{"id":2227,"date":"2016-08-01T17:55:54","date_gmt":"2016-08-01T20:55:54","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=2227"},"modified":"2016-08-01T17:55:54","modified_gmt":"2016-08-01T20:55:54","slug":"leite-preco-ao-produtor-atinge-recorde-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-preco-ao-produtor-atinge-recorde-real\/","title":{"rendered":"Leite: pre\u00e7o ao produtor atinge recorde real"},"content":{"rendered":"<p><em>A baixa oferta de leite no campo segue impulsionando o valor ao produtor e tamb\u00e9m dos derivados no atacado<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Em julho, o valor m\u00e9dio bruto pago ao produtor (que inclui frete e impostos) foi de R$ 1,4994\/litro, alta expressiva 12,9% em rela\u00e7\u00e3o a junho\/16 e de 30,7% frente a julho\/15, segundo pesquisas do Cepea-Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada, da Esalq\/USP. Esta \u00e9 a maior m\u00e9dia real da s\u00e9rie do Cepea, iniciada em 2000 (valores foram atualizados pelo IPCA). O valor atingido em julho surpreendeu agentes do mercado leiteiro, visto que ultrapassou os hist\u00f3ricos patamares elevados verificados em 2013, ano de demanda aquecida. Estas m\u00e9dias s\u00e3o ponderadas pelo volume captado nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA.<\/p>\n<p>O forte aumento nos pre\u00e7os ao produtor em julho foi verificado mesmo com o ligeiro aumento da capta\u00e7\u00e3o pelas ind\u00fastrias em junho. De acordo com o \u00cdndice de Capta\u00e7\u00e3o de Leite do Cepea (ICAP-L\/Cepea), o volume comprado pelos latic\u00ednios cresceu 1,42% em junho, sendo impulsionado especialmente pela produ\u00e7\u00e3o do Sul do Brasil.<\/p>\n<p>Nessa regi\u00e3o, produtores forneceram, em m\u00e9dia, 5,9% a mais de leite no comparativo com o m\u00eas anterior. Este avan\u00e7o na produ\u00e7\u00e3o se deve \u00e0s forragens de inverno. Mesmo com as geadas que prejudicaram algumas bacias leiteiras, as forragens conseguiram dar suporte para a alimenta\u00e7\u00e3o dos animais neste per\u00edodo de altos custos dos concentrados.<\/p>\n<p>Para agosto, a expectativa de representantes de latic\u00ednios\/cooperativas consultados pelo Cepea \u00e9 novamente de alta nos pre\u00e7os, devido \u00e0 baixa disponibilidade de mat\u00e9ria-prima. Entre os entrevistados, 89,1%, que representam 98,5% do volume amostrado, acreditam em nova alta nos pre\u00e7os do leite em agosto, enquanto o restante (10,9% que correspondem 1,5% do volume) acredita em estabilidade nas cota\u00e7\u00f5es. Nenhum dos colaboradores consultados estima queda de pre\u00e7os para o pr\u00f3ximo m\u00eas.<\/p>\n<p>No segmento de derivados, o leite UHT no mercado atacadista do estado de S\u00e3o Paulo seguiu em alta, com a m\u00e9dia a R$ 4,0003\/litro em julho, novo patamar recorde \u2013 no ano, a eleva\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 de expressivos 73,2%. Na \u00faltima semana de julho, no entanto, esse derivado se desvalorizou 6,4%, indicando que o pre\u00e7o do UHT j\u00e1 teria atingido um pico e que a m\u00e9dia de agosto pode se enfraquecer. O queijo mussarela registrou forte alta mensal de 17,3% (ou de 3,16 reais\/kg), a R$ 21,47\/kg em julho \u2013 tamb\u00e9m novo recorde da s\u00e9rie do Cepea.<\/p>\n<p>Grande parte dos atacadistas consultados pelo Cepea alega que o pre\u00e7o do UHT j\u00e1 teria atingido um limite de aceite por parte do consumidor final. A oferta de mat\u00e9ria-prima, no entanto, est\u00e1 limitada, obrigando ind\u00fastrias a reduzirem os valores do derivado mais consumido no Pa\u00eds e repassar o aumento a outros produtos de menor liquidez.