{"id":3167,"date":"2016-12-05T17:11:35","date_gmt":"2016-12-05T19:11:35","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=3167"},"modified":"2016-12-05T17:11:35","modified_gmt":"2016-12-05T19:11:35","slug":"leite-producao-cai-no-sul-e-precos-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-producao-cai-no-sul-e-precos-tambem\/","title":{"rendered":"Leite: produ\u00e7\u00e3o cai no Sul e pre\u00e7os tamb\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s quatro meses em alta, a produ\u00e7\u00e3o de leite registrou queda no Sul do Pa\u00eds, resultando em estabilidade na capta\u00e7\u00e3o m\u00e9dia nacional. De setembro para outubro, o \u00cdndice de Capta\u00e7\u00e3o de Leite do Cepea (ICAP-L\/Cepea) teve ligeira alta, de 0,08%. Nesse per\u00edodo, houve diminui\u00e7\u00e3o de 6,6% na produ\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul; de 5,8%, em Santa Catarina, e de 3,1%, no Paran\u00e1. J\u00e1 na Bahia, em outubro, a capta\u00e7\u00e3o aumentou 6,3%; em Goi\u00e1s, 4,4%; em S\u00e3o Paulo, 4,2%, e em Minas Gerais, 3,5%.<\/p>\n<p>Segundo colaboradores do Cepea-Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada-Esalq\/USP, a menor produ\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o Sul est\u00e1 atrelada \u00e0s chuvas na regi\u00e3o, que encurtaram a janela para reforma das pastagens de ver\u00e3o em muitas bacias produtoras. Al\u00e9m disso, a disponibilidade de forragens est\u00e1 reduzida, e a receita do produtor, apertada, limitando a reforma de \u00e1reas de pastejo.<\/p>\n<p>Mesmo com a menor capta\u00e7\u00e3o no Sul, os pre\u00e7os recebidos pelo produtor (sem frete e impostos) ca\u00edram com for\u00e7a no Rio Grande do Sul (-10,36%), em Santa Catarina (-14,51%) e no Paran\u00e1 (-10,05%). Nos demais estados, o movimento no pre\u00e7o tamb\u00e9m foi de queda, refor\u00e7ado, nestes casos, pelo aumento na capta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na m\u00e9dia Brasil, o pre\u00e7o recebido pelo produtor em novembro foi de R$ 1,2331\/litro, forte baixa de 11,7% (ou de R$ 0,16\/litro) em rela\u00e7\u00e3o a outubro. Esta foi a terceira queda consecutiva, mas o valor m\u00e9dio nacional ainda acumula alta de 20,9% neste ano, em termos reais (valores deflacionados pelo IPCA de outubro\/16).<\/p>\n<p>J\u00e1 o pre\u00e7o bruto m\u00e9dio do leite (que inclui frete e impostos) caiu 10,9% de outubro para novembro, passando para R$ 1,3413\/litro. As m\u00e9dias calculadas pelo Cepea s\u00e3o ponderadas pelo volume captado em outubro nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA.<\/p>\n<p>Para dezembro, com o avan\u00e7o da safra e a tend\u00eancia de influ\u00eancia da La Ni\u00f1a nos estados do Sul, representantes de latic\u00ednios\/cooperativas consultados pelo Cepea apontam nova queda nos pre\u00e7os do leite. A maioria dos agentes entrevistados (94%) indica que os valores devem cair novamente. Outros agentes (6%), principalmente os do Sul, acreditam em estabilidade. Nenhum dos colaboradores espera alta de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>No mercado de derivados, os valores tamb\u00e9m seguiram em queda, mas de forma menos intensa que a verificada em meses anteriores. Este cen\u00e1rio elevou a expectativa de agentes de estabilidade para os pr\u00f3ximos meses. Os pre\u00e7os m\u00e9dios do leite UHT e do queijo mussarela negociados no atacado de S\u00e3o Paulo em novembro foram de R$ 2,15\/litro e de R$ 15,81\/kg, respectivamente, resultando em quedas de 3,15% e de 7,06% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e9dias de outubro.<\/p>\n<p>A continuidade das quedas dos pre\u00e7os da mat\u00e9ria-prima e o enfraquecimento no movimento de baixa nos valores dos derivados no atacado podem melhorar as margens das ind\u00fastrias\/latic\u00ednios. A pesquisa de derivados do Cepea \u00e9 realizada diariamente com latic\u00ednios e atacadistas e tem o apoio financeiro da OCB-Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas Brasileiras.<\/p>\n<p><strong>Nova ordem nos pr\u00f3ximos meses<\/strong><br \/>\nA Scot Consultoria, por sua vez, tamb\u00e9m confirmou a queda de pre\u00e7o do leite pago ao produtor. Segundo levantamento de sua equipe de analistas de mercado, a m\u00e9dia nacional identificada em outubro e novembro confirmava a tend\u00eancia agora apontada pelo Cepea.<\/p>\n<p>\u201cCom as quedas nos pre\u00e7os dos l\u00e1cteos no atacado, persiste a press\u00e3o da ind\u00fastria sobre a cota\u00e7\u00e3o do leite ao produtor\u201d, diz o analista Rafael Ribeiro, observando que a produ\u00e7\u00e3o em alta e as importa\u00e7\u00f5es ainda em grandes volumes explicam este cen\u00e1rio de queda, que dever\u00e1 perdurar durante a safra.