{"id":25439,"date":"2024-02-06T11:21:15","date_gmt":"2024-02-06T14:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br\/?p=25439"},"modified":"2024-02-06T11:21:15","modified_gmt":"2024-02-06T14:21:15","slug":"embrapa-cria-plataforma-com-metricas-de-carbono-adaptadas-as-condicoes-tropicais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/embrapa-cria-plataforma-com-metricas-de-carbono-adaptadas-as-condicoes-tropicais\/","title":{"rendered":"Embrapa cria plataforma com m\u00e9tricas de carbono adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es tropicais"},"content":{"rendered":"<p>Mais de 50 especialistas de v\u00e1rias Unidades da Embrapa v\u00e3o reunir suas expertises para a cria\u00e7\u00e3o de uma plataforma com dados, funcionalidades e m\u00e9tricas sobre balan\u00e7o de carbono adaptados aos sistemas agr\u00edcolas brasileiros. A iniciativa, conduzida pelo portf\u00f3lio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/portfolio\/mudanca-climatica\">Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica<\/a>, est\u00e1 sendo impulsionada por um aporte financeiro de R$ 20,3 milh\u00f5es, oriundo de uma emenda parlamentar. O desafio dos cientistas \u00e9 grandioso: definir, pela primeira vez, par\u00e2metros padronizados de mensura\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o de carbono adaptados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de clima tropical.<\/p>\n<p>Esses indicadores t\u00eam que ser compat\u00edveis com os princ\u00edpios de Transpar\u00eancia, Precis\u00e3o, Completude, Comparabilidade, Consist\u00eancia (TACCC) adotados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) e pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas para o desenvolvimento de Invent\u00e1rios Nacionais de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (Invent\u00e1rio Nacional).<\/p>\n<p>Segundo o presidente do Portf\u00f3lio, o pesquisador Giampaolo Pellegrino, da Embrapa Agricultura Digital, o desenvolvimento de m\u00e9tricas de balan\u00e7o de carbono e adapta\u00e7\u00e3o da agropecu\u00e1ria brasileira atende a uma forte demanda internacional por rastreabilidade nas emiss\u00f5es, ao mesmo tempo em que garante a sustentabilidade da agricultura brasileira, que precisa oferecer respostas embasadas em m\u00e9tricas padronizadas e reconhecidas globalmente. \u201cO projeto prev\u00ea o investimento em qualifica\u00e7\u00e3o de infraestrutura e a forma\u00e7\u00e3o de uma rede de coopera\u00e7\u00e3o em PD&amp;I, que nos possibilite elaborar m\u00e9todos de medi\u00e7\u00e3o adequados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es e ao modelo de produ\u00e7\u00e3o nacional, a exemplo do que j\u00e1 acontece nos Estados Unidos e em outros pa\u00edses desenvolvidos\u201d, observa Pellegrino.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que os resultados alcan\u00e7ados contribuam para fortalecer a imagem do Pa\u00eds, aumentando a competitividade do setor agr\u00edcola e seu impacto comercial nos mercados nacional e internacional. De acordo com o Sistema de Estimativas de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observat\u00f3rio do Clima, a agropecu\u00e1ria, mesmo que sob bases sustent\u00e1veis, \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 25% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa do Brasil.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 premente que o Pa\u00eds invista na constru\u00e7\u00e3o de um modelo tropical robusto e preciso para mensurar a emiss\u00e3o de GEEs, como explica o pesquisador da Assessoria de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (Arin) Gustavo Mozzer, que tamb\u00e9m faz parte do portf\u00f3lio Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica. Ele explica que essa necessidade se tornou ainda mais urgente ap\u00f3s o Acordo de Paris. No documento, resultante da 21\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP21), os 195 pa\u00edses estabeleceram suas Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em ingl\u00eas). O Brasil se comprometeu a reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em 48.4%% at\u00e9 2025, e em 53.1% at\u00e9 2030, al\u00e9m de estabelecer um objetivo de longo prazo de neutralidade clim\u00e1tica at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>O Acordo de Paris exige ainda que o Pa\u00eds passe a reportar a forma de implementa\u00e7\u00e3o da sua estrat\u00e9gia dom\u00e9stica no Invent\u00e1rio Nacional, de responsabilidade do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI). \u201cOs dados que ser\u00e3o produzidos pelo esfor\u00e7o de tropicaliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas de carbono ser\u00e3o estrat\u00e9gicos para a evolu\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos utilizados atualmente para estimativa das emiss\u00f5es, na dire\u00e7\u00e3o da implanta\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos tropicais\u201d, complementa Mozzer.