<\/p>\n<p><strong>Conseleites confirmam aumentos<\/strong><br \/>\nEm Santa Catarina, Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul, os respectivos Conseleite (Conselho Parit\u00e1rio Produtor\/Ind\u00fastria de Leite) confirmaram o aumento apontado pelo Cepea para o pagamento do leite ao produtor em julho. A raz\u00e3o est\u00e1 mesmo atrelada a acentuada escassez do produto no mercado brasileiro. Refletindo essa situa\u00e7\u00e3o altista, o \u00f3rg\u00e3o catarinense anunciou, no dia 21 de julho, um reajuste de 16% nos valores de refer\u00eancia, o que significa aumento de R$ 0,19 a R$ 0,24 sobre os pre\u00e7os de junho.<\/p>\n<p>\u201cA baixa oferta de leite nos latic\u00ednios ainda \u00e9 resultado das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que afetaram diretamente o mercado de l\u00e1cteos. O excesso de chuvas no Sul do Brasil e a seca no Centro-oeste reduziram a oferta de leite no mercado interno, for\u00e7ando os pre\u00e7os para cima. Trata-se de um cen\u00e1rio que deve se manter nos pr\u00f3ximos meses, confirmando o vi\u00e9s de volta\u201d, justifica o vice-presidente do Conseleite-SC, Adelar Maximiliano Zimmer.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, o pre\u00e7o do leite padr\u00e3o ao consumidor apresentou aumento de 11,15% em julho. Dados divulgados pelo Conseleite daquele estado indicam que o valor projetado para o litro deve ficar em R$ 1,3170. Nos \u00faltimos tr\u00eas meses (maio-julho), o aumento chega a 27,30%. Segundo o professor da Universidade de Passo Fundo, Eduardo Belis\u00e1rio Finamore, o valor projetado para julho \u00e9 o maior j\u00e1 verificado no hist\u00f3rico do Conseleite.<\/p>\n<p>\u201cOs pre\u00e7os al\u00e7aram voo no Rio Grande do Sul, principalmente no leite UHT e leite pasteurizado\u201d, pontuou. No ano (janeiro-julho), o valor de refer\u00eancia do leite UHT subiu 83,41% (julho, R$ 1,48\/litro), seguindo pelo pasteurizado, com alta 55,03% (julho, R$ 1,45\/litro) e do leite em p\u00f3, com 17,92% (julho, R$ 1,041). \u201cDepois de dois anos com pre\u00e7os congelados, 2016 sinaliza ser um ano de boa remunera\u00e7\u00e3o para quem produz\u201d, acrescentou Finamore.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Conseleite-PR, apontou que o pre\u00e7o m\u00e9dio final do leite ao produtor em junho chegou a R$ 1,2539, estabelecendo tamb\u00e9m um novo recorde no valor nominal no Paran\u00e1. A hist\u00f3rica margem que varia entre \u00b12% entre a proje\u00e7\u00e3o do Conseleite e a apura\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os foi rompida, chegando a 6,66%. Tamb\u00e9m atinge o recorde de 43,45% quando se faz a compara\u00e7\u00e3o entre junho de 2016 e junho de 2015.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o do leite pasteurizado em julho chega a R$ 2,7076, sendo 58,265% superior ao pre\u00e7o no mesmo m\u00eas de 2015. Outro dado que foge ao comportamento hist\u00f3rico no m\u00eas de julho \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do produtor no pre\u00e7o final do leite pasteurizado. Ultrapassa os n\u00edveis de mar\u00e7o abril e maio, em torno de 55%, e atinge 59,2%. A queda na produ\u00e7\u00e3o e os custos elevados no campo, de um lado, acirram a concorr\u00eancia pela mat\u00e9ria-prima e pressionam o pagamento do leite ao produtor.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/08\/tabela1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2228\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/08\/tabela1.jpg\" alt=\"tabela1\" width=\"690\" height=\"365\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Leite spot chega a R$ 2,20<\/strong><br \/>\nOs pre\u00e7os do leite spot, ou seja, o leite comercializado entre as ind\u00fastrias, mantiveram tend\u00eancia de alta no m\u00eas de julho. Em S\u00e3o Paulo, o pre\u00e7o m\u00e9dio ficou em R$ 2,10 por litro na primeira metade do m\u00eas, um aumento de 14,3% em rela\u00e7\u00e3o ao final de junho. Em Minas Gerais, a alta foi de 13,3% neste per\u00edodo. O produto