{"id":3574,"date":"2017-02-01T22:59:08","date_gmt":"2017-02-02T00:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=3574"},"modified":"2017-02-01T22:59:08","modified_gmt":"2017-02-02T00:59:08","slug":"vaca-jersolanda-reduz-emissoes-de-gee","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/vaca-jersolanda-reduz-emissoes-de-gee\/","title":{"rendered":"Vaca Jersolanda reduz emiss\u00f5es de GEE"},"content":{"rendered":"<p><em>Vacas oriundas do cruzamento entre animais Jersey e Holandesa apresentam menor emiss\u00e3o de gases de efeito estufa (GEE) em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 ra\u00e7a Holandesa<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong> Por Gisele Rosso, jornalista da Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste<\/strong><\/p>\n<p>Foi o que mostrou pesquisa realizada na Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste, de S\u00e3o Carlos-SP. Apesar de as duas ra\u00e7as apresentarem emiss\u00f5es compat\u00edveis com os melhores sistemas internacionais, a Jersolanda teve menor emiss\u00e3o por vaca e por quilo de leite produzido, este \u00faltimo medido no per\u00edodo de um ano de experimento.<\/p>\n<p>No estudo, coordenado pela pesquisadora da Embrapa Patr\u00edcia Anch\u00e3o, a avalia\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es foi realizada entre as vacas Holandesas e Jersolandas em lacta\u00e7\u00e3o em dois sistemas de pastejo diferentes: extensivo com baixa taxa de lota\u00e7\u00e3o e intensivo irrigado com taxa de lota\u00e7\u00e3o alta. Ao todo, foram observadas 24 vacas leiteiras: 12 Holandesas e 12 Jersolandas e as avalia\u00e7\u00f5es foram conduzidas durante o per\u00edodo total de duas lacta\u00e7\u00f5es, aproximadamente 300 dias. As medi\u00e7\u00f5es foram feitas tr\u00eas vezes durante cada per\u00edodo de lacta\u00e7\u00e3o, no inverno, primavera e ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Tanto no sistema extensivo como no intensivo, a ra\u00e7a Jersolanda apresentou menor emiss\u00e3o de GEE ao dia. Considerando-se o balan\u00e7o de carbono, a Jersolanda emitiu entre 9% e 13% menos metano que a Holandesa, dependendo do grau de intensifica\u00e7\u00e3o dos piquetes. Al\u00e9m disso, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de lota\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel ter uma vaca a mais por hectare, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 Holandesa.<\/p>\n<p>De acordo com Patr\u00edcia, embora a produ\u00e7\u00e3o de leite n\u00e3o tenha demonstrado diferen\u00e7a entre as duas ra\u00e7as, ambas mantiveram m\u00e9dia de 25 quilos ao dia, a emiss\u00e3o de metano da Jersolanda foi menor por quilo de leite produzido em uma das lacta\u00e7\u00f5es avaliadas. Mesmo assim, a pesquisadora destaca que as emiss\u00f5es das vacas holandesas est\u00e3o pr\u00f3ximas das observadas em outros pa\u00edses, em torno de 18 gramas de metano emitido para cada quilo de leite produzido.<\/p>\n<p>Para a ind\u00fastria l\u00e1ctea e para o produtor, dois fatores que podem fazer a diferen\u00e7a s\u00e3o o teor de gordura e o teor de prote\u00edna no leite. Tanto o teor de gordura, quanto o de prote\u00edna afetam o pre\u00e7o final do produto ao pecuarista, que recebe uma bonifica\u00e7\u00e3o pela qualidade da mat\u00e9ria-prima fornecida aos latic\u00ednios. Esses teores est\u00e3o relacionados ao rendimento industrial para fabrica\u00e7\u00e3o de queijos, por exemplo. O teor de gordura n\u00e3o diferiu entre as ra\u00e7as, mas a vaca Jersolanda produziu leite com teor de prote\u00edna superior ao da vaca Holandesa.<\/p>\n<p>A pesquisa ainda estimou a quantidade necess\u00e1ria de \u00e1rvores para neutralizar a emiss\u00e3o por quilos de leite produzidos por hectare. Em sistemas intensivos, seriam necess\u00e1rias cerca de 40 \u00e1rvores para neutralizar as emiss\u00f5es de uma vaca Jersolanda. J\u00e1 no caso da holandesa, o produtor teria que plantar 12 \u00e1rvores a mais, no total de 52, para ocorrer a neutraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador Alexandre Berndt, a menor emiss\u00e3o pode estar relacionada a algumas caracter\u00edsticas da vaca Jersolanda. Uma delas \u00e9 o tamanho do animal: os mesti\u00e7os Jersolando s\u00e3o menores que os Holandeses. Conforme Berndt, animais de menor porte, geralmente, comem menos e, por consequ\u00eancia, emitem menos gases de efeito estufa. Como as vacas Jersolandas produziram a mesma quantidade de leite que as holandesas em uma das lacta\u00e7\u00f5es, a emiss\u00e3o por litro de leite ficou menor para os animais do primeiro grupo.<\/p>\n<p>De acordo com o especialista, a pesquisa indica mais um caminho para a redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa na pecu\u00e1ria. Ou seja, as vacas Jersolanda podem ser uma alternativa para que os sistemas de produ\u00e7\u00e3o de leite brasileiros registrem menores emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>No Brasil, a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa proveniente da fermenta\u00e7\u00e3o do sistema digest\u00f3rio no setor pecu\u00e1rio est\u00e1 estimada em 18,4%. A agropecu\u00e1ria \u00e9 respons\u00e1vel por 32% das emiss\u00f5es nacionais, segundo estimativas anuais de emiss\u00f5es de GEE, do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) de 2016.<\/p>\n<p>A Embrapa estuda formas para reduzir essas emiss\u00f5es com ado\u00e7\u00e3o de sistemas integrados, como integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta (ILPF), recupera\u00e7\u00e3o de pastagens degradadas, uso de aditivos na nutri\u00e7\u00e3o, eleva\u00e7\u00e3o da lota\u00e7\u00e3o animal e aumento da produtividade em sistemas de produ\u00e7\u00e3o. No entanto, as avalia\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ra\u00e7as ainda \u00e9 pouco comum e pode ser mais uma alternativa de mitiga\u00e7\u00e3o, de acordo com o pesquisador, para quem o sucesso dessa abordagem ainda vai depender dos resultados de mais experimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vacas oriundas do cruzamento entre animais Jersey e Holandesa apresentam menor emiss\u00e3o de gases de efeito estufa (GEE) em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 ra\u00e7a Holandesa<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3574","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3574\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}