{"id":4466,"date":"2017-06-01T21:43:53","date_gmt":"2017-06-02T00:43:53","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=4466"},"modified":"2017-06-01T21:43:53","modified_gmt":"2017-06-02T00:43:53","slug":"leite-entressafra-eleva-preco-ao-produtor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-entressafra-eleva-preco-ao-produtor\/","title":{"rendered":"Leite: entressafra eleva pre\u00e7o ao produtor"},"content":{"rendered":"<p>Contrariando a expectativa de agentes, que acreditavam em estabilidade, o pre\u00e7o do leite recebido por produtores subiu em maio (referente ao produto entregue em abril) pelo quarto m\u00eas seguido. <!--more-->De acordo com c\u00e1lculos do Cepea-Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada, da Esalq\/USP, o pre\u00e7o l\u00edquido (que n\u00e3o considera frete e impostos) subiu 1,5 centavo\/litro (ou 1,2%) de abril para maio, chegando a R$ 1,2735\/litro na \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d (que considera os estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA). A alta est\u00e1 atrelada \u00e0 entressafra da produ\u00e7\u00e3o leiteira.<\/p>\n<p>De acordo com o \u00cdndice de Capta\u00e7\u00e3o de Leite do Cepea (ICAP-L\/Cepea), a produ\u00e7\u00e3o em abril foi 1,1% menor que a de mar\u00e7o na \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d, indicando a menor disponibilidade sazonal de leite no campo. Contudo, a valoriza\u00e7\u00e3o do leite continua limitada pela fraca demanda na ponta final da cadeia. O menor poder de compra de consumidores brasileiros tem reduzido o consumo de l\u00e1cteos e, consequentemente, pressionado as cota\u00e7\u00f5es ao longo de toda a cadeia.<\/p>\n<p>Segundo pesquisa do Cepea, realizada com o apoio financeiro da OCB-Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas Brasileiras, o valor do leite UHT negociado no mercado atacadista do estado de S\u00e3o Paulo (o maior do Pa\u00eds) caiu 0,79% de abril para maio, com m\u00e9dia de R$ 2,61\/litro. Pesquisadores do Cepea indicam que essa queda sinaliza a dificuldade de o mercado absorver novas altas, tanto dos derivados l\u00e1cteos quanto da mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais e Goi\u00e1s, o ICAP-L registrou as maiores quedas dentre os estados acompanhados pelo Cepea, de 2,8% e de 2,1%, respectivamente, de mar\u00e7o para abril. Mesmo com a menor oferta no campo, a dificuldade no repasse das altas ao consumidor limitou a valoriza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima no estado mineiro, que foi de apenas 0,96% de abril para maio. Em Goi\u00e1s, os pre\u00e7os do leite ao produtor ficaram praticamente est\u00e1veis, com leve queda de 0,17%.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo e no Rio Grande do Sul, a capta\u00e7\u00e3o recuou 0,9% e 0,7%, respectivamente, mas em Santa Catarina e no Paran\u00e1, a produ\u00e7\u00e3o aumentou 0,1% e 1,7%. A baixa disponibilidade de leite nesses estados acirrou a competi\u00e7\u00e3o entre latic\u00ednios. Como consequ\u00eancia em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo, os pre\u00e7os registraram alta acima da observada para a \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d (de 2,15%, 1,97%, 1,92% e 1,56%, na mesma ordem).<\/p>\n<p>Segundo agentes, a produ\u00e7\u00e3o no Sul deve se elevar no pr\u00f3ximo m\u00eas, devido ao clima favor\u00e1vel, aos pre\u00e7os acess\u00edveis de gr\u00e3os para a alimenta\u00e7\u00e3o do rebanho e tamb\u00e9m \u00e0s pastagens de inverno, cen\u00e1rio que, por sua vez, pode pressionar as cota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim, a maioria dos agentes entrevistados (43,5%), que representa 63,3% do leite amostrado, acredita em queda de pre\u00e7os do leite ao produtor para junho. Outros 35,2%, que representam 30,2% do volume amostrado, indicam estabilidade, e 21,3% dos colaboradores (que t\u00eam participa\u00e7\u00e3o de 6,5% do volume) apostam em nova alta nas cota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Queda nas exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es &#8211; <\/strong>As exporta\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos pelo Brasil, segundo o Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os, totalizou US$ 4,20 milh\u00f5es em abril. Na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior, o faturamento diminuiu 61,6%. O volume embarcado reduziu na mesma propor\u00e7\u00e3o. Passou de 4,62 mil t em mar\u00e7o para 1,61 mil t em abril, queda de 65,2%. O produto mais exportado foi o leite em p\u00f3, que somou 926,7 t e US$ 1,99 milh\u00e3o em faturamento.