{"id":3213,"date":"2016-12-13T18:24:40","date_gmt":"2016-12-13T20:24:40","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=3213"},"modified":"2016-12-13T18:24:40","modified_gmt":"2016-12-13T20:24:40","slug":"conjuntura-atual-da-producao-de-leite-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/conjuntura-atual-da-producao-de-leite-no-mundo\/","title":{"rendered":"Conjuntura atual da produ\u00e7\u00e3o de leite no mundo"},"content":{"rendered":"<p><em>As incertezas do mercado mundial dever\u00e3o continuar no pr\u00f3ximo ano. O certo, por enquanto, \u00e9 que o crescimento do mercado de l\u00e1cteos dever\u00e1 ocorrer mais pelo aumento da popula\u00e7\u00e3o e menos pelo aumento do consumo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nOs principais fatos que ocorrem na produ\u00e7\u00e3o mundial de leite e os estudos sobre o futuro do setor s\u00e3o acompanhados e realizados por v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es. Uma delas \u00e9 o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que estimou para este ano que est\u00e1 se encerrando uma redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de leite no mundo, se comparada ao que foi produzido em 2015, em especial, na Nova Zel\u00e2ndia, Austr\u00e1lia e Argentina, que s\u00e3o pa\u00edses exportadores de l\u00e1cteos, e retra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no Brasil, um pa\u00eds considerado importador.<\/p>\n<p>Para o CNiel-Centro Nacional Interprofissional de Economia Leiteira da Fran\u00e7a, a produ\u00e7\u00e3o de leite no ano passado reduziu significativamente, em especial, nos pa\u00edses do Hemisf\u00e9rio Sul. Para este ano que est\u00e1 findando, a redu\u00e7\u00e3o no volume ofertado dever\u00e1 continuar e destaca o Brasil, Uruguai, Chile, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia, com volumes de produ\u00e7\u00e3o menores que os alcan\u00e7ados em 2015. Na Argentina houve crescimento de 2,8% no ano passado, por\u00e9m a estimativa \u00e9 de redu\u00e7\u00e3o de 11% neste ano (tabela 1).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/tabela1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3214\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/tabela1.jpg\" alt=\"tabela1\" width=\"690\" height=\"513\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ainda segundo a CNiel, a produ\u00e7\u00e3o de leite dever\u00e1 crescer nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e nos Estados Unidos, que s\u00e3o exportadores, e no M\u00e9xico e Jap\u00e3o, que s\u00e3o importadores de l\u00e1cteos. Nos 28 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, a produ\u00e7\u00e3o de leite cresceu 4,1% considerando os \u00faltimos 12 meses, de setembro de 2015 a setembro de 2016.<\/p>\n<p>Para o Rabobank, a Nova Zel\u00e2ndia, que det\u00e9m 28% do mercado mundial, n\u00e3o deve avan\u00e7ar na produ\u00e7\u00e3o de leite porque a incorpora\u00e7\u00e3o de terras pela atividade \u00e9 limitada e as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o cada dia mais severas, prejudicando a produ\u00e7\u00e3o. Na Europa dever\u00e1 ocorrer estabiliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, e nos Estados Unidos, um aumento acompanhado de crescimento da demanda interna e, portanto, menor disponibilidade de l\u00e1cteos para o mercado internacional.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos anos, as previs\u00f5es indicam que o mercado de l\u00e1cteos dever\u00e1 seguir principalmente as rotas dos acordos comerciais entre os pa\u00edses em detrimento do mercado global individual. No Brasil a redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em 2015 se deu em fun\u00e7\u00e3o do forte aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o e do clima desfavor\u00e1vel em algumas regi\u00f5es produtoras, e essa tend\u00eancia foi mantida no in\u00edcio deste ano.<\/p>\n<p><strong>Oferta, demanda e pre\u00e7o ao produtor<\/strong><br \/>\nO clima e o pre\u00e7o do leite s\u00e3o fatores determinantes para o sucesso da atividade leiteira. Os fatores clim\u00e1ticos mais importantes s\u00e3o a disponibilidade de \u00e1gua e temperaturas amenas para produ\u00e7\u00e3o de forragem destinada \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o do rebanho. Sobre o pre\u00e7o do leite pago ao produtor determina-se o ganho obtido por litro de leite, ou seja, a diferen\u00e7a entre o pre\u00e7o recebido e o custo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A varia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do leite pago ao produtor ocorre no mundo todo e est\u00e1 mais relacionada \u00e0 oferta e \u00e0 demanda do produto no mercado internacional do que ao custo de produ\u00e7\u00e3o. Nos pa\u00edses exportadores e importadores, observa-se a oscila\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do leite ao longo do ano. Por exemplo, nos Estados Unidos, que participam do mercado internacional como exportadores e importadores, nota-se varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o nos \u00faltimos anos (figura 1). Em 2016, reduziu nos cinco primeiros meses do ano, atingindo um valor m\u00e9dio de 0,29 e, em seguida, voltou a crescer, ficando pr\u00f3ximo de 0,35 em agosto. Na China, que \u00e9 importadora de l\u00e1cteos, o pre\u00e7o m\u00e9dio em 2014 e 2015 foi de 0,52; em 2016, reduziu para 0,45 em setembro, como se observa na figura 2.