{"id":25976,"date":"2024-04-03T11:43:57","date_gmt":"2024-04-03T14:43:57","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br\/?p=25976"},"modified":"2024-04-03T11:43:57","modified_gmt":"2024-04-03T14:43:57","slug":"tripanossomose-x-tristeza-parasitaria-bovina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/tripanossomose-x-tristeza-parasitaria-bovina\/","title":{"rendered":"Tripanossomose x Tristeza Parasit\u00e1ria bovina"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em><strong>Diagn\u00f3stico diferencial entre as doen\u00e7as \u00e9 indispens\u00e1vel para implementa\u00e7\u00e3o do tratamento adequado no rebanho<\/strong><\/em><\/span><\/h3>\n<p>As hemoparasitoses representam um desafio significativo para a pecu\u00e1ria bovina em todo o mundo, afetando a sa\u00fade do rebanho e causando preju\u00edzos econ\u00f4micos consider\u00e1veis.<\/p>\n<p>Entre as enfermidades causadas por hemoparasitas, a tripanossomose e a tristeza parasit\u00e1ria bovina se destacam. Os agentes causadores dessas enfermidades s\u00e3o distintos. A tristeza parasit\u00e1ria bovina, \u00e9 classicamente causada por protozo\u00e1rios intracelulares do g\u00eanero\u00a0<em>Babesia<\/em>\u00a0(<em>B. bigemina<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Babesia bovis<\/em>) e por bact\u00e9rias do g\u00eanero\u00a0<em>Anaplasma<\/em>\u00a0(<em>A. marginale<\/em>, \u00e9 a mais importante em nosso meio, tamb\u00e9m intracelular). J\u00e1 a tripanossomose bovina tem como agente, o protozo\u00e1rio extracelular\u00a0<em>Trypanosoma vivax<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cA tripanossomose tem se mostrado um obst\u00e1culo crescente no rebanho bovino brasileiro, com casos relatados tanto no gado leiteiro, como no de corte. Com os sintomas pouco espec\u00edficos, a doen\u00e7a pode passar despercebida pelos pecuaristas e ser respons\u00e1vel por in\u00fameros preju\u00edzos. Al\u00e9m da forma aguda (cl\u00ednica), em que os sinais de doen\u00e7a s\u00e3o evidentes, a tripanossomose tamb\u00e9m pode se apresentar de forma subcl\u00ednica e at\u00e9 mesmo cr\u00f4nica\u201d, explica Rafael Queiroz, m\u00e9dico veterin\u00e1rio gerente de produtos da Linha Leite da\u00a0<span class=\"il\">Ceva<\/span>\u00a0Sa\u00fade Animal.<\/p>\n<p>Os sintomas da manifesta\u00e7\u00e3o cl\u00ednica s\u00e3o mais intensos e podem evoluir para o \u00f3bito do animal, sendo um alerta importante a redu\u00e7\u00e3o do apetite sem motivo aparente e r\u00e1pida perda de peso, febre intermitente, depress\u00e3o, anemia intensa, saliva\u00e7\u00e3o excessiva, diminui\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o leiteira, aumento dos linfonodos (\u201c\u00ednguas\u201d), incoordena\u00e7\u00e3o motora, diarreia, aumento das frequ\u00eancias card\u00edaca e respirat\u00f3ria, cegueira e dificuldade respirat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Quando a tripanossomose se apresenta na forma subcl\u00ednica, os sintomas s\u00e3o pouco espec\u00edficos, por\u00e9m geram um grande impacto na produtividade da fazenda, como o atraso no desenvolvimento corporal, redu\u00e7\u00e3o nos \u00edndices reprodutivos (anestro, reabsor\u00e7\u00e3o embrion\u00e1ria precoce, queda na produ\u00e7\u00e3o leiteira, aumento da ocorr\u00eancia de outras enfermidades (comorbidades) at\u00e9 ent\u00e3o controladas.<\/p>\n<p>Na Tristeza parasit\u00e1ria, os sinais cl\u00ednicos s\u00e3o muito semelhantes aos da tripanosomose bovina, sendo o diagn\u00f3stico diferencial fundamental para a introdu\u00e7\u00e3o do tratamento e de programas de controle.<\/p>\n<p>Assim, a n\u00edvel de campo, o diagn\u00f3stico diferencial entre as doen\u00e7as \u00e9 um desafio, pois ambas compartilham caracter\u00edsticas que as tornam dif\u00edceis de distinguir apenas com base nos sinais cl\u00ednicos. Ainda \u00e9 importante no estabelecimento do diagn\u00f3stico uma avalia\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica realizada pelo m\u00e9dico veterin\u00e1rio, onde o mesmo far\u00e1 um estudo das condi\u00e7\u00f5es que ir\u00e3o favorecer a cada uma das doen\u00e7as como: presen\u00e7a de vetores (transmissores) espec\u00edficos, emprego de material compartilhado em aplica\u00e7\u00f5es injet\u00e1veis, hist\u00f3rico de entrada recente de animais no rebanho ou proximidade de outras propriedades com grande rotatividade de animais, presen\u00e7a de reservat\u00f3rios silvestres ou dom\u00e9sticos que possam albergar os parasitas, dentre outros fatores. Tamb\u00e9m \u00e9 importante mencionar que os animais podem estar expostos a mais de um desses hemoparasitos, agravando ainda mais a situa\u00e7\u00e3o. \u00a0\u201cEm muitas regi\u00f5es, as \u00e1reas de endemia para essas doen\u00e7as se sobrep\u00f5em, o que significa que os produtores podem lidar com ambas as enfermidades ao mesmo tempo. Isso contribui para a demora no reconhecimento do desafio presente no rebanho e aumenta substancialmente os impactos produtivos\u201d, detalha Rafael<\/p>\n<p>Apesar das similaridades existentes \u00e9 importante esclarecer que as formas de contamina\u00e7\u00e3o mais comuns e o tratamento destes pat\u00f3genos podem ser diferentes.