<\/p>\n<p>Os principais compradores, em valor, foram os Emirados \u00c1rabes (15,7%), os Estados Unidos (10,6%) e Trinidad e Tobago (9,7%). Na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo do ano passado, o volume e o faturamento referentes \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras reduziram 36,3% e 10,2%, respectivamente. \u201cO cen\u00e1rio de menor oferta de mat\u00e9ria-prima no mercado brasileiro colabora para o cen\u00e1rio\u201d, avalia Juliana Pila, da Scot Consultoria.<\/p>\n<p>No plano do mercado internacional, h\u00e1 uma tend\u00eancia de alta se repetindo nos \u00faltimos leil\u00f5es quinzenais da plataforma\u00a0Global Dairy Trade (GDT). A cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos l\u00e1cteos no leil\u00e3o alcan\u00e7am atualmente uma tarifa de US$ 3.313 por tonelada. A principal raz\u00e3o para a valoriza\u00e7\u00e3o recente \u00e9 a\u00a0redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria-prima na Europa, ap\u00f3s um per\u00edodo de aumento na oferta, segundo Valter Galan, analista de mercado do portal <em>Milkpoint<\/em>. Os pre\u00e7os futuros do leite em p\u00f3 integral indicam que a tend\u00eancia de alta deve permanecer at\u00e9 outubro, com proje\u00e7\u00e3o de US$ 3.248\/t.<\/p>\n<p>Segundo ele, a Europa tem reduzido a produ\u00e7\u00e3o de leite ap\u00f3s uma eleva\u00e7\u00e3o da oferta, que derrubou os pre\u00e7os. \u201cEsse fator tem dado sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s cota\u00e7\u00f5es, apesar dos estoques elevados de leite em p\u00f3 desnatado no continente europeu, da demanda chinesa ainda hesitante e da produ\u00e7\u00e3o crescente de leite nos Estados Unidos\u201d, avalia. Diante disso, comenta que nesse ambiente de pre\u00e7os internacionais mais altos, as\u00a0importa\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos\u00a0perdem competitividade. E isso j\u00e1 se refletiu nas quantidades adquiridas no exterior pelo Brasil em abril passado.<\/p>\n<p>\u201cOs volumes est\u00e3o caindo porque est\u00e1 menos competitivo, ao mesmo tempo em que h\u00e1 pouca oferta de leite na Argentina e no Uruguai\u201d, diz ele. Em abril, as importa\u00e7\u00f5es brasileiras ca\u00edram 41% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2016, para 100 milh\u00f5es de litros equivalente-leite. Em mar\u00e7o, j\u00e1 haviam sido 15% menores. Entre janeiro e abril, ainda h\u00e1 alta, de 17%, sobre o mesmo intervalo de 2016, para 503 milh\u00f5es de litros equivalente-leite.<\/p>\n<p><strong>Custos de produ\u00e7\u00e3o do leite recuam \u2013 <\/strong>Em maio, os custos de produ\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria leiteira tiveram nova queda. Foi o quarto m\u00eas consecutivo de queda. Isso ocorreu devido a redu\u00e7\u00e3o das cota\u00e7\u00f5es dos alimentos concentrados energ\u00e9ticos, com destaque para a polpa c\u00edtrica &#8211; visto o aumento na disponibilidade do produto -, dos concentrados proteicos e dos suplementos minerais. \u201cNa compara\u00e7\u00e3o com maio do ano passado, os custos de produ\u00e7\u00e3o da atividade ca\u00edram 8,6%\u201d, informa Juliana Pila, observando que desde fevereiro, a redu\u00e7\u00e3o acumulada para a pecu\u00e1ria leiteira foi de 6,7%.<\/p>\n<p>\u201cA queda nos custos de produ\u00e7\u00e3o somada as altas no pre\u00e7o do leite ao produtor melhoraram a margem da atividade\u201d, observa. O chefe geral da Embrapa Gado de Leite, diz que essa equa\