{"id":4019,"date":"2017-04-03T19:03:25","date_gmt":"2017-04-03T22:03:25","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=4019"},"modified":"2017-04-03T19:03:25","modified_gmt":"2017-04-03T22:03:25","slug":"leite-demanda-fraca-reprime-alta-nos-precos-ao-produtor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-demanda-fraca-reprime-alta-nos-precos-ao-produtor\/","title":{"rendered":"Leite: demanda fraca reprime alta nos pre\u00e7os ao produtor"},"content":{"rendered":"<p>O pre\u00e7o recebido pelos produtores sobe pelo segundo m\u00eas consecutivo, seguindo o ritmo de queda na produ\u00e7\u00e3o de leite no campo. <!--more-->Por\u00e9m, a demanda enfraquecida por grande parte dos derivados l\u00e1cteos tem reprimido o aumento dos pre\u00e7os da mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>Segundo pesquisas do Cepea-Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada, da Esalq\/USP, o pre\u00e7o m\u00e9dio recebido pelo produtor na \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d (sem frete e impostos) foi de R$ 1,2326\/litro, crescimento de 1,4% (ou de 1,7 centavos) em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro. No m\u00eas anterior, a valoriza\u00e7\u00e3o foi de 1,9% (ou de 2,3 centavos). Quando comparada com o mesmo per\u00edodo do ano passado o aumento real \u00e9 de 13,4% (valores deflacionados pelo IPCA de fevereiro\/17).<\/p>\n<p>O pre\u00e7o bruto m\u00e9dio do leite (que inclui frete e impostos) tamb\u00e9m subiu 1,4% de um m\u00eas para outro, passando para R$ 1,3405\/litro. As m\u00e9dias calculadas pelo Cepea s\u00e3o ponderadas pelo volume captado em fevereiro nos estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA.<\/p>\n<p>Segundo os colaboradores, a melhora na demanda que deveria ocorrer com o fim das f\u00e9rias escolares est\u00e1 abaixo do esperado. E com a mat\u00e9ria-prima valorizada no campo, o repasse desse aumento para o consumidor tem dificultado bastante as vendas. Resultado disso \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de estoques de alguns derivados (principalmente os queijos mussarela e prato) e uma maior press\u00e3o nos pre\u00e7os por parte do consumidor.<\/p>\n<p>A capta\u00e7\u00e3o de leite continuou em queda, pelo terceiro m\u00eas seguido, em todos dos estados analisados, refletindo o adiantamento do per\u00edodo da entressafra. De fevereiro para mar\u00e7o, o \u00cdndice de Capta\u00e7\u00e3o de Leite do Cepea diminuiu 3,1%, com destaque para Minas Gerais e Santa Catarina, com significativas quedas de 5,05% e 3,98%, respectivamente. Para os agentes de mercado, o aumento dos pre\u00e7os s\u00f3 n\u00e3o foi menor devido \u00e0 competi\u00e7\u00e3o por alguns produtores que continua acirrada em algumas regi\u00f5es produtoras.<\/p>\n<p>Para abril, representantes de latic\u00ednios\/cooperativas consultados pelo Cepea apontam novo aumento nos pre\u00e7os do leite, por\u00e9m as possibilidades de estabilidade no curto-m\u00e9dio prazo ganham for\u00e7a por conta da citada demanda enfraquecida.\u00a0 No mercado de derivados, uma ligeira melhora na demanda na segunda quinzena do m\u00eas de mar\u00e7o permitiu o avan\u00e7o dos pre\u00e7os na m\u00e9dia mensal.<\/p>\n<p>Os estoques de queijo mussarela ainda preocupam os agentes de mercado, por\u00e9m o leve aumento nas vendas contribui positivamente para as expectativas do pr\u00f3ximo m\u00eas. Os pre\u00e7os m\u00e9dios do leite UHT e do queijo mussarela negociados no atacado de S\u00e3o Paulo em foram de R$ 2,59\/litro e R$ 15,16\/kg, respectivamente, aumentos de 4,8% e 1,9% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00e9dias de fevereiro.<\/p>\n<p><strong>Sinais de recupera\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os<\/strong><br \/>\n\u201cCom a produ\u00e7\u00e3o em queda nas principais regi\u00f5es produtoras, aumenta a concorr\u00eancia entre os latic\u00ednios pela capta\u00e7\u00e3o de leite cru\u201d, conta o analista de mercado da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro. \u201cOs pre\u00e7os dos l\u00e1cteos est\u00e3o firmes e em alta no atacado\u201d, cita ele. O movimento de alta no pre\u00e7o do leite ao produtor e demais elos (atacado e varejo) dever\u00e1 ganhar for\u00e7a com a entressafra no Brasil Central e regi\u00e3o Sudeste.<\/p>\n<p>Refor\u00e7ando tal tend\u00eancia, dados do MilkPoint Radar refor\u00e7am os sinais de aumento nos pre\u00e7os l\u00edquidos recebidos pelos produtores. Ao analisar os n\u00fameros do grupo de participantes do aplicativo referentes ao pagamento de mar\u00e7o (com fornecimento de leite em fevereiro) apontava um pre\u00e7o l\u00edquido m\u00e9dio de R$ 1,3628\/litro, cerca de 2 centavos mais alto do que o de fevereiro, para os mesmos produtores.<\/p>\n<p>No mercado spot, os pre\u00e7os tamb\u00e9m subiram na primeira quinzena de mar\u00e7o. Ribeiro revela que os neg\u00f3cios ocorreram, em m\u00e9dia, a R$ 1,502 por litro, posto na plataforma, mas que os maiores valores chegaram a R$ 1,650. \u201cHouve alta de 7% na compara\u00e7\u00e3o com a segunda quinzena de fevereiro deste ano. O pre\u00e7o vigente est\u00e1 14% acima da m\u00e9dia do mesmo per\u00edodo de 2016\u201d, cita ele.