{"id":28772,"date":"2025-03-16T07:00:05","date_gmt":"2025-03-16T10:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br\/?p=28772"},"modified":"2025-03-16T07:00:05","modified_gmt":"2025-03-16T10:00:05","slug":"rede-de-socioeconomia-da-embrapa-aponta-transformacoes-no-emprego-na-agropecuaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/rede-de-socioeconomia-da-embrapa-aponta-transformacoes-no-emprego-na-agropecuaria\/","title":{"rendered":"Rede de Socioeconomia da Embrapa aponta transforma\u00e7\u00f5es no emprego na agropecu\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000;\">A Rede de Socioeconomia da Agricultura da Embrapa (RSA) realizou mais um encontro da s\u00e9rie Debates em Socioeconomia, desta vez com foco no emprego na agricultura. O evento reuniu especialistas para discutir os desafios e as transforma\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho rural diante do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e das mudan\u00e7as no agroneg\u00f3cio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O evento foi coordenado por Job L\u00facio Vieira e Pedro Abel, da Assessoria de Estrat\u00e9gia da Embrapa (AEST), e moderado por D\u00e9cio Gazzoni (Embrapa Soja, Londrina). Participaram do debate Isabel Mendes de Faria (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura, CNA), H\u00e9lio Zilberstein (USP) e Vahid Vahdat (Instituto Veredas e UFABC). A transmiss\u00e3o ocorreu pelo YouTube e contou com cerca de cem participantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Veja a Integra do semin\u00e1rio em:\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/nFu2dSEPAv8\">https:\/\/www.youtube.com\/live\/nFu2dSEPAv8<\/a><\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\"><strong>Queda na ocupa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do emprego<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A economista Isabel Mendes de Faria, da CNA, apresentou um panorama atualizado do mercado de trabalho no agroneg\u00f3cio. Segundo ela, o setor representou &#8220;26,8% dos empregos no Brasil em 2023&#8221;, empregando 28,3 milh\u00f5es de pessoas. No entanto, a ocupa\u00e7\u00e3o na agropecu\u00e1ria vem registrando queda ao longo dos anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">&#8220;Entre 2012 e 2023, houve uma redu\u00e7\u00e3o de quase dois milh\u00f5es de postos de trabalho no campo, enquanto setores ligados ao agroneg\u00f3cio, como a agroind\u00fastria e os agrosservi\u00e7os, apresentaram crescimento&#8221;, afirmou. Esse movimento reflete uma migra\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra rural para outros elos da cadeia produtiva, impulsionada pela mecaniza\u00e7\u00e3o e pela busca por maior qualifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ela destacou a import\u00e2ncia da capacita\u00e7\u00e3o profissional e da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para garantir que os trabalhadores possam se adaptar a essa nova realidade. &#8220;O aumento da produtividade tem sido um fator determinante para a transforma\u00e7\u00e3o do emprego rural.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Isabel tamb\u00e9m mostrou que cerca de &#8220;45% da m\u00e3o de obra no campo ainda \u00e9 constitu\u00edda por empregados sem carteira assinada&#8221;. Esse n\u00famero caiu 2,9% entre 2022 e 2023, enquanto os empregados com carteira aumentaram 6% no per\u00edodo. Segundo ela, &#8220;o principal entrave s\u00e3o os custos associados \u00e0 formaliza\u00e7\u00e3o, e a solu\u00e7\u00e3o passa pela conscientiza\u00e7\u00e3o e pela progressiva incorpora\u00e7\u00e3o dos custos ao pre\u00e7o dos produtos na porteira da fazenda&#8221;.<\/span><\/p>\n<h3><span style=\"color: #000000;\"><strong>Terceiriza\u00e7\u00e3o e os desafios do mercado de trabalho<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O professor H\u00e9lio Zilberstein, da USP, abordou o impacto da terceiriza\u00e7\u00e3o no setor agr\u00edcola. Ele explicou que o modelo de contrata\u00e7\u00e3o no campo sempre foi influenciado pela sazonalidade, o que impulsiona a terceiriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Zilberstein relembrou a reforma trabalhista de 2017, que &#8220;ampliou a legaliza\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o para atividades-fim e flexibilizou as rela\u00e7\u00f5es de trabalho&#8221;. Segundo ele, essa mudan\u00e7a trouxe benef\u00edcios para a organiza\u00e7\u00e3o do setor, mas tamb\u00e9m desafios para os trabalhadores, que enfrentam um mercado mais din\u00e2mico e menos est\u00e1vel. &#8220;As leis precisam ser atualizadas para acompanhar as transforma\u00e7\u00f5es do mercado&#8221;, ressaltou.<\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"10\" cellpadding=\"10\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><span style=\"color: #000000;\"><strong>Inclus\u00e3o produtiva e o papel da agricultura familiar<\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/1530647\/produtor_familiar_DF_foto_leandro_lobo.jpg\/f20728b3-90bb-4cc6-8b31-d635eb52c9ba?t=1404237817452\" alt=\"\" \/><\/strong>O pesquisador Vahid Vahdat, do Instituto Veredas e UFABC, trouxe uma perspectiva voltada para a inclus\u00e3o produtiva no meio rural, com foco nos trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Ele destacou que a moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura tem reduzido a ocupa\u00e7\u00e3o no campo, mas essa transi\u00e7\u00e3o &#8220;n\u00e3o tem beneficiado igualmente todos os segmentos da popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Segundo Vahdat, os empregos gerados pelo agroneg\u00f3cio hoje exigem maior qualifica\u00e7\u00e3o, criando barreiras para trabalhadores rurais de baixa escolaridade. &#8220;\u00c9 fundamental criar pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o desses profissionais, garantindo que a moderniza\u00e7\u00e3o do setor seja acompanhada de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento rural.