=\"economia-621-tabela1a\" width=\"690\" height=\"435\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO analista de mercado, Rafael Ribeiro, da Scot Consultoria, tamb\u00e9m aponta que houve aumento nos custos de produ\u00e7\u00e3o da atividade leiteira em junho. \u201cOs alimentos concentrados proteicos e energ\u00e9ticos puxaram os custos para cima\u201d, diz. Segundo o \u00edndice de sua consultoria, a alta foi de 2,7% no m\u00eas passado em rela\u00e7\u00e3o a maio deste ano.<\/p>\n<p>\u201cEm rela\u00e7\u00e3o a junho de 2015, os custos de produ\u00e7\u00e3o subiram 28,4%\u201d, informa, projetando que tal tend\u00eancia pode ser freada com o in\u00edcio da colheita da segunda safra de milho, a qual dever\u00e1 diminuir, em parte, a press\u00e3o de alta sobre os pre\u00e7os do gr\u00e3o e, por consequ\u00eancia, dos custos da atividade leiteira. \u201cSomado a isso, as quedas no d\u00f3lar podem amenizar os aumentos dos insumos importados\u201d, cita.<\/p>\n<p>Os primeiros sinais dessa possibilidade foram dados em maio, quando, pela primeira vez desde outubro de 2015, os pre\u00e7os dos concentrados recuaram 0,7%, segundo estudo do Cepea. Tal grupo de alimentos \u00e9 composto principalmente de milho e farelo de soja e costuma representar cerca de 45% dos custos da atividade. O maior recuo aconteceu no Rio Grande do Sul, onde a baixa chegou a 2,6% a dois meses atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Sem absorver ainda esse impacto, os pre\u00e7os do leite no mercado spot continuam em alta. Valter Galan, analista do Milk-point Mercado, diz que a cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia no segmento, em junho, aumentou R$ 0,40 frente ao mesmo m\u00eas de 2015, fechando em R$ 1,89 o litro h\u00e1 duas semanas. \u201cUm dos principais motivos para isso \u00e9 a queda na oferta de leite, cerca de 6 a 7% de janeiro a maio deste ano em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado\u201d, diz.<\/p>\n<p>Complementando, observa que as importa\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o compensando o volume que est\u00e1 sendo perdido com o recuo da produ\u00e7\u00e3o. No plano do consumidor, Galan destaca que a oferta e o consumo de leite UHT t\u00eam se sustentado, apesar da crise econ\u00f4mica vivida pelo Pa\u00eds. \u201cO consumidor deixou de comprar queijo, iogurte, mas n\u00e3o leite\u201d, avalia. Segundo ele, o valor m\u00e9dio do litro de leite longa vida no atacado em junho era de R$ 3,31, uma alta de 56% sobre o pre\u00e7o de janeiro deste ano.<\/p>\n<p>Observa ainda que os aumentos registrados no atacado n\u00e3o est\u00e3o se refletindo no varejo. \u201cEnquanto de janeiro a maio, o longa vida subiu 36,6% no atacado, no varejo, a alta foi de 19,7%. S\u00e3o duas as raz\u00f5es para este cen\u00e1rio. As redes de varejo costumam usar o leite longa vida como item para atrair o consumidor, o que explicaria o repasse menor. Outra raz\u00e3o: pode haver o receio de que um repasse maior leve a uma retra\u00e7\u00e3o da demanda\u201d, descreve.<\/p>\n<p><strong>Crescem importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nSegundo dados do MDIC-Minist\u00e9rio de Desenvolvimento da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, as importa\u00e7\u00f5es brasileiras de l\u00e1cteos tiveram novo aumento em maio. \u201cO volume totalizou 25,78 mil t no m\u00eas. Em compara\u00e7\u00e3o com o embarcado em abril deste ano, a alta foi de 21,7%. Para os gastos, o aumento no per\u00edodo foi de 16,5%, totalizando US$ 62,43 milh\u00f5es\u201d, informa Rafael Ribeiro.<\/p>\n<p>O produto mais importado foi o leite em p\u00f3. O Pa\u00eds importou 19,45 mil t, num total de US$ 46,38 milh\u00f5es no m\u00eas de maio. Os maiores fornecedores de produtos l\u00e1cteos, em valor, foram Uruguai, com 66,7%; Argentina, com 22,5%, e Chile, com 4,7%. Comparando-se com igual per\u00edodo do ano passado, a importa\u00e7\u00e3o aumentou 60,6% em valor e 119,4% em volume.<\/p>\n<p>O mesmo MDIC informa tamb\u00e9m que as exporta\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos cresceram em maio, com o Pa\u00eds exportando US$ 10,46 milh\u00f5es. Em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, o faturamento aumentou 123,7%. O volume embarcado tamb\u00e9m teve aumento: passou de 2,53 mil t em abril passado para 3,20 mil t em maio. O produto mais exportado foi o leite em p\u00f3, que somou 2,52 mil toneladas e US$8,53 milh\u00f5es em faturamento.<\/p>\n<p>Os principais compradores dos produtos l\u00e1cteos brasileiros, em valor, foram: Venezuela (62,4%): Ar\u00e1bia Saudita (6,4%), e Emirados \u00c1rabes Unidos (5,7%). \u201cFrente ao mesmo per\u00edodo de 2015, tanto volume como faturamento reduziram 11,9% e 15,5%, respectivamente\u201d, informa Juliana Pila, analista da Scot Consultoria.<\/p>\n<p>Sobre o mercado internacional de l\u00e1cteos, ela informa que o m\u00eas passado transcorreu sem grandes altera\u00e7\u00f5es. \u201cNo leil\u00e3o da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado no dia 15 de junho, os produtos l\u00e1cteos terminaram cotados, em m\u00e9dia, em US$ 2,34 mil por t. Em rela\u00e7\u00e3o ao evento anterior, houve ligeira alta de 0,4% nos pre\u00e7os. J\u00e1 na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2015, o pre\u00e7o m\u00e9dio caiu 2,9%\u201d, cita.<\/p>\n<p>No caso do leite em p\u00f3, a cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia ficou em US$ 2,12 mil por t, queda de 4,0% frente ao leil\u00e3o da primeira quinzena do m\u00eas. Em rela\u00e7\u00e3o a junho do ano passado, o leite em p\u00f3 est\u00e1 custando 9% menos. Foram vendidas 23,09 mil t de produtos l\u00e1cteos neste leil\u00e3o, volume 4% abaixo do mesmo per\u00edodo de 2015. Segundo Juliana Pila, o mercado ainda n\u00e3o mostra sinais de recupera\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os dos l\u00e1cteos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Colaboraram nesta se\u00e7\u00e3o: Wagner Hiroshi (Cepea\/Esalq USP), Rafael Ribeiro (Scot Consultoria) e Valter Galan (Milkpoint).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A concorr\u00eancia no campo segue acirrada, influenciada pela forte demanda por parte das ind\u00fastrias de derivados l\u00e1cteos.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2089","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2089"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2089\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}