<\/p>\n<p>Para a presidente Silvia Massruh\u00e1, que participou ativamente da aprova\u00e7\u00e3o dessa emenda, o projeto \u00e9 um passo determinante para garantir o cumprimento das metas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris. Al\u00e9m da NDC, contribuir\u00e1 tamb\u00e9m para o relato e verifica\u00e7\u00e3o do Relat\u00f3rio Bienal de Transpar\u00eancia (BTR) e para o Invent\u00e1rio Nacional. \u201cTrata-se de um processo com necessidade cont\u00ednua de aperfei\u00e7oamento a partir da integra\u00e7\u00e3o dos muitos esfor\u00e7os e conhecimentos que a Embrapa possui no tema e o recurso \u00e9 um passo fundamental nessa agenda, que \u00e9 absolutamente priorit\u00e1ria em nossa gest\u00e3o na Empresa\u201d, observa Massruh\u00e1, lembrando que a Diretoria-Executiva da Embrapa continuar\u00e1 a buscar recursos para garantir a continuidade das a\u00e7\u00f5es de PD&amp;I.<\/p>\n<p>O diretor de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o, Clenio Pillon, destaca que essa iniciativa em rede, que re\u00fane diferentes expertises para o alcance de resultados dentro de um grande tema de atua\u00e7\u00e3o vai ao encontro dos objetivos da atual gest\u00e3o de PD&amp;I da Embrapa, que preconiza a integra\u00e7\u00e3o e o compartilhamento de conhecimentos entre as UDs. \u201c\u00c9 uma a\u00e7\u00e3o estruturante, que vai muito al\u00e9m da Empresa, e prev\u00ea a forma\u00e7\u00e3o de uma rede de coopera\u00e7\u00e3o institucional voltada ao desenvolvimento de um plano de monitoramento e gest\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o sobre balan\u00e7o de carbono, sustentabilidade e competitividade da agricultura nacional, diante do cen\u00e1rio global, abrangendo todas as regi\u00f5es brasileiras\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Governan\u00e7a corporativa a longo prazo visa alcan\u00e7ar o Tier 3<\/strong><\/h3>\n<p>Pellegrino explica que para o \u00eaxito das a\u00e7\u00f5es de din\u00e2mica do carbono e adapta\u00e7\u00e3o na agricultura brasileira, \u00e9 fundamental contar com uma rede de especialistas, integrando conhecimentos n\u00e3o apenas na \u00e1rea de PD&amp;I, mas tamb\u00e9m de comunica\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo ele, trata-se de um projeto de governan\u00e7a corporativa de longo prazo que pretende mudar a forma de mensura\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono no Pa\u00eds. Hoje, assim como a maior parte das na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, o Brasil utiliza um repert\u00f3rio de m\u00e9todos baseados no Tier 1 e Tier 2, que s\u00e3o modelos-padr\u00e3o e modelos gerais baseados em dados de atividade e fatores de emiss\u00f5es nacionais, seguindo as normas para elabora\u00e7\u00e3o dos Invent\u00e1rios do IPCC. \u201cNosso objetivo \u00e9 caminhar para o Tier 3,, no qual o Pa\u00eds utiliza modelos matem\u00e1ticos desenvolvidos nacionalmente de forma a representar mais adequadamente as emiss\u00f5es de GEE dos nossos sistemas de produ\u00e7\u00e3o.. Mas, para isso, \u00e9 necess\u00e1rio o desenvolvimento de arcabou\u00e7os para aquisi\u00e7\u00e3o continua de dados nacionais que caracterizem os sistemas de produ\u00e7\u00e3o t\u00edpicos das diversas regi\u00f5es do Pais. Trata-se de um processo de constru\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas de estrat\u00e9gias que subsidiar\u00e3o debates com a comunidade cient\u00edfica e a academia para assegurar o reconhecimento e aceita\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo brasileiro e sua compatibilidade com as normas internacionalmente aceitas para o Invent\u00e1rio Nacional\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Pellegrino e Mozzer lembram que a Embrapa tem mais de 15 anos de experi\u00eancia em pesquisas para medir emiss\u00f5es de carbono. Esse aporte financeiro inicial, associado \u00e0s novas diretrizes e prioridades estabelecidas pela Diretoria-Executiva, representa um avan\u00e7o para a iniciativa. Somam-se a isso o amadurecimento no papel das redes de pesquisa no ambiente corporativo e a integra\u00e7\u00e3o dos dados, conhecimentos e informa\u00e7\u00f5es por elas gerados.<\/p>\n<p>Eles citam tr\u00eas grandes projetos do passado, cujos resultados contribuem para a iniciativa atual: o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-projetos\/-\/projeto\/216114\/projeto-saltus---dinamica-de-gases-de-efeito-estufa-e-dos-estoques-de-carbono-em-florestas-naturais-e-plantadas-praticas-silviculturais-para-mitigacao-e-adaptacao-as-mudancas-climaticas\">Saltus<\/a>\u00a0(florestas), a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/agricultura-digital\/relatorio-destaques-2015-2016\/pesquisa-e-desenvolvimento\/destaques\/rede-pecus\">Rede Pecus<\/a>\u00a0(pecu\u00e1ria) e o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-projetos\/-\/projeto\/203075\/fluxus-socioeconomia-gees-graos---avaliacao-economica-de-tecnologias-e-politicas-para-mitigacao-das-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-em-sistemas-de-producao-de-graos-em-biomas-brasileiros\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fluxus \u00a0Socioeconomia<\/a>\u00a0(gr\u00e3os).