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ele tamb\u00e9m apontou a necessidade de diversifica\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas no meio rural, alertando que, &#8220;em muitas regi\u00f5es, os trabalhadores que deixam a agropecu\u00e1ria n\u00e3o encontram outras oportunidades de emprego&#8221;.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span style=\"color: #000000;\"><strong>Inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas exigem qualifica\u00e7\u00e3o profissional<\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O mediador do encontro, D\u00e9cio Gazzoni, afirmou que houve consenso entre os participantes de que, &#8220;no m\u00e9dio e longo prazo, as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, sejam elas de processos ou de produtos, levam a um incremento na ocupa\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, nas exig\u00eancias de qualifica\u00e7\u00e3o dos colaboradores, o que conduz a melhor remunera\u00e7\u00e3o e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho&#8221;. Os palestrantes concordaram tamb\u00e9m que &#8220;a tr\u00edade crescimento da economia, educa\u00e7\u00e3o (treinamento e capacita\u00e7\u00e3o) e desenvolvimento tecnol\u00f3gico s\u00e3o essenciais para o aumento da ocupa\u00e7\u00e3o e da qualidade do emprego&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A capacita\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o profissional dos trabalhadores rurais foram amplamente discutidas, tanto do ponto de vista da educa\u00e7\u00e3o formal e gen\u00e9rica (cursos t\u00e9cnicos ou superiores) quanto da capacita\u00e7\u00e3o dirigida. Gazzoni destacou o impacto do Senar nesse contexto: &#8220;O esfor\u00e7o do Senar no treinamento e capacita\u00e7\u00e3o de colaboradores no agroneg\u00f3cio serve, tamb\u00e9m, como um extraordin\u00e1rio vetor de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e de gest\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Outro ponto relevante que chamou a aten\u00e7\u00e3o do mediador foi o aumento da produtividade do trabalhador rural a partir de 1995. &#8220;Isso reflete, essencialmente, a incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologia, a melhoria do n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o dos colaboradores e a excel\u00eancia do servi\u00e7o de treinamento e capacita\u00e7\u00e3o no campo&#8221;, explicou Gazzoni.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/0\/webinar+socioeconomia+1\/cd7cb58f-9977-3c0c-7052-e5379d66f36b?t=1740773749031\" alt=\"\" \/><\/span><\/p>\n<h2><span style=\"color: #000000;\"><strong>O futuro do emprego no campo<\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Os debatedores convergiram na necessidade de um olhar mais estrat\u00e9gico para o futuro do emprego na agricultura. Entre os pontos discutidos, destacam-se a crescente necessidade de qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra para acompanhar as transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, a import\u00e2ncia da inova\u00e7\u00e3o e da mecaniza\u00e7\u00e3o para o aumento da produtividade, mas com estrat\u00e9gias que minimizem os impactos sociais; o papel das pol\u00edticas p\u00fablicas no fomento ao desenvolvimento rural, equilibrando efici\u00eancia produtiva e inclus\u00e3o social; e a necessidade de novas estrat\u00e9gias para garantir ocupa\u00e7\u00e3o no meio rural, indo al\u00e9m da agricultura e incluindo setores como servi\u00e7os e agroind\u00fastria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O debate indicou que a moderniza\u00e7\u00e3o do setor \u00e9 um caminho sem volta e que o desafio central \u00e9 garantir que essa transi\u00e7\u00e3o seja feita de forma equilibrada, sem aprofundar desigualdades sociais.<\/span><\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"10\" cellpadding=\"10\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><span style=\"color: #000000;\"><strong>Rede de Socioeconomia da Agricultura (RSA)<\/strong><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O debate foi promovido pela Rede de Socioeconomia da Agricultura (RSA), coordenada por Job L\u00facio Vieira e Pedro Abel. A RSA \u00e9 uma iniciativa da Embrapa, atuando como um espa\u00e7o colaborativo para a articula\u00e7\u00e3o de profissionais dedicados \u00e0 an\u00e1lise de desafios socioecon\u00f4micos do setor agropecu\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Job Vieira afirma que \u201co tema debatido no semin\u00e1rio \u00e9 instigante e, por sua natureza sist\u00eamica e interdependente, exige a contribui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas integradas. Isso refor\u00e7a o papel da RSA, coordenada pela Embrapa, na identifica\u00e7\u00e3o dos desafios da agricultura e na modelagem de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que atendam \u00e0s necessidades da sociedade e do mercado.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Composta por cerca de 170 especialistas da Embrapa e de institui\u00e7\u00f5es parceiras, a rede busca antecipar tend\u00eancias, identificar gargalos e transformar essas quest\u00f5es em demandas de pesquisa e desenvolvimento. Seu modelo de governan\u00e7a conta com um comit\u00ea gestor de 12 pesquisadores e analistas, que coordenam as atividades conforme um regimento interno.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m de estudos e publica\u00e7\u00f5es, a RSA promove debates, encontros tem\u00e1ticos e eventos estrat\u00e9gicos ao longo do ano, consolidando discuss\u00f5es que culminar\u00e3o em um grande evento em 2025. A iniciativa est\u00e1 aberta \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de interessados e refor\u00e7a sua miss\u00e3o de conectar ci\u00eancia, pol\u00edticas p\u00fablicas e desenvolvimento sustent\u00e1vel para fortalecer a agricultura brasileira.<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Rede de Socioeconomia da Agricultura da Embrapa (RSA) realizou mais um encontro da s\u00e9rie Debates em Socioeconomia, desta vez com foco no emprego na agricultura. 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