{"id":3704,"date":"2017-02-21T23:52:20","date_gmt":"2017-02-22T02:52:20","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=3704"},"modified":"2017-02-21T23:52:20","modified_gmt":"2017-02-22T02:52:20","slug":"leite-indicadores-para-2017-aqui-e-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-indicadores-para-2017-aqui-e-no-exterior\/","title":{"rendered":"Leite: indicadores para 2017 aqui e no exterior"},"content":{"rendered":"<p><em>O Brasil dever\u00e1 ser exce\u00e7\u00e3o na tend\u00eancia mundial de queda para a produ\u00e7\u00e3o de leite neste ano. A aposta est\u00e1 na grande produ\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os e na recupera\u00e7\u00e3o das margens, que dever\u00e1 levar a uma retomada da atividade<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O ano de 2017 come\u00e7ou, e junto com ele a expectativa de tempos melhores, principalmente na economia brasileira. Um dos melhores motivos \u00e9 o recorde da produ\u00e7\u00e3o nacional de gr\u00e3os, divulgada pela Conab\u00ad-Companhia Nacional de Abastecimento. A estimativa para a safra plantada em 2016 e que ser\u00e1 colhida neste ano \u00e9 de 215,3 milh\u00f5es de t. A previs\u00e3o favorece a expectativa de que o PIB da agropecu\u00e1ria poder\u00e1 crescer 5% no primeiro e segundo trimestre, e at\u00e9 de 7% a 10% no ano.<\/p>\n<p>O impacto da agropecu\u00e1ria no PIB total tem efeito mul\u00adtiplicador em outros setores, por favorecer a compra de insumos da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, da carne e leite, como \u00e9 a aquisi\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos, fertilizantes, m\u00e3o de obra, transportes etc. O aumento da renda na agropecu\u00e1ria amplia a demanda por bens de consumo. Outro bom motivo para o otimismo \u00e9 de que o ano de 2016 fechou com redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e da taxa de juros, em compara\u00e7\u00e3o com 2015.<\/p>\n<p><strong>Brasil far\u00e1 a diferen\u00e7a<\/strong><br \/>\nA tend\u00ean\u00adcia mundial para a produ\u00e7\u00e3o de leite \u00e9 de queda, mas o Brasil pode ser a exce\u00e7\u00e3o neste cen\u00e1rio. A baixa demanda dos principais pa\u00edses im\u00adportadores de l\u00e1cteos, somada aos pre\u00e7os baixos pagos ao produtor, projeta um cen\u00e1rio de retra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, mas no Brasil, a produ\u00ad\u00e7\u00e3o tende a se recuperar, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento.<\/p>\n<p>O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prev\u00ea que o crescimento da produ\u00e7\u00e3o de leite na Uni\u00e3o Europeia desacelere. As primeiras estimativas apontam crescimento de apenas de 0,3% (a menor taxa em oito anos), em parte, explicado pela baixa demanda do mercado chin\u00eas.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3705\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/02\/fig1.jpg\" alt=\"fig1\" width=\"690\" height=\"515\" \/><br \/>\nNa Nova Zel\u00e2ndia, que \u00e9 a maior exportadora de l\u00e1cte\u00ados, em decorr\u00eancia de fatores clim\u00e1ticos verificados, pode ocorrer um decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o, com diminui\u00e7\u00e3o de at\u00e9 6% da produ\u00e7\u00e3o total. Na Austr\u00e1lia, os produtores est\u00e3o sofrendo com a alta dos custos de produ\u00e7\u00e3o e, portanto, n\u00e3o devem aumentar o volume produzido. Os Estados Uni\u00addos, que mantiveram crescimento por muitos anos, passa por uma redu\u00e7\u00e3o da margem l\u00edquida, o que dever\u00e1 frear o crescimento da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica do Sul, a Argentina, com chuvas em exces\u00adso, demanda interna fraca e baixos pre\u00e7os internacionais, sinaliza para um primeiro semestre de 2017 sem crescimen\u00adto. O Uruguai, que tamb\u00e9m sofreu com varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e forte queda nos pre\u00e7os em 2016, prev\u00ea aumento no custo de produ\u00e7\u00e3o, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao concentrado, que pode limitar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil a produ\u00e7\u00e3o de leite manteve o crescimento por d\u00e9cadas, por\u00e9m, nos \u00faltimos anos, o aumento do volume foi muito pequeno. O Sul foi a regi\u00e3o que apresentou a maior taxa de mudan\u00e7a, como pode ser observado na figura 1, e responde por 35,1% da produ\u00e7\u00e3o nacional. O Sudeste \u00e9 a segunda regi\u00e3o em produ\u00e7\u00e3o, com volume que totaliza 34,0% do total.