{"id":3265,"date":"2016-12-22T15:31:02","date_gmt":"2016-12-22T17:31:02","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=3265"},"modified":"2016-12-22T15:31:02","modified_gmt":"2016-12-22T17:31:02","slug":"gir-leiteiro-como-o-proprio-nome-diz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/gir-leiteiro-como-o-proprio-nome-diz\/","title":{"rendered":"Gir Leiteiro, como o pr\u00f3prio nome diz"},"content":{"rendered":"<p><em>Em entrevista exclusiva, Tatiane Tetzner, a m\u00e9dica veterin\u00e1ria e gerente de produto leite Zebu na central CRV Lagoa, descreve o potencial da ra\u00e7a na pecu\u00e1ria leiteira do pa\u00eds<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Nelson Rentero<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O Gir Leiteiro atual \u00e9 fruto de a\u00e7\u00f5es concretas de criadores e selecionadores brasileiros que resgataram a principal fun\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a na \u00cdndia, seu ber\u00e7o de origem, que sempre foi produzir leite. Programas de melhoramento gen\u00e9tico investiram em tal virtude e tem feito animais modernos puros ou para cruzamentos, segundo Tatiana Tetzner, especialista na ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Recentemente lan\u00e7ou o livro <em>Gir Leiteiro: a Nossa Ra\u00e7a<\/em>, reunindo cerca de 15 anos de estudo e conhecimento envolvendo a ra\u00e7a zebu\u00edna. Tais predicados t\u00eam lhe dado o credenciamento como jurada de pista, considerada pioneira como mulher na fun\u00e7\u00e3o. Para isso venceu resist\u00eancia com muita compet\u00eancia e abriu a porta para outras profissionais. J\u00e1 julgou cerca de 100 exposi\u00e7\u00f5es no pa\u00eds e no Exterior, avaliando at\u00e9 hoje mais de 15 mil animais, todos de ra\u00e7as de origem zebu\u00edna, sua especialidade e paix\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre essa experi\u00eancia, o livro e a ra\u00e7a Gir Leiteiro, Tatiane concede esta entrevista exclusiva \u00e0 <strong>Balde Branco<\/strong>. Com pleno conhecimento de causa fala da import\u00e2ncia da ra\u00e7a que tanto admira dentro da pecu\u00e1ria leiteira brasileira, como rebanhos puros e como op\u00e7\u00e3o de cruzamento. D\u00e1 destaque especial \u00e0 recente evolu\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica da ra\u00e7a e os fatores que contribu\u00edram para isso, como o programa de melhoria gen\u00e9tica bancado pela ABCGIL-Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro e Embrapa Gado de Leite.<\/p>\n<p><strong>Balde Branco &#8211; <\/strong><em>Voc\u00ea acaba de lan\u00e7ar o livro <\/em>Gir Leiteiro: a Nossa Ra\u00e7a<em>. O que a levou a tal projeto?<br \/>\n<\/em><br \/>\n<strong>Tatiane Tetzner<\/strong> &#8211; Na realidade o projeto do livro surgiu ao longo dos \u00faltimos anos em viagens por pa\u00edses latino-americanos &#8211; da\u00ed a vers\u00e3o bil\u00edngue, portugu\u00eas e espanhol. Escrevi para atender tanto aos pedidos de pecuaristas e t\u00e9cnicos do Brasil, como de pecuaristas e t\u00e9cnicos dos nossos pa\u00edses vizinhos, que muito me incentivaram nos \u00faltimos anos para registrar o que aprendi sobre o Zebu Leiteiro. Minha trajet\u00f3ria profissional com a ra\u00e7a come\u00e7ou ainda durante a gradua\u00e7\u00e3o em medicina veterin\u00e1ria na Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia e, principalmente, durante est\u00e1gio na Embrapa Gado de Leite, quando conheci o pesquisador M\u00e1rio Luiz Martinez e o m\u00e9dico veterin\u00e1rio Luiz Ronaldo de Oliveira Paula, duas refer\u00eancias no Gir Leiteiro e profissionais dedicados, que muito fizeram para que a ra\u00e7a conquistasse espa\u00e7o na regi\u00e3o tropical de nosso continente. De l\u00e1 para c\u00e1 se passaram 15 anos, um tempo em que muito aprendi sobre o Gir, sua docilidade \u00edmpar, seu olhar incompar\u00e1vel, sua diversidade de pelagem e sua aptid\u00e3o para produzir leite.