{"id":2954,"date":"2016-11-07T10:46:42","date_gmt":"2016-11-07T12:46:42","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=2954"},"modified":"2016-11-07T10:46:42","modified_gmt":"2016-11-07T12:46:42","slug":"leite-preco-ao-produtor-mantem-queda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-preco-ao-produtor-mantem-queda\/","title":{"rendered":"Leite: pre\u00e7o ao produtor mant\u00e9m queda"},"content":{"rendered":"<p><em>Pelo segundo m\u00eas seguido, o pre\u00e7o do leite pago ao produtor sofre recuo. O valor pago em outubro apresentou forte baixa, de 8,5% em rela\u00e7\u00e3o a setembro<\/em><\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nO avan\u00e7o da safra em grande parte do Brasil, que eleva a produ\u00e7\u00e3o e a capta\u00e7\u00e3o de leite pelas ind\u00fastrias, e a persistente fraca demanda nacional pressionaram os valores pagos ao produtor em outubro pelo segundo m\u00eas seguido. Segundo pesquisas do Cepea-Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada, da Esalq\/USP, o pre\u00e7o m\u00e9dio recebido pelo produtor na \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d (sem frete e impostos) foi de R$ 1,3961\/litro no m\u00eas, forte baixa de 8,5% (ou de R$ 0,13\/litro) em rela\u00e7\u00e3o a setembro.<\/p>\n<p>Mesmo com a queda mensal, o pre\u00e7o pago ao produtor ainda acumula alta de 37,3% neste ano, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de setembro\/16). O pre\u00e7o bruto m\u00e9dio do leite (que inclui frete e impostos) caiu 8% de setembro para outubro, passando para R$ 1,506\/litro. As m\u00e9dias calculadas pelo Cepea s\u00e3o ponderadas pelo volume captado em setembro nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA.<\/p>\n<p>A capta\u00e7\u00e3o de leite aumentou em todos os estados que comp\u00f5em a \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d, refletindo a recupera\u00e7\u00e3o das pastagens, favorecida pela chegada das chuvas em grande parte das bacias leiteiras. De agosto para setembro, o \u00cdndice de Capta\u00e7\u00e3o de Leite do Cepea (ICAP-L\/Cepea) aumentou significativos 6,24%, com destaque para Bahia e Rio Grande do Sul, onde foram verificadas altas de 10,72% e de 9,8%, respectivamente.<\/p>\n<p>J\u00e1 o menor aumento na capta\u00e7\u00e3o foi observado no Paran\u00e1, de 1,77%. Para novembro, com o avan\u00e7o da safra, representantes de latic\u00ednios\/cooperativas consultados pelo Cepea apontam nova queda nos pre\u00e7os do leite. A maioria dos agentes entrevistados (94,2%), que representa 99,8% do leite amostrado, indica que os valores devem cair. Outros agentes (1,9%), que representam 0,02% do volume amostrado de leite, acreditam em estabilidade.<\/p>\n<p>No mercado de derivados, os valores tamb\u00e9m ca\u00edram, especialmente no Sudeste do Pa\u00eds, devido \u00e0 entrada de produtos l\u00e1cteos vindos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e Paran\u00e1. Como a safra na regi\u00e3o Sul do Brasil ocorre antes que no Sudeste, os produtos sulistas chegam a valores menores aos demais estados, acirrando a concorr\u00eancia. Al\u00e9m disso, a demanda est\u00e1 enfraquecida, em decorr\u00eancia dos elevados patamares de pre\u00e7os nos \u00faltimos meses, o que tem aumentado os estoques dos derivados e pressionado as cota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os m\u00e9dios do leite UHT e do queijo mussarela negociados no atacado de S\u00e3o Paulo em outubro (at\u00e9 o dia 28) foram de R$ 2,23\/litro e de R$ 17,05\/kg, respectivamente, significativas quedas de 10,16% e de 10,96% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e9dias de setembro. Com o cen\u00e1rio de baixas intensas desde agosto, a varia\u00e7\u00e3o acumulada do leite UHT desde o in\u00edcio do ano j\u00e1 passou a ser negativa, em 4,9%.