<\/p>\n<p>No caso da tripanossomose, as principais fontes de transmiss\u00e3o incluem, principalmente, e a reutiliza\u00e7\u00e3o de materiais que possam entrar em contato com o sangue de animais portadores e posteriormente utilizados em outros animais, como agulhas para aplica\u00e7\u00e3o de medicamentos ou vacinas, bisturis, canivetes, luvas de palpa\u00e7\u00e3o retal e, picada de moscas hemat\u00f3fagas (mutucas, moscas dos est\u00e1bulos e moscas dos chifres). Tamb\u00e9m pode haver a transmiss\u00e3o transplacent\u00e1ria, culminando com perdas de gesta\u00e7\u00e3o ou nascimento de crias fracas que morrem logo a seguir.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso de contamina\u00e7\u00e3o por\u00a0<em>Babesia<\/em>\u00a0spp<em>.<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Anaplasma marginale<\/em>, o carrapato \u00e9 o principal agente transmissor. Entretanto o uso de materiais compartilhados sem os devidos cuidados al\u00e9m da presen\u00e7a de moscas hemat\u00f3fagas tamb\u00e9m pode ser importante. Ambas tamb\u00e9m podem ser transmitidas de forma transplacent\u00e1ria, e esse fator deve ser levado em conta durante a implementa\u00e7\u00e3o de programas de controle dessas enfermidades.<\/p>\n<p>\u201cEmbora ambas afetem os gl\u00f3bulos vermelhos dos bovinos e compartilhem sintomas semelhantes, o tratamento e manejo dessas doen\u00e7as s\u00e3o distintos. Portanto, a identifica\u00e7\u00e3o correta do agente etiol\u00f3gico \u00e9 fundamental para um diagn\u00f3stico preciso e para garantir um tratamento eficaz e reduzir os impactos negativos na sa\u00fade e na produ\u00e7\u00e3o dos bovinos\u201d, esclarece Rafael.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de exames laboratoriais \u00e9 imprescind\u00edvel para confirmar o tipo de microrganismo respons\u00e1vel pela sintomatologia apresentada pelo rebanho. Para o diagn\u00f3stico da tripanossomose podem ser empregados m\u00e9todos sorol\u00f3gicos (RIFI ou Rea\u00e7\u00e3o de Imunofluoresc\u00eancia Incompleta; ELISA; Imunocromatografia tamb\u00e9m denominado Teste R\u00e1pido). H\u00e1 tamb\u00e9m m\u00e9todos moleculares (PCR). O diagn\u00f3stico direto atrav\u00e9s da detec\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o dos parasitos em amostras sangu\u00edneas s\u00e3o os de \u201cpadr\u00e3o ouro\u201d. Entretanto nos casos da tripanosomose (esfrega\u00e7os sangu\u00edneos corados, Teste do Microhemat\u00f3crito o de Woo, an\u00e1lise de gota espessa, por exemplo) podem levar a erros quando os parasitos n\u00e3o s\u00e3o visualizados uma vez que estes testes diretos possuem baixa sensibilidade (capacidade de detectar animais parasitados), pois \u00a0necessitam de um n\u00famero enorme de parasitos circulantes no momento da coleta das amostras. Este momento tem uma janela curta ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico diferencial preciso entre a tristeza parasit\u00e1ria e a tripanossomose \u00e9 indispens\u00e1vel por v\u00e1rias raz\u00f5es. Cada doen\u00e7a requer um tratamento espec\u00edfico, e o tratamento incorreto pode n\u00e3o ser eficaz, e as medidas de controle n\u00e3o serem aplicadas convenientemente. A demora na identifica\u00e7\u00e3o e, consequentemente na ado\u00e7\u00e3o do tratamento adequado pode resultar em perdas econ\u00f4micas significativas para produtores, incluindo a perda de animais, diminui\u00e7\u00e3o da produtividade e custos adicionais com tratamentos desnecess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Fonte: Ceva Sa\u00fade Animal<\/p>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diagn\u00f3stico diferencial entre as doen\u00e7as \u00e9 indispens\u00e1vel para implementa\u00e7\u00e3o do tratamento adequado no rebanho As hemoparasitoses representam um desafio significativo para a pecu\u00e1ria bovina em todo o mundo, afetando a sa\u00fade do rebanho e causando preju\u00edzos econ\u00f4micos consider\u00e1veis. Entre as enfermidades causadas por hemoparasitas, a tripanossomose e a tristeza parasit\u00e1ria bovina se destacam. 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