{"id":2658,"date":"2016-09-23T08:53:38","date_gmt":"2016-09-23T11:53:38","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=2658"},"modified":"2016-09-23T08:53:38","modified_gmt":"2016-09-23T11:53:38","slug":"composicao-do-leite-o-que-define-nutricao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/composicao-do-leite-o-que-define-nutricao\/","title":{"rendered":"Composi\u00e7\u00e3o do leite: o que define a nutri\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Ao estabelecer a dieta a ser fornecida ao rebanho, o produtor define a receita que indicar\u00e1 os \u00edndices de s\u00f3lidos do leite produzido<\/em><strong> \u00a0\u00a0<\/strong><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Li\u00e9ber Garcia<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Para que o alimento leite tenha seu devido valor, devemos avaliar tanto a sua composi\u00e7\u00e3o nutricional (prote\u00edna, gordura, minerais) quanto a sua composi\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria (contagem de c\u00e9lulas som\u00e1ticas-CCS, contagem bacteriana total-CBT, presen\u00e7a de \u00e1gua ou outros compostos qu\u00edmicos adicionados propositalmente), pois, essa composi\u00e7\u00e3o poder\u00e1 interferir no rendimento dos produtos l\u00e1cteos nas ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>Focaremos na composi\u00e7\u00e3o nutricional, sendo que o manejo nutricional influi diretamente na maior ou menor composi\u00e7\u00e3o de nutrientes no leite produzido pela vaca. A composi\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do leite bovino cont\u00e9m 87,6% de \u00e1gua e 12,4 de s\u00f3lidos totais. Destes, a gordura representa 3,5%; a prote\u00edna, 3,1%, lactose, 5,2% e minerais, 0,6%.<\/p>\n<p>\u00c9 de conhecimento geral que a ind\u00fastria l\u00e1ctea nacional vem gradativamente aumentando a qualidade do leite adquirido, pagando aos produtores n\u00e3o somente pelo volume, mas tamb\u00e9m pela composi\u00e7\u00e3o do produto. Sendo assim, \u00e9 de suma import\u00e2ncia econ\u00f4mica para a atividade, que o produtor n\u00e3o seja penalizado, quando for receber pelo leite produzido, ou seja, fornecer leite com n\u00edveis de s\u00f3lidos, abaixo do m\u00ednimo permitido.<\/p>\n<p>Mas onde a nutri\u00e7\u00e3o poderia ajudar?\u00a0 Sabemos que o leite produzido \u00e9 fun\u00e7\u00e3o da dieta ofertada aos animais e sua digest\u00e3o por todo o trato gastrointestinal do mesmo. Sabemos tamb\u00e9m que essa produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 potencializada ap\u00f3s os nutrientes ofertados ao animal serem utilizados para a manten\u00e7a e que somente ap\u00f3s a exig\u00eancia de manten\u00e7a do animal for suprida \u00e9 que o excedente de nutrientes passar\u00e1 a ser utilizado para a produ\u00e7\u00e3o de leite.<\/p>\n<p>Portanto, o primeiro passo para potencializar a produ\u00e7\u00e3o e qualidade do leite \u00e9 o fornecimento de alimento (mat\u00e9ria seca), em quantidade e qualidade compat\u00edveis com a produ\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o esperada. O segundo passo \u00e9 entender que os alimentos dever\u00e3o atender as demandas da vaca propriamente dita e dos microrganismos presentes no r\u00famen, pois a composi\u00e7\u00e3o do leite depende desses dois indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Em dietas baseadas em forragens, gr\u00e3os, farelos, vitaminas e minerais, deve-se ter em mente que cada um desses ingredientes ter\u00e1 sua digest\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o realizada no r\u00famen (fermenta\u00e7\u00e3o microbiana) e seus compostos e\/ou parte desses alimentos ter\u00e3o a digest\u00e3o no abomaso (est\u00f4mago verdadeiro) para depois serem absorvidos nos intestinos.<\/p>\n<p><strong>Fatores que determinam a gordura do leite<br \/>\n<\/strong>As forragens, quando fermentadas pelas bact\u00e9rias no r\u00famen, resultar\u00e3o em \u00e1cidos graxos vol\u00e1teis, sendo o principal resultante, o \u00e1cido ac\u00e9tico e, em menor quantidade, o \u00e1cido but\u00edrico. Por sua vez, gr\u00e3os ricos em amido resultar\u00e3o em \u00e1cido propi\u00f4nico. Por outro lado, farelos proteicos e\/ou ur\u00e9ia, ser\u00e3o as fontes de nitrog\u00eanio e amino\u00e1cidos para o crescimento dessas bact\u00e9rias, que por sua vez, servir\u00e3o de fontes de prote\u00edna ao animal hospedeiro.