<\/p>\n<p><strong>BB &#8211; <\/strong><em>Atribuir tal t\u00edtulo ao livro tem um significado de muita responsabilidade ao Gir Leiteiro perante seu papel na pecu\u00e1ria leiteira brasileira. A sra. poderia explicar um pouco desta sua cren\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p><strong>TT<\/strong> <strong>&#8211;<\/strong> A pecu\u00e1ria de leite no Brasil tem se modernizado e atingido patamares excepcionais nas \u00faltimas d\u00e9cadas. No entanto, vivemos a realidade de um pa\u00eds continente e com isso temos diversidades edafoclim\u00e1ticas, predominando o clima tropical, quente e semi\u00famido, com uma esta\u00e7\u00e3o chuvosa no ver\u00e3o e outra seca no inverno. Isso requer um gado que se adapte \u00e0s essas condi\u00e7\u00f5es. Com isso, a pecu\u00e1ria brasileira precisa de ra\u00e7as que possam contribuir com sua gen\u00e9tica para sistema de produ\u00e7\u00e3o a pasto, n\u00e3o s\u00f3 como ra\u00e7a pura, mas tamb\u00e9m em cruzamentos, pois otimizar os recursos existentes, como as pastagens, pode ser o ponto chave para o sucesso na atividade. \u00c9 o que tem provado as ra\u00e7as zebu\u00ednas, adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es tropicais, em regimes de produ\u00e7\u00e3o de leite a pasto, extensivo ou semi extensivo. O gado zebu\u00edno transforma muito bem a forragem em prote\u00edna animal de elevado valor biol\u00f3gico. Digo tudo isso, para chegar ao ponto essencial: o Gir Leiteiro tem papel fundamental na pecu\u00e1ria leiteira brasileira. Se analisarmos os hist\u00f3ricos produtivos e de persist\u00eancia de lacta\u00e7\u00e3o das vacas Girolando nas d\u00e9cadas de 70, 80 e 90 e compararmos com os atuais, ap\u00f3s a evolu\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o do Gir Leiteiro, vamos concluir que temos um gado Girolando moderno, com excelente conforma\u00e7\u00e3o funcional, capacidade corporal, sistema mam\u00e1rio com excepcional forma e volume, aparato suspensor forte e tetos corrigidos ao longo das gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>BB<\/strong> <em>\u2013 Qual o papel do Programa Nacional de Melhoramento Gen\u00e9tico nesse avan\u00e7o?<\/em><\/p>\n<p><strong>TT &#8211; <\/strong>O programa, atrav\u00e9s do teste de prog\u00eanie, auxiliou os selecionadores a definirem seus objetivos de sele\u00e7\u00e3o. E com a identifica\u00e7\u00e3o de touros melhoradores em produ\u00e7\u00e3o de leite e de caracter\u00edsticas de conforma\u00e7\u00e3o funcional linear, ganharam precis\u00e3o os acasalamentos dirigidos, juntamente com a sele\u00e7\u00e3o de doadoras e cruzamentos. Todos esses passos resultaram no Girolando atual, fruto do cruzamento do melhor do Gir Leiteiro com o melhor do Holand\u00eas mundial. A contribui\u00e7\u00e3o do Gir Leiteiro para com o Girolando \u00e9 not\u00f3ria. No passado, a ra\u00e7a Gir somente contribu\u00eda nos cruzamentos com caracter\u00edsticas de rusticidade, longevidade, resist\u00eancia a endo e ectoparasitas e adapta\u00e7\u00e3o a condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas; hoje, o Gir Leiteiro contribui tamb\u00e9m com caracter\u00edsticas de conforma\u00e7\u00e3o funcional, como capacidade corporal, for\u00e7a leiteira, caracter\u00edsticas evolutivas em sistema mam\u00e1rio, bons aprumos e, claro, com maior produ\u00e7\u00e3o de leite e persist\u00eancia de lacta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>BB \u2013 <\/strong><em>Sabemos, ent\u00e3o, que o Gir Leiteiro \u00e9 uma das ra\u00e7as que mais tem se destacado em evolu\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica no pa\u00eds. Quais fatores que a levaram ao atual status?