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/11\/tabela1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-small-slider-thumb wp-image-2955\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/11\/tabela1-690x450.jpg\" alt=\"tabela1\" width=\"690\" height=\"450\" \/><\/a><br \/>\n<strong>Queda dos pre\u00e7os no atacado<\/strong><br \/>\nOutra fonte, a Scot Consultoria, confirma a tend\u00eancia de queda no mercado de l\u00e1cteos, apontando que, em geral, os pre\u00e7os ca\u00edram 1,0% no setor atacadista na primeira quinzena de outubro, em rela\u00e7\u00e3o ao fechamento de setembro, considerando a m\u00e9dia de v\u00e1rios produtos pesquisados. No estudo coordenado por Rafael Ribeiro, o queijo mussarela, queijo minas frescal e o requeij\u00e3o lideraram as quedas, com desvaloriza\u00e7\u00e3o de 2,9%, 2,4% e 2,3%, respectivamente.<\/p>\n<p>J\u00e1 o leite longa vida apresentou queda quinzenal de 2,0%. O litro ficou cotado, em m\u00e9dia, em R$ 2,47 nas ind\u00fastrias em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Goi\u00e1s. As cota\u00e7\u00f5es est\u00e3o em queda desde meados de julho deste ano, segundo a Scot. \u201cO aumento da produ\u00e7\u00e3o de leite neste in\u00edcio de safra nas principais bacias leiteiras colabora com este cen\u00e1rio de queda de pre\u00e7os dos l\u00e1cteos na ind\u00fastria. A demanda interna patinando ajuda\u201d, cita ele, a exemplo do Cepea.<\/p>\n<p>Observa, por sua vez, que a press\u00e3o de baixa \u00e9 maior nas regi\u00f5es Sudeste e Sul, onde os incrementos na oferta de leite t\u00eam sido maiores. Nas regi\u00f5es Nordeste e Norte, os pre\u00e7os est\u00e3o mais firmes, em fun\u00e7\u00e3o das chuvas abaixo da m\u00e9dia e reflexos na produ\u00e7\u00e3o. Em setembro choveu um pouco mais, em especial no Nordeste, mas nada que mudasse o cen\u00e1rio do lado da oferta de leite.<\/p>\n<p>De pesquisa Scot, constava que para o pagamento de outubro (produ\u00e7\u00e3o de setembro), 11% dos latic\u00ednios pesquisados acreditavam em alta dos pre\u00e7os do leite ao produtor (todos na regi\u00e3o Nordeste), 12% falavam em estabilidade e os 77% restantes acreditam em queda no pre\u00e7o do leite, o que acabou se confirmando. No mercado spot, os pre\u00e7os do leite ca\u00edram em setembro e outubro. Os valores m\u00e9dios est\u00e3o pr\u00f3ximos de R$ 1,20 por litro na regi\u00e3o Sudeste, considerando o pre\u00e7o do leite posto na plataforma.<\/p>\n<p>Para uma compara\u00e7\u00e3o, em julho os valores chegaram a R$ 2,20 por litro. Na regi\u00e3o Sul, os pre\u00e7os variaram de R$1,00 a R$1,20 por litro na primeira metade do m\u00eas de outubro, pre\u00e7os est\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00faltima quinzena. Vale destacar que no Rio Grande do Sul e no Paran\u00e1 foram poucos os neg\u00f3cios observados nesta quinzena. \u201cA expectativa \u00e9 de que os pre\u00e7os tenham ligeiras redu\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, as quedas dever\u00e3o ser mais comedidas daqui para frente, visto a forte desvaloriza\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos meses\u201d, informa Ribeiro.<\/p>\n<p>De sua an\u00e1lise consta ainda que o custo de produ\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria de leite deu tr\u00e9gua em setembro. A queda, segundo o \u00cdndice Scot Consultoria de Custo de Produ\u00e7\u00e3o, foi de 2,5% na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior. Entretanto, acusa que, em outubro, os custos voltaram a subir, com o peso da alta do milho e dos fertilizantes. O aumento foi de 1,4%, em rela\u00e7\u00e3o a setembro deste ano. \u201cNa compara\u00e7\u00e3o com outubro do ano passado, os custos de produ\u00e7\u00e3o da atividade leiteira acumulam alta de 16,2%\u2019, destaca.<\/p>\n<p><strong>Importa\u00e7\u00f5es: entre a culpa e a desculpa<\/strong><br \/>\nA an\u00e1lise do Conseleite do Rio Grande do Sul tamb\u00e9m traduziu as proje\u00e7\u00f5es de retra\u00e7\u00e3o feitas pelo Cepea e pela Scot. Em Porto Alegre-RS, o pre\u00e7o de refer\u00eancia do leite definido em reuni\u00e3o realizada no dia 18 de outubro indicou nova queda. O valor projetado para o m\u00eas de outubro \u00e9 de R$ 0,9539, redu\u00e7\u00e3o de 4,58% em rela\u00e7\u00e3o ao consolidado de setembro, que fechou em R$ 0,9997. A redu\u00e7\u00e3o foi puxada pela queda do valor do leite pasteurizado (-11,70%) e do leite UHT (-6.68%).