ficou cotado, em m\u00e9dia, em R$ 2,08 por litro. Os valores m\u00e1ximos chegaram a R$ 2,20 por litro no Sudeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A queda na produ\u00e7\u00e3o de leite este ano aumentou a concorr\u00eancia entre os latic\u00ednios pela mat\u00e9ria-prima. Segundo o \u00cdndice Scot Consultoria de Capta\u00e7\u00e3o, na m\u00e9dia nacional, a produ\u00e7\u00e3o caiu 2,6% em junho deste ano, em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo do ano passado. \u201cEm curto prazo espera-se aumento da produ\u00e7\u00e3o no Sul do pa\u00eds e em Minas Gerais, mas os incrementos dever\u00e3o ser mais comedidos este ano, em fun\u00e7\u00e3o dos menores investimentos por parte do produtor\u201d, avalia Rafael Ribeiro, analista de mercado da citada consultoria.<\/p>\n<p>Ele anuncia tamb\u00e9m um al\u00edvio para o bolso do produtor de leite. \u201cDepois de um ano de alta, os custos de produ\u00e7\u00e3o da atividade tiveram queda em julho, em rela\u00e7\u00e3o a junho deste ano\u201d, relata, informando que o \u00cdndice Scot Consultoria de Custo de Produ\u00e7\u00e3o apontou recuo de 1,6%, na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior. Por\u00e9m, em um ano, os custos da pecu\u00e1ria leiteira acumulam alta de 24,3%. Ou seja, mesmo com a alta do pre\u00e7o do leite pago ao produtor, de 16,6% em um ano, as margens continuam estreitas.<\/p>\n<p>Completando, Ribeiro observa que a importa\u00e7\u00e3o de l\u00e1cteos teve ligeiro recuo em junho, por\u00e9m aumentou no balan\u00e7o do primeiro semestre. \u201cO volume totalizou 25,19 mil t no m\u00eas. Na compara\u00e7\u00e3o com o embarcado em maio deste ano, a queda foi de 2,3%. Para os gastos, a redu\u00e7\u00e3o no per\u00edodo foi de 0,8%, totalizando US$ 61,90 milh\u00f5es\u201d, cita. O produto mais importado foi o leite em p\u00f3. O pa\u00eds importou 17,35 mil t, num total de US$ 42,10 milh\u00f5es no m\u00eas de junho.<\/p>\n<p>Os maiores fornecedores de produtos l\u00e1cteos, em valor, foram o Uruguai, com 64,2%, a Argentina com 23,1% e a Nova Zel\u00e2ndia, com 4,0%. \u201cApesar da queda mensal, na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo do ano passado, a importa\u00e7\u00e3o aumentou 59,0% em valor e 101,5% em volume\u201d, destaca ele. No acumulado do primeiro semestre deste ano, houve aumento de 60,8% no volume importado, comparado com igual per\u00edodo de 2015, totalizando 104,91 mil t de l\u00e1cteos.<\/p>\n<p>\u201cOs pre\u00e7os mais baixos no mercado internacional aumentaram a competitividade do produto importado, mesmo com o d\u00f3lar valorizado frente ao real. Junto a isso, a menor disponibilidade interna, com a queda na produ\u00e7\u00e3o de leite e derivados, incentivaram as compras fora do pa\u00eds\u201d, conta, observando que as importa\u00e7\u00f5es em alta geram uma preocupa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os no mercado interno, caso persistam no segundo semestre, quando a produ\u00e7\u00e3o interna retoma com mais for\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Colaboraram nesta se\u00e7\u00e3o: Wagner Hiroshi (Cepea\/Esalq-USP), Rafael Ribeiro (Scot Consultoria) e Carolina Jardine (Sindilat RS)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A baixa oferta de leite no campo segue impulsionando o valor ao produtor e tamb\u00e9m dos derivados no atacado<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2227","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2227","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2227"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2227\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2227"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2227"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2227"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}