{"id":29272,"date":"2025-05-21T09:09:27","date_gmt":"2025-05-21T12:09:27","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br\/?p=29272"},"modified":"2025-05-21T09:09:27","modified_gmt":"2025-05-21T12:09:27","slug":"parana-laboratorio-da-apcbrh-disponibiliza-analises-de-acidos-graxos-do-leite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/parana-laboratorio-da-apcbrh-disponibiliza-analises-de-acidos-graxos-do-leite\/","title":{"rendered":"Paran\u00e1: Laborat\u00f3rio da APCBRH disponibiliza an\u00e1lises de \u00e1cidos graxos do leite"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por <em>Prof. Dr. Rodrigo de Almeida | UFPR<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Novas an\u00e1lises de leite est\u00e3o dispon\u00edveis no Laborat\u00f3rio Centralizado de An\u00e1lise de Leite da APCBRH. A partir de agora tanto produtores como latic\u00ednios podem encaminhar amostras de leite de vacas ou de tanques para an\u00e1lise dos \u00e1cidos graxos (AG) do leite.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00c1cidos graxos s\u00e3o o principal componente da gordura do leite; 94-95% da gordura do leite s\u00e3o \u00e1cidos graxos. Estes \u00e1cidos graxos podem diferir quanto ao tamanho da cadeia (AG de cadeia curta, m\u00e9dia ou longa), quanto a presen\u00e7a de insatura\u00e7\u00f5es ou duplas liga\u00e7\u00f5es (AG saturados, monoinsaturados ou polinsaturados) e quanto ao local de origem (AG de novo, mistos ou pr\u00e9-formados).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Estas novas an\u00e1lises s\u00e3o poss\u00edveis porque a Associa\u00e7\u00e3o Paranaense dos Criadores de Bovinos da Ra\u00e7a Holandesa (APCBRH) tem equipamentos automatizados que mensuram estes novos par\u00e2metros e tamb\u00e9m porque mensalmente amostras com valores conhecidos s\u00e3o importadas do Canad\u00e1 para calibrar os equipamentos da Associa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Existem mais de 400 diferentes AG na gordura do leite bovino, mas a APCBRH vai divulgar neste primeiro momento as 10 categorias de AG mais importantes, ou seja: AG saturados (AGS), AG monoinsaturados (AGMI), AG polinsaturados (AGPI), AG insaturados (AGI), AG palm\u00edtico (AG com 16 carbonos e nenhuma dupla liga\u00e7\u00e3o, C16:0), AG este\u00e1rico (18 C e nenhuma dupla, C18:0), AG oleico (18 C e uma dupla, C18:1), AG de novo (AG at\u00e9 14C), AG mistos (AG de 16C) e AG pr\u00e9-formados (AG com 18 ou mais C).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Reconhecemos que num primeiro momento tudo isto pode parecer complicado, e por isso que pesquisadores e t\u00e9cnicos podem e devem auxiliar os produtores de leite na correta interpreta\u00e7\u00e3o destas novas an\u00e1lises. Destes 10 novos par\u00e2metros, qual deles devemos focar ou priorizar inicialmente? Na minha opini\u00e3o, nos AG de novo, que s\u00e3o AG de cadeia curta e m\u00e9dia, de 4 a 14 C, e que s\u00e3o obrigatoriamente sintetizados ou produzidos na gl\u00e2ndula mam\u00e1ria de vacas em lacta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Por que este destaque inicial nos AG de novo? Indo direto ao ponto, porque eles s\u00e3o indicadores de sa\u00fade ruminal, ou seja, quanto mais alto os valores de AG de novo, melhor, pois eles s\u00e3o indicativos de um r\u00famen saud\u00e1vel, com pH normal e com boa fermenta\u00e7\u00e3o da fibra diet\u00e9tica e dos outros ingredientes da dieta. E se a propor\u00e7\u00e3o de AG de novo estiver reduzida, o que isto significa? Isto muito provavelmente \u00e9 um indicativo que a vaca tem um quadro de acidose ruminal subaguda (SARA em ingl\u00eas), quando o pH ruminal est\u00e1 muito \u00e1cido, abaixo do pH de 5,8.