<\/p>\n<p>Para que se obtenha a gordura no leite, o organismo animal se utiliza principalmente de 50% do \u00e1cido ac\u00e9tico resultante da fermenta\u00e7\u00e3o das fibras e 50% dos lip\u00eddeos oriundos da dieta ou lip\u00eddeos circulantes na corrente sangu\u00ednea. Portanto, para potencializar a produ\u00e7\u00e3o de gordura no leite devemos lan\u00e7ar m\u00e3o de alguns cuidados nutricionais e de manejo, para que, essa fermenta\u00e7\u00e3o da fibra, n\u00e3o fique prejudicada, podendo assim, ocasionar queda nos n\u00edveis de gordura no leite. Dentre os manejos, podemos citar:<\/p>\n<p>&#8211; Baixo teor de fibra efetiva (FDNef) na dieta total e alto teor de carboidratos n\u00e3o fibrosos;<br \/>\n&#8211; Dietas muito \u00famidas (&gt;50% de umidade);<br \/>\n&#8211; Fornecer mais do que 3 kg de concentrado por trato para os animais;<br \/>\n&#8211; Fornecimento de gordura poli-insaturada acima do recomendado;<br \/>\n&#8211; Animais sob estresse t\u00e9rmico;<\/p>\n<p>Todos esses fatores podem deprimir o teor de gordura no leite, seja porque causam acidose e o animal n\u00e3o consegue o equil\u00edbrio ruminal desejado para a m\u00e1xima fermenta\u00e7\u00e3o e crescimento microbiano, ou porque algumas rea\u00e7\u00f5es de biohidrogena\u00e7\u00e3o de gorduras poli-insaturadas produzem metab\u00f3litos que inibem a s\u00edntese de gordura na gl\u00e2ndula mam\u00e1ria.<\/p>\n<p>Dessa forma, se quisermos aumentar o teor de gordura no leite, basta respeitarmos esses fatores supracitados, balanceando fibras e carboidratos n\u00e3o fibrosos, dietas com umidade adequada, dividir em maior n\u00famero de vezes o trato ofertado aos animais, respeitar os limites de gordura adicionada na dieta (especialmente as de origem dos gr\u00e3os de soja e algod\u00e3o) e principalmente, dar conforto t\u00e9rmico (sombra, ventila\u00e7\u00e3o e aspers\u00e3o) aos animais.<\/p>\n<p><strong>Dieta pouco afeta a prote\u00edna<br \/>\n<\/strong>Quando falamos em teor de prote\u00edna no leite, devemos saber que \u00e9 o constituinte com menor modifica\u00e7\u00e3o pela dieta. Mudan\u00e7as muito significativas, dependendo do mercado, dever\u00e3o lan\u00e7ar m\u00e3o de material gen\u00e9tico, pois h\u00e1 ra\u00e7as que produzem maiores teores de prote\u00edna no leite do que outras. No entanto, podem ser potencializados pela nutri\u00e7\u00e3o. A prote\u00edna do leite dentre os alimentos consumidos pelo homem \u00e9 a que apresenta um dos melhores perfis de amino\u00e1cidos. Portanto, para que se aumente o teor de prote\u00edna basta melhorarmos o aporte e rela\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos nas dietas ofertadas.<\/p>\n<p>As principais fontes de amino\u00e1cidos \u2013 e as que mais se comparam com o perfil aminoac\u00edtico do leite \u2013 s\u00e3o as bact\u00e9rias ruminais. Dessa forma, tudo o que for feito para potencializar o m\u00e1ximo crescimento microbiano ruminal tende a melhorar os n\u00edveis de prote\u00edna no leite. Outra forma \u00e9 o fornecimento de amino\u00e1cidos espec\u00edficos, protegidos da degrada\u00e7\u00e3o ruminal, que complementar\u00e3o os amino\u00e1cidos fornecidos pelas bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Dentre esses amino\u00e1cidos protegidos podemos citar a metionina e a lisina. Para que haja um melhor crescimento e melhor aporte de prote\u00edna microbiana ruminal, podemos controlar o pH, evitando acidose, que prejudica o crescimento dessas bact\u00e9rias; processar a fonte de amido, para que o mesmo se torne mais eficiente como fonte de energia para essas bact\u00e9rias; quantidade e qualidade da fibra da forragem ofertada tamb\u00e9m impacta no crescimento dessas bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Quando o desafio nutricional \u00e9 alto, ou seja, animais de alta produ\u00e7\u00e3o com alimentos de m\u00e9dia a baixa qualidade, podemos lan\u00e7ar m\u00e3o de aditivos que promovem um maior crescimento de microrganismos ben\u00e9ficos no r\u00famen. Dessa forma, haver\u00e1 maior digest\u00e3o fibrosa (aumentando o teor de gordura) e, consequentemente, maior aporte de amino\u00e1cidos oriundos dos pr\u00f3prios microrganismos. Dentre os aditivos podemos citar os tamponantes e os compostos de probi\u00f3ticos, \u00f3leos essenciais e funcionais que deprimem as bact\u00e9rias metanog\u00eanicas (melhorando a produ\u00e7\u00e3o leiteira) e aumentam as celulol\u00edticas que produzir\u00e3o mais \u00e1cido ac\u00e9tico (melhorando os n\u00edveis de s\u00f3lidos).<\/p>\n<p>Finalizando, se cuidarmos do r\u00famen para que o mesmo trabalhe com a m\u00e1xima efici\u00eancia, levando em considera\u00e7\u00e3o os alimentos dispon\u00edveis na regi\u00e3o, com certeza a qualidade do produto final, neste caso o leite, ser\u00e1 recompensada! Sem falar que podemos enriquecer o produto final naturalmente com DHA, CLA, sel\u00eanio, dentre outros compostos que melhoram a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o, com a zootecnia trabalhando a favor da produ\u00e7\u00e3o. Mas isso \u00e9 assunto para outro artigo&#8230;<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p><em>Li\u00e9ber Garcia \u00e9 mestre em zootecnia e coordenador de pecu\u00e1ria leiteira da Premix<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao estabelecer a dieta a ser fornecida ao rebanho, o produtor define a receita que indicar\u00e1 os \u00edndices de s\u00f3lidos do leite produzido \u00a0\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-2658","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2658"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2658\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}