{"id":27736,"date":"2024-10-23T10:00:15","date_gmt":"2024-10-23T13:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br\/?p=27736"},"modified":"2024-10-23T10:00:15","modified_gmt":"2024-10-23T13:00:15","slug":"agronegocio-e-o-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/agronegocio-e-o-mercado-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Agroneg\u00f3cio e o mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><strong><em><img decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-27737 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Decio-Gazzoni4-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Por D\u00e9cio Luiz Gazzoni, Engenheiro Agr\u00f4nomo, pesquisador da Embrapa e membro do Conselho Cient\u00edfico Agro Sustent\u00e1vel (CCAS) e da Academia Brasileira de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 Um dos desdobramentos mais desejados do crescimento da economia de um pa\u00eds \u00e9 a melhoria quantitativa e qualitativa do mercado de trabalho. Mais empregos, melhor remunerados, diminuindo a pobreza e a desigualdade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O agroneg\u00f3cio brasileiro tem sido o grande impulsionador da economia brasileira, em especial no per\u00edodo de baixo crescimento \u2013 ou crescimento negativo \u2013 como verificado no passado recente. Seus n\u00fameros t\u00eam sido expressivos, seja em volume e valor da produ\u00e7\u00e3o ou no super\u00e1vit das exporta\u00e7\u00f5es, raz\u00e3o pela qual interessa aprofundar a an\u00e1lise de seu impacto no mercado de trabalho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entre 2013 e 2022, o PIB do Brasil cresceu, em m\u00e9dia, 0,4% por ano, enquanto o mundo cresceu 3% e os BRICS 3,4% ao ano\u00a0(<a href=\"https:\/\/bit.ly\/47egNW1\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/bit.ly\/47egNW1&amp;source=gmail&amp;ust=1729724342401000&amp;usg=AOvVaw1sWdzV1WtnobLuTfOHUTH0\">bit.ly\/47egNW1<\/a>).\u00a0Em 2012 o Brasil produziu 166 Mt de gr\u00e3os (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3tVTnqd\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/bit.ly\/3tVTnqd&amp;source=gmail&amp;ust=1729724342401000&amp;usg=AOvVaw0KxhGhdgWdDFG9mvEPKnMf\">bit.ly\/3tVTnqd<\/a>), volume que se elevou a 300 Mt em 2024 (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/3B90XkH\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/bit.ly\/3B90XkH&amp;source=gmail&amp;ust=1729724342401000&amp;usg=AOvVaw2VM5npEmAyFKTacHg8A_rv\">bit.ly\/3B90XkH<\/a>), um incremento de 81%. Pelo seu efeito irradiador na economia, n\u00e3o fora o espetacular crescimento do agroneg\u00f3cio, provavelmente a economia de nosso pa\u00eds teria amargado \u00edndices ainda mais decepcionantes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Estudo da FGV<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No per\u00edodo citado acima, em alguns momentos a taxa de desemprego da economia superou 10%, e o crescimento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola n\u00e3o foi acompanhada por aumento correspondente na oferta de empregos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Centro de Estudos do Agroneg\u00f3cio da FGV analisou o mercado de trabalho no agroneg\u00f3cio entre 2016 e 2023 (<a href=\"https:\/\/bit.ly\/47gfwOu\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/bit.ly\/47gfwOu&amp;source=gmail&amp;ust=1729724342401000&amp;usg=AOvVaw1SYwrVeUYCRSXKevLimo9o\">bit.ly\/47gfwOu<\/a>). De acordo com o estudo, em 2016 havia 14,34 milh\u00f5es de pessoas ocupadas no setor e, em 2023, s\u00e3o 13,78 milh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de 3,9% no per\u00edodo \u2013 queda de 558 mil postos de trabalho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O estudo desdobrou a an\u00e1lise, segmentando as etapas do agroneg\u00f3cio. Assim, dentro da porteira, a agropecu\u00e1ria perdeu 889,2 mil postos (-9,6%). Esses n\u00fameros podem ser desdobrados na redu\u00e7\u00e3o de 583 mil postos na agricultura (-9,7%,) e de 306 mil na pecu\u00e1ria (-9,5%). No segmento posterior, na