<\/p>\n<p>Apesar da diminui\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o de refer\u00eancia nos \u00faltimos meses, o leite ainda est\u00e1 acima da valoriza\u00e7\u00e3o de anos anteriores. O leite UHT, por exemplo, nos \u00faltimos 12 meses, acumula alta de 26%, o que se justifica pelos picos hist\u00f3ricos do produto apurados na entressafra. &#8220;Tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar que, na ponta, as ind\u00fastrias pagam mais do que isso por litro uma vez que h\u00e1 remunera\u00e7\u00e3o adicional por qualidade e quantidade&#8221;, explicou o presidente do Conseleite e do Sindilat, Alexandre Guerra.<\/p>\n<p>O dirigente pontuou a interfer\u00eancia do mercado internacional no contexto nacional e salientou que o leite em p\u00f3 importado tem sido o grande vil\u00e3o do setor. \u201cTivemos uma alta expressiva no primeiro semestre e, agora, estamos enfrentando uma queda consider\u00e1vel. A ind\u00fastria n\u00e3o quer baixar o pre\u00e7o e n\u00e3o baixamos o pre\u00e7o porque queremos. \u00c9 porque o mercado se autorregula pela lei da oferta e da procura\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>As importa\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos feita pelo Brasil e citadas por Guerra trouxe no m\u00eas de setembro uma constata\u00e7\u00e3o preocupante: o pa\u00eds superou as compras de leite em p\u00f3 feitas pela China no per\u00edodo. O fato tem por tr\u00e1s os pre\u00e7os mais altos praticados por aqui em compara\u00e7\u00e3o com a Argentina e Uruguai. Enquanto os chineses importaram 16,4 mil t de leite em p\u00f3, o Brasil importou 19,7 mil t.<\/p>\n<p>Marcelo Pereira de Carvalho, diretor do portal Agripoint, admite que n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que as importa\u00e7\u00f5es t\u00eam contribu\u00eddo para a queda de pre\u00e7os ao produtor e para a ind\u00fastria. \u201cNeste ano, quase 8% do nosso consumo veio de leite importado. Um colosso!\u201d, frisa. Mas, segundo ele, \u00e9 um erro analisar as importa\u00e7\u00f5es como raz\u00e3o do nosso problema.<\/p>\n<p>\u201cElas s\u00e3o a consequ\u00eancia. S\u00f3 estamos importando esse volume porque nossa produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem crescido; porque n\u00e3o temos efici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o, basta comparar os \u00edndices de produtividade; porque temos custos elevados de impostos para incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologia, porque n\u00e3o temos uma boa coordena\u00e7\u00e3o na cadeia produtiva\u201d, relata.<\/p>\n<p>E acrescenta: \u201cO pior de tudo \u00e9 que nem com um mercado em larga escala protegido, que nos permite ter um pre\u00e7o comparativamente atrativo perante o mundo, estamos crescendo\u201d. Em sua an\u00e1lise, menciona que a atual \u201cressaca\u201d talvez seja um processo necess\u00e1rio. \u201cMuitos ir\u00e3o sair da atividade, como ocorreu em diversos pa\u00edses. L\u00e1 na frente, teremos um setor mais competitivo. Mas \u00e9 preciso criar realmente uma agenda mais de longo prazo\u201d, diz, questionando:\u00a0 Que tal se nossa efic\u00e1cia para obter medidas de prote\u00e7\u00e3o pudesse tamb\u00e9m ser direcionada para criarmos condi\u00e7\u00f5es de n\u00e3o depender delas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo segundo m\u00eas seguido, o pre\u00e7o do leite pago ao produtor sofre recuo. O valor pago em outubro apresentou forte baixa, de 8,5% em rela\u00e7\u00e3o a setembro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2954","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2954"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2954\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}