<\/em><\/p>\n<p><strong>TT<\/strong> &#8211; O Gir Leiteiro atual \u00e9 fruto de a\u00e7\u00f5es concretas de criadores e selecionadores brasileiros que resgataram a principal fun\u00e7\u00e3o do Gir na \u00cdndia, seu ber\u00e7o de origem, que sempre foi produzir leite. No Brasil, por d\u00e9cadas, alguns criadores desvirtuaram um pouco e selecionaram para produ\u00e7\u00e3o de carne ou para dupla aptid\u00e3o. No entanto, est\u00e1 no DNA da ra\u00e7a Gir produzir leite, desde os prim\u00f3rdios j\u00e1 apresentava aptid\u00e3o leiteira, segundo relatos de indianos. Acredito que os principais fatores que levaram o Gir Leiteiro ao seu atual est\u00e1gio \u00e9 a somat\u00f3ria de esfor\u00e7os de criadores, pesquisadores e t\u00e9cnicos em tra\u00e7arem claramente os objetivos de sele\u00e7\u00e3o, o in\u00edcio do teste de prog\u00eanie e desenvolvimento do programa de melhoramento gen\u00e9tico com foco em produ\u00e7\u00e3o de leite e o controle leiteiro oficial dos rebanhos. Esse conhecimento dos touros melhoradores somado aos criteriosos programas de sele\u00e7\u00e3o de doadoras e acasalamentos dirigidos resultam em prog\u00eanies superiores, e com isso a busca constante da evolu\u00e7\u00e3o em tipo funcional e produtividade.<\/p>\n<p><strong>BB &#8211;\u00a0 <\/strong><em>Na produ\u00e7\u00e3o de leite comercial, o Gir Leiteiro deve prevalecer mesmo como matriz produtora ou como op\u00e7\u00e3o para cruzamento?<\/em><\/p>\n<p><strong>TT<\/strong> &#8211; Dependendo do sistema de produ\u00e7\u00e3o, a matriz produtora de leite pode ser a f\u00eamea Gir Leiteiro mesmo. Ou, ent\u00e3o, essa f\u00eamea pode ainda contribuir com sua gen\u00e9tica para os cruzamentos e a obten\u00e7\u00e3o da f\u00eamea F1, que vai produzir leite em maior quantidade em fun\u00e7\u00e3o da heterose ou vigor h\u00edbrido. No entanto, est\u00e3o surgindo nichos de mercado interessantes quanto \u00e0 qualidade do leite e derivados l\u00e1cteos que podem inserir as matrizes Gir Leiteiro como produtoras de um leite n\u00e3o alerg\u00eanico, especial para pessoas intolerantes ao leite de uma forma geral, o leite A2. Estudos realizados com animais Gir Leiteiro apontaram que a ra\u00e7a apresenta uma maior frequ\u00eancia do alelo A2, em torno de 90%, em compara\u00e7\u00e3o com outras ra\u00e7as leiteiras. A Embrapa Gado de Leite realizou a genotipagem dos touros provados e touros em teste de prog\u00eanie, com previs\u00e3o de resultados para os pr\u00f3ximos anos. A sele\u00e7\u00e3o de touros e matrizes genotipados beta case\u00edna A2A2 ir\u00e1 garantir a melhor utiliza\u00e7\u00e3o nos acasalamentos em rebanhos que visam a produ\u00e7\u00e3o de leite com maior valor agregado.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p><em>Leia a \u00edntegra desta entrevista na edi\u00e7\u00e3o <strong>Balde Branco<\/strong> 626, de dezembro 2016. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista exclusiva, Tatiane Tetzner, a m\u00e9dica veterin\u00e1ria e gerente de produto leite Zebu na central CRV Lagoa, descreve o potencial da ra\u00e7a na pecu\u00e1ria leiteira do pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3265","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3265\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}