<\/p>\n<p>\u201cEm curto prazo, s\u00e3o esperadas quedas nas cota\u00e7\u00f5es em todo o Pa\u00eds, com exce\u00e7\u00e3o do Nordeste, onde a falta de mat\u00e9ria-prima continuar\u00e1 dando sustenta\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os, por\u00e9m, sem for\u00e7a para aumentos fortes\u201d, cita outra analista da Scot, Juliana Pila. De acordo com ela, dever\u00e1 aumentar o n\u00famero de latic\u00ednios com expectativa de manuten\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os aos produtores a partir deste m\u00eas, mas ainda assim prevalece a press\u00e3o de baixa. O pico de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 previsto para os meses de dezembro\/16 e janeiro\/17 na regi\u00e3o Centro-Oeste e nas bacias leiteiras do Sudeste. Ou seja, at\u00e9 l\u00e1 a previs\u00e3o \u00e9 de que o incremento da oferta continue pressionando o mercado.<\/p>\n<p>J\u00e1 no mercado spot, ou seja, o leite comercializado entre as ind\u00fastrias, s\u00e3o evidentes os sinais de queda nas cota\u00e7\u00f5es. Em S\u00e3o Paulo, segundo levantamento da Scot Consultoria, o litro ficou cotado, em m\u00e9dia, em R$ 1,15 em novembro, frente \u00e0 m\u00e9dia de R$1,18 por litro no fechamento de outubro deste ano. O menor valor encontrado foi R$ 0,95 por litro, posto na plataforma. O pre\u00e7o m\u00e1ximo foi de R$ 1,30 por litro.<\/p>\n<p><strong>Queda dos l\u00e1cteos no atacado<\/strong><br \/>\nA tend\u00eancia de queda de pre\u00e7os se refletiu tamb\u00e9m no mercado atacadista. \u201cA m\u00e9dia de pre\u00e7os caiu 0,3% na primeira quinzena de novembro, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda metade de outubro, considerando a m\u00e9dia de todos os produtos e estados pesquisados\u201d, destaca a analista Isabella Camargo, da Scot.<\/p>\n<p>O queijo mussarela liderou a queda, com desvaloriza\u00e7\u00e3o de 4,2% no per\u00edodo. O produto est\u00e1 cotado, em m\u00e9dia, em R$ 19,32 por kg em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Goi\u00e1s. O leite UHT apresentou queda quinzenal de 2,8%. O litro ficou cotado, em m\u00e9dia, em R$ 2,39. S\u00e3o valores um pouco diferentes dos apresentados pelo Cepea, mas que confirmam a tend\u00eancia de baixa. \u201cAs cota\u00e7\u00f5es do leite UHT est\u00e3o em queda desde julho no atacado, quando o produto chegou a ser comercializado acima de R$ 4,00 por litro\u201d, destaca Isabella.<\/p>\n<p>Resumindo, ela diz que as fortes quedas de pre\u00e7os no atacado somadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de leite nos \u00faltimos meses s\u00e3o os principais fatores de baixa no mercado do leite. \u201cNo entanto, cabe destacar que n\u00e3o existe excesso de leite no mercado. Em outubro, a produ\u00e7\u00e3o foi 2,8% menor que no mesmo per\u00edodo do ano passado\u201d, cita, tendo como base o \u00cdndice Scot Consultoria de Capta\u00e7\u00e3o de Leite.<\/p>\n<p>Outra informa\u00e7\u00e3o relevante, que pode mexer com o mercado, est\u00e1 no fato de que as importa\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos diminu\u00edram em outubro, segundo dados do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os. O volume totalizou 19,25 mil t no m\u00eas de setembro. Na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior, a queda foi de 33,3%. Com rela\u00e7\u00e3o ao faturamento, a redu\u00e7\u00e3o foi de 30,4%, totalizando US$ 55,05 milh\u00f5es no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O produto mais importado foi o leite em p\u00f3. No total foram 11,80 mil t que somaram US$ 32,89 milh\u00f5es. Os maiores fornecedores para o Brasil, em valor, foram o Uruguai, com 44,2%; a Argentina, com 44,1%, e os Estados Unidos, com 5,7%. De janeiro a outubro de 2016, o Pa\u00eds importou 79,1% mais l\u00e1cteos em volume e 49,2% em valor, na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo do ano passado. \u201cCabe lembrar que a recente proibi\u00e7\u00e3o de se reidratar leite em p\u00f3 importado dever\u00e1 reduzir, em parte, a importa\u00e7\u00e3o do produto\u201d, observa Ribeiro.<\/p>\n<p>A recente alta das cota\u00e7\u00f5es no leil\u00e3o da Global Dairy Trade, refer\u00eancia para o mercado internacional, \u00e9 outro fator que refor\u00e7a a tese de que deve haver um freio nas importa\u00e7\u00f5es brasileiras. No leil\u00e3o do dia 1 de novembro, a cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos l\u00e1cteos subiu 11,4%, atingindo US$ 3.327 por t. S\u00f3 o leite em p\u00f3 integral subiu, sozinho, 19,8%, sendo cotado a US$ 3.317 por t. J\u00e1 no leil\u00e3o realizado 15 dias depois houve nova alta, mas menos acentuada, com o leite integral alcan\u00e7ando US$ 3.423 por t.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s quatro meses em alta, a produ\u00e7\u00e3o de leite registrou queda no Sul do Pa\u00eds, resultando em estabilidade na capta\u00e7\u00e3o m\u00e9dia nacional. De setembro para outubro, o \u00cdndice de Capta\u00e7\u00e3o de Leite do Cepea (ICAP-L\/Cepea) teve ligeira alta, de 0,08%. 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