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/figura1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3215\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/figura1.jpg\" alt=\"figura1\" width=\"690\" height=\"490\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/figura2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3216\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/figura2.jpg\" alt=\"figura2\" width=\"690\" height=\"542\" \/><\/a><\/p>\n<p>O pre\u00e7o do leite ao produtor \u00e9 um reflexo do comportamento registrado no mercado mundial. Na Oceania, o leite em p\u00f3 foi negociado a US$ 4.000\/t no in\u00edcio de 2011, chegou a US$ 4.700\/t em mar\u00e7o, e iniciou um per\u00edodo de queda at\u00e9 meados de 2012, quando voltou a subir para US$ 5.700\/t em abril de 2013. Em 2014 houve redu\u00e7\u00e3o e chegou a US$ 2.400\/t. J\u00e1 em 2015 oscilou entre US$ 1.800\/t e US$ 3.400\/t, e em 2016 se observou uma recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, e no m\u00eas passado, em outubro, esteve pr\u00f3ximo de US$ 3.000\/t (figura 3). A varia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do queijo cheddar acompanhou o leite em p\u00f3, por\u00e9m com amplitude menor. No leil\u00e3o GDT, no in\u00edcio de novembro, ocorreu nova alta e o pre\u00e7o m\u00e9dio dos l\u00e1cteos ficou em US$ 3.500\/t.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/figura3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3217\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/figura3.jpg\" alt=\"figura3\" width=\"690\" height=\"373\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na tabela 2 est\u00e1 o volume de l\u00e1cteos negociados no mercado internacional por alguns pa\u00edses. Em 2015, o grande volume de leite em p\u00f3 integral, 1,449 milh\u00e3o de t, foi produzido na Nova Zel\u00e2ndia, e o comprador foi principalmente a China. A Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos venderam mais o leite em p\u00f3 desnatado, tamb\u00e9m para os chineses e outros pa\u00edses. Os maiores exportadores de queijos foram os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, que venderam para R\u00fassia e Jap\u00e3o. A manteiga da Nova Zel\u00e2ndia foi comercializada tamb\u00e9m com a R\u00fassia. O soro de leite em p\u00f3, produzido nos Estados Unidos e Europa, foi quase todo para a China.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/tabela2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3218\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2016\/12\/tabela2.jpg\" alt=\"tabela2\" width=\"690\" height=\"492\" \/><\/a><\/p>\n<p>Segundo recente relat\u00f3rio do Rabobank, o mercado mundial de l\u00e1cteos continuar\u00e1 com dias dif\u00edceis. O com\u00e9rcio de l\u00e1cteos dever\u00e1 diminuir ligeiramente depois de um avan\u00e7o de apenas 0,3% entre 2014 e 2015, resultado do embargo comercial russo, da desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento da China, da redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do fortalecimento do d\u00f3lar, al\u00e9m do aumento da produ\u00e7\u00e3o de leite, ap\u00f3s o fim das cotas na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>O mercado de l\u00e1cteos dever\u00e1 crescer a uma taxa menor do que nos anos recentes porque as quest\u00f5es mencionadas ainda n\u00e3o foram solucionadas. Para o Rabobank, as incertezas do mercado mundial dever\u00e3o continuar no pr\u00f3ximo ano, com a posse de Donald Trump nos EUA e a anula\u00e7\u00e3o prometida da Parceria Transpac\u00edfico, a rela\u00e7\u00e3o comercial entre americanos e russos e o desempenho da economia chinesa, fatores que ser\u00e3o determinantes para o com\u00e9rcio internacional. O certo, por enquanto, \u00e9 que o crescimento do mercado de l\u00e1cteos dever\u00e1 se dar mais pelo aumento da popula\u00e7\u00e3o e menos pelo aumento do consumo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As incertezas do mercado mundial dever\u00e3o continuar no pr\u00f3ximo ano. 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