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mas qual \u00e9 a consequ\u00eancia de vacas em lacta\u00e7\u00e3o apresentarem SARA ou queda do pH ruminal por muitas horas ao longo do dia? Porque isto leva a um quadro de depress\u00e3o (ou queda) nos teores de gordura do leite (DGL), mas tamb\u00e9m uma piora nos teores de prote\u00edna do leite. Al\u00e9m disso vacas com baixa%AG de novo, tamb\u00e9m apresentam mais problemas de claudica\u00e7\u00e3o, diminuem a rumina\u00e7\u00e3o, passam a apresentar esterco mais mole e com material n\u00e3o digerido e a longo prazo estas vacas t\u00eam menor longevidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O ponto chave \u00e9 que por d\u00e9cadas n\u00f3s acreditamos que o melhor indicador de acidose ruminal subaguda (SARA) era a baixa porcentagem de gordura total do leite. Pois bem, isto n\u00e3o \u00e9 mais verdade\u2026 o melhor indicador de SARA \u00e9 a baixa propor\u00e7\u00e3o de AG de novo! Nesta etapa inicial p\u00f3s-lan\u00e7amento destas novas an\u00e1lises \u00e9 importante conhecer quais s\u00e3o os valores m\u00ednimos aceit\u00e1veis de AG de novo no leite; nossa sugest\u00e3o \u00e9 que idealmente o AG de novo seja maior ou igual a 0,8 g\/100g de leite ou maior ou igual a 23 g\/100g de gordura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Ao avaliar um rebanho ou um lote de vacas com alta propor\u00e7\u00e3o de animais com baixo de novo, o produtor e seu t\u00e9cnico deveriam investigar quais s\u00e3o as raz\u00f5es desta prov\u00e1vel ocorr\u00eancia de acidose ruminal. Entre os principais fatores de risco, eu destacaria: baixa inclus\u00e3o de fibra efetiva na dieta, alta inclus\u00e3o de amido na dieta, alta propor\u00e7\u00e3o de amido degrad\u00e1vel no r\u00famen (por exemplo, oriundo dos gr\u00e3os de milho da silagem ou do gr\u00e3o \u00famido de milho), alta inclus\u00e3o de AG polinsaturados na dieta (por exemplo, oriundo do \u00f3leo de soja), alta inclus\u00e3o do ion\u00f3foromonensina na dieta, entre outros fatores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Para produtores de leite associados da APCBRH que recebem um sistema de bonifica\u00e7\u00e3o por qualidade ao serem pagos pelo leite entregue, as an\u00e1lises de AG rec\u00e9m-lan\u00e7adas s\u00e3o ainda mais importantes, porque maior %AG de novo est\u00e3o associadas com maiores teores de gordura e de prote\u00edna e, portanto, maiores bonifica\u00e7\u00f5es e mais centavos por litro de leite entregue. Este \u00e9 um caminho sem volta, porque no Brasil e no mundo a gordura do leite est\u00e1 sendo cada vez mais valorizada pelos latic\u00ednios e pelos consumidores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Mesmo para os produtores de leite que ainda n\u00e3o recebem bonifica\u00e7\u00f5es pela gordura do leite alta (e penaliza\u00e7\u00f5es pela gordura baixa) cabe destacar inicialmente que isto ocorrer\u00e1 muito em breve. Mas mesmo n\u00e3o sendo remunerados de imediato, \u00e9 bom saber que nossas vacas que produzem leite com alta propor\u00e7\u00e3o de AG de novo s\u00e3o vacas mais saud\u00e1veis, com menos acidose ruminal, que ruminam mais, que caminham melhor, e que portanto, durar\u00e3o por mais tempo!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Portanto, concluindo, estas novas an\u00e1lises de leite da APCBRH v\u00e3o permitir ou auxiliar que os produtores paranaenses continuem produzindo grandes volumes de um leite nutritivo e bem-remunerado pela ind\u00fastria, oriundo de vacas bem manejadas e alimentadas, e que portanto, ser\u00e3o mais longevas, conciliando altas produ\u00e7\u00f5es, menor impacto ambiental e bem-estar animal.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Prof. Dr. Rodrigo de Almeida | UFPR Novas an\u00e1lises de leite est\u00e3o dispon\u00edveis no Laborat\u00f3rio Centralizado de An\u00e1lise de Leite da APCBRH. 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