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais e em Goi\u00e1s, os pre\u00e7os m\u00e9dios ficaram em R$ 1,492 e R$ 1,368 por litro, respectivamente. A produ\u00e7\u00e3o nacional est\u00e1 em queda desde o final de 2016 nas principais bacias leiterias do pa\u00eds, o que aumenta a concorr\u00eancia por mat\u00e9ria-prima pelos latic\u00ednios. Da\u00ed a valoriza\u00e7\u00e3o do leite comercializado entre ind\u00fastrias. Em curto e m\u00e9dio prazos, a expectativa \u00e9 de alta do leite no mercado spot, assim como para o produtor.<\/p>\n<p><strong>Baixa no mercado e nos custos<\/strong><br \/>\nJuliana Pila, analista de mercado da Scot Consultoria, revela expectativa de pre\u00e7os praticamente est\u00e1veis para o leite em p\u00f3 at\u00e9 agosto no mercado internacional. Como refer\u00eancia, ela utiliza a cota\u00e7\u00e3o obtida no leil\u00e3o do \u00faltimo dia 21 de mar\u00e7o na plataforma Global Dairy Trade, refer\u00eancia no mercado internacional. Em m\u00e9dia, os produtos l\u00e1cteos ficaram cotados em US$ 3.101 por t. O leite em p\u00f3 integral foi negociado, em m\u00e9dia, por US$ 2.855 por t, frente ao US$ 2.782 na quinzena anterior.<\/p>\n<p>O volume de vendas de produtos l\u00e1cteos totalizou 22.498 t no citado leil\u00e3o, 10,3% a mais que o volume comercializado em igual per\u00edodo do ano passado. \u201cAt\u00e9 agosto, as cota\u00e7\u00f5es dever\u00e3o variar entre US$ 2.841 e US$ 2.857 por t\u201d, diz ela. Na contram\u00e3o dessa tend\u00eancia ficou o caso do leite em p\u00f3 desnatado, cujo pre\u00e7o m\u00e9dio obtido foi de US$ 1.948 por t, uma expressiva queda de 10,1%, frente ao leil\u00e3o anterior, o que puxou o valor m\u00e9dio dos l\u00e1cteos para baixo.<\/p>\n<p>J\u00e1 sobre os custos de produ\u00e7\u00e3o do leite por aqui, as an\u00e1lises do Cepea e da Embrapa indicam que iniciaram 2017 em queda, dando continuidade ao movimento observado desde setembro\/16. O custo operacional efetivo, que considera os gastos correntes da propriedade, caiu 0,68%, enquanto o custo operacional total, que engloba pr\u00f3-labore e deprecia\u00e7\u00f5es, 0,48% em janeiro, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior.<\/p>\n<p>A press\u00e3o veio principalmente dos concentrados, que se desvalorizaram 2,3% em igual comparativo. O principal motivo para esta retra\u00e7\u00e3o nos custos se deu pela queda de pre\u00e7os na ra\u00e7\u00e3o para vaca e nos farelos de soja, milho, trigo e algod\u00e3o. Isto fez com que o grupo de concentrados tivesse queda de -3,05% no m\u00eas. O grupo produ\u00e7\u00e3o e compra de volumosos, tamb\u00e9m apresentou queda de -1,18%, dada a redu\u00e7\u00e3o do custo de silagem.<\/p>\n<p>Por outro lado, o reajuste m\u00e9dio de 6,47% no sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional limitou as quedas nos custos. Apesar da queda nos desembolsos menores, a demanda por insumos segue enfraquecida, refletindo a redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de leite, decorrente do clima adverso \u2013 seca em dezembro\/16 e chuvas em excesso em janeiro\/17.<\/p>\n<p>Por fim, o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica divulgou no dia 15 de mar\u00e7o os dados da Pesquisa Trimestral do Leite, referente ao volume de leite adquirido pelos latic\u00ednios com inspe\u00e7\u00e3o. Entre outubro e dezembro do ano passado foram captados 6,24 bilh\u00f5es de litros de leite no pa\u00eds, 0,8% menos na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo de 2015. No acumulado de 2016, o volume totalizou 23,17 bilh\u00f5es de litros de leite. Houve queda de 3,7% em rela\u00e7\u00e3o a capta\u00e7\u00e3o de 2015.<\/p>\n<p>\u201cFoi o segundo ano consecutivo de queda na produ\u00e7\u00e3o nacional. Lembrando que em 2015 o volume captado havia ca\u00eddo 2,8% frente a 2014. A oferta de leite mais restrita \u00e9 um fator de sustenta\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os no mercado brasileiro\u201d, conclui Ribeiro.<\/p>\n<p><strong>Tabela 1<\/strong><br \/>\nPre\u00e7os pagos pelos latic\u00ednios (brutos) e recebidos pelos produtores (l\u00edquido) em MAR\u00c7O\/17 referentes ao leite entregue em FEVEREIRO\/17<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4020\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/04\/tabela1-1024x535.png\" alt=\"tabela1\" width=\"1024\" height=\"535\" \/><em>Fonte: Cepea-Esalq\/USP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pre\u00e7o recebido pelos produtores sobe pelo segundo m\u00eas consecutivo, seguindo o ritmo de queda na produ\u00e7\u00e3o de leite no campo.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4019","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4019"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4019\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}