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h3><strong>Projeto envolve sete eixos estruturantes<\/strong><\/h3>\n<p>O projeto envolve a\u00e7\u00f5es estruturantes em sete eixos, considerando a complexidade do tema e o desafio de oferecer solu\u00e7\u00f5es a diferentes sistemas produtivos. S\u00e3o eles:<\/p>\n<p>1. Desenvolvimento de plataforma virtual contendo bases de dados, funcionalidades e m\u00e9tricas sobre o balan\u00e7o de carbono em sistemas agr\u00edcolas;<\/p>\n<p>2. Qualifica\u00e7\u00e3o de infraestrutura de pesquisa para o desenvolvimento de protocolos e representa\u00e7\u00f5es do balan\u00e7o de carbono dos principais sistemas agr\u00edcolas nacionais;<\/p>\n<p>3. Qualifica\u00e7\u00e3o de infraestrutura para o aprimoramento de t\u00e9cnicas alternativas, mais acess\u00edveis e escalon\u00e1veis voltada \u00e0 coleta de dados de campo;<\/p>\n<p>4. Qualifica\u00e7\u00e3o de infraestrutura de pesquisa para a constru\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas e modelos do balan\u00e7o de carbono adequados \u00e0s realidades nacionais;<\/p>\n<p>5. Qualifica\u00e7\u00e3o de infraestrutura para o monitoramento de risco, adapta\u00e7\u00e3o e sustentabilidade da agricultura nacional;<\/p>\n<p>6. Desenvolvimento de plano de monitoramento e manuten\u00e7\u00e3o da infraestrutura a m\u00e9dio e longo prazos;<\/p>\n<p>7. Forma\u00e7\u00e3o de redes de coopera\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de tecnologias.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h3><strong>Ci\u00eancia e Parlamento: uni\u00e3o de sucesso<\/strong><\/h3>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da emenda contou com recursos de tr\u00eas comiss\u00f5es. A maior parte deles \u00e9 oriunda da Comiss\u00e3o de Agricultura e Reforma Agr\u00e1ria (CRA) do Senado Federal (R$ 20.100.000,00). Os outros 200 mil vieram da Comiss\u00e3o Mista de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (CMMC), do Congresso Nacional, e da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente (CCMA) do Senado, sendo 100 mil de cada uma.<\/p>\n<p>Mas, como explica a chefe da Assessoria de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais e Governamentais (Arig), Cynthia Cury, esse \u00e9 um resultado relevante da articula\u00e7\u00e3o direta e intensa entre a Diretoria-Executiva da Embrapa e os gestores de Unidades com Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria (FPA), iniciada em setembro de 2023, quando o or\u00e7amento da Embrapa para 2024 estava para ser votado.<\/p>\n<p>Segundo ela, o contexto \u00e0 \u00e9poca estava extremamente prop\u00edcio para o tema. Al\u00e9m da discuss\u00e3o do Projeto de Lei sobre Mercado de Carbono no Congresso Nacional, foi criada tamb\u00e9m a C\u00e2mara Tem\u00e1tica do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa), a AgroCarbono Sustent\u00e1vel, com o objetivo de reunir os setores p\u00fablico e privado para alavancar o debate sobre pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam a sustentabilidade do agroneg\u00f3cio brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cPortanto, muito mais do que o aporte financeiro de mais de R$ 20 milh\u00f5es, podemos comemorar o que esse projeto representa para a Embrapa e para o Brasil, considerando os impactos positivos para a imagem do agro nacional em n\u00edvel global\u201d, defende a chefe da Arig. Vale destacar tamb\u00e9m que os resultados alcan\u00e7ados v\u00e3o subsidiar tecnicamente pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas ao balan\u00e7o de carbono na agropecu\u00e1ria brasileira.<\/p>\n<p>Felipe Cardoso, supervisor de Relacionamento com o Poder Legislativo da Arig, tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia de valorizar o di\u00e1logo da Embrapa com parlamentares. De acordo em ele, as emendas v\u00eam contribuindo para as pesquisas da Embrapa h\u00e1 muitos anos. \u201cMas dessa vez h\u00e1 ainda mais motivos para celebrarmos, uma vez que os recursos n\u00e3o beneficiam apenas uma Unidade, mas v\u00e1rias, integradas em um grande tema, que perpassa todas as cadeias produtivas. Essa sinergia em uma \u00e1rea t\u00e3o estrat\u00e9gica para o Pa\u00eds reflete e consolida a import\u00e2ncia da uni\u00e3o entre a sociedade civil, a ci\u00eancia e os poderes Executivo e Legislativo\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 50 especialistas de v\u00e1rias Unidades da Embrapa v\u00e3o reunir suas expertises para a cria\u00e7\u00e3o de uma plataforma com dados, funcionalidades e m\u00e9tricas sobre balan\u00e7o de carbono adaptados aos sistemas agr\u00edcolas brasileiros. A iniciativa, conduzida pelo portf\u00f3lio\u00a0Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, est\u00e1 sendo impulsionada por um aporte financeiro de R$ 20,3 milh\u00f5es, oriundo de uma emenda parlamentar. 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