<\/p>\n<p>Com a expectativa da grande produ\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os e diante de um cen\u00e1rio de recupera\u00e7\u00e3o das margens, pode ocorrer uma retomada da atividade. Contribui para esta expectativa positiva a queda esperada nos pre\u00e7os do milho e do farelo de soja, que s\u00e3o dois importantes componentes da alimenta\u00e7\u00e3o concentrada, principalmente para rebanhos leiteiros.<\/p>\n<p><strong>Sobre o pre\u00e7o do leite<\/strong><br \/>\nO Rabobank projeta que os pre\u00e7os globais dos produtos l\u00e1cteos voltar\u00e3o a subir no primeiro semestre, acima de US$ 3.000\/t, podendo chegar no final do ano com valores de US$ 3.400\/t. Esta perspectiva pode ser atribu\u00edda, em parte, \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o no ritmo da produ\u00e7\u00e3o e ao reflexo do prolongado per\u00edodo de pre\u00e7os baixos. Entretanto, os elevados estoques mundiais e a demanda enfraquecida poder\u00e3o manter os pre\u00e7os no mesmo patamar.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o do leite pago ao produtor brasileiro, corrigido pela infla\u00e7\u00e3o de 2016, foi semelhante a 2015. Em 2016 o pre\u00e7o aumentou de maio at\u00e9 agosto em cerca de US$ 50\/100kg de leite devido \u00e0 falta de oferta, que foi 6% menor que no ano anterior. Na figura 2 est\u00e1 representada a m\u00e9dia brasileira do pre\u00e7o bruto pago ao produtor. Em 2015, o pre\u00e7o m\u00e9dio foi de R$ 1,02\/litro, e em 2016, de R$ 1,34, com pico de alta em setembro de R$ 1,63\/litro e o menor valor em janeiro com R$ 1,06 por litro de leite.<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3706\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/02\/fig2.jpg\" alt=\"fig2\" width=\"690\" height=\"362\" \/><br \/>\nImporta\u00e7\u00f5es de produtos l\u00e1cteos<\/strong><br \/>\nEm 2015 e 2016 ocorreram grandes importa\u00e7\u00f5es de produtos l\u00e1cteos, cerca de 200 milh\u00f5es de litros por m\u00eas, mas provavelmente diminuir\u00e3o \u00e0 medida que a diferen\u00e7a entre o pre\u00e7o nacional e mundial for diminuindo.<\/p>\n<p>A Nova Zel\u00e2ndia est\u00e1 exportando para mais de 140 mercados, sendo a China o maior comprador, com 21% do total comercializado. Um dos principais produtos \u00e9 o WMP, concentrado proteico de soro para a recombina\u00e7\u00e3o ou usado diretamente na formula\u00e7\u00e3o de produtos infantis.<\/p>\n<p>O Brasil dever\u00e1 continuar comprando no mercado internacional. Se os pre\u00e7os dos l\u00e1cteos mantiverem o patamar atual ser\u00e1 mais atrativo para a ind\u00fastria importar a mat\u00e9ria-prima que comprar no Pa\u00eds. O leite \u00e9 um produto que apresenta alta volatilidade dos pre\u00e7os e o mercado responde direta e rapidamente \u00e0 oferta do produto, e qualquer oscila\u00e7\u00e3o pode causar um grande impacto, principalmente no setor prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 desafiador realizar alguma proje\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais precisa para o leite em 2017, principalmente no mercado brasileiro, onde os produtores n\u00e3o atuam na forma\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e os consumidores realizam suas compras com base na renda e na praticidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil dever\u00e1 ser exce\u00e7\u00e3o na tend\u00eancia mundial de queda para a produ\u00e7\u00e3o de leite neste ano. 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