agroind\u00fastria, ao contr\u00e1rio houve gera\u00e7\u00e3o de 331 mil vagas (6,5%), com aumento de 18,2% na \u00e1rea de alimentos e bebidas e de 1,1% no setor de produtos n\u00e3o aliment\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Contradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Verifica-se que a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio no per\u00edodo n\u00e3o se fez acompanhar de acr\u00e9scimo correspondente na m\u00e3o-de-obra ocupada. O estudo da FGV explica as raz\u00f5es desses movimentos ant\u00edpodas, mostrando melhoria da qualidade dos postos de trabalho dentro da porteira, vez que a redu\u00e7\u00e3o ocorrida no per\u00edodo se concentrou nos postos informais de trabalho, com diminui\u00e7\u00e3o de 10,3% \u2013redu\u00e7\u00e3o de 924,3 mil postos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Paralelamente, ocorreu uma expans\u00e3o de 6,8% nos empregos formais dentro da porteira, o que corresponde a 366,3 mil novos postos de trabalho, com estrito cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Os pesquisadores da FGV entendem que a tend\u00eancia deve se manter no futuro pois, no segundo trimestre de 2023, foi registrado o maior n\u00famero de vagas formais (5,7 milh\u00f5es) e a maior taxa de formalidade (41,5%), desde o in\u00edcio do estudo (2016).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O mesmo fen\u00f4meno ocorreu na agroind\u00fastria, onde as vagas formais crescerem em uma maior propor\u00e7\u00e3o do que as informais (8,6% x 5,5%).\u00a0Paralelamente, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos postos de trabalho no agroneg\u00f3cio aumentou, inclusive acima dos valores da economia brasileira. Entre 2016 e 2023, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos trabalhadores do agro cresceu 12,6% (em valores deflacionados), incrementando de R$ 1.793,69 para R$ 2.018,99. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, no mesmo per\u00edodo, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia no Brasil cresceu 4,3% (R$ 2.719,44 x R$ 2.836,40).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Fundamentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os ganhos de produtividade do agroneg\u00f3cio brasileiro lastreiam a sua sustentabilidade (social, ambiental e econ\u00f4mica), ancorando sua competitividade, permitindo a manuten\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de sua participa\u00e7\u00e3o no mercado agr\u00edcola internacional, com ado\u00e7\u00e3o de conceitos como o ESG. Com isso, verifica-se que a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola brasileira \u2013 lastreada em tecnologias sustent\u00e1veis \u2013 reduz, progressivamente, seu impacto ambiental.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A preocupa\u00e7\u00e3o social passa a integrar a cultura do agroneg\u00f3cio, com melhoria na educa\u00e7\u00e3o, qualifica\u00e7\u00e3o e produtividade dos colaboradores, ao tempo em que os avan\u00e7os da agricultura 4.0 \u2013 como automa\u00e7\u00e3o, digitaliza\u00e7\u00e3o e robotiza\u00e7\u00e3o \u2013 melhoram o ambiente de trabalho e a remunera\u00e7\u00e3o no setor. Por\u00e9m, do ponto de vista meramente quantitativo, o corol\u00e1rio da automa\u00e7\u00e3o e dos ganhos de produtividade dos colaboradores \u00e9 a restri\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o num\u00e9rica do mercado de trabalho. Ao inv\u00e9s de mais postos de trabalho, as proje\u00e7\u00f5es indicam que os trabalhadores dos setores do agroneg\u00f3cio ser\u00e3o mais bem qualificados, treinados e capacitados, com melhor remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por D\u00e9cio Luiz Gazzoni, Engenheiro Agr\u00f4nomo, pesquisador da Embrapa e membro do Conselho Cient\u00edfico Agro Sustent\u00e1vel (CCAS) e da Academia Brasileira de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias \u00a0 Um dos desdobramentos mais desejados do crescimento da economia de um pa\u00eds \u00e9 a melhoria quantitativa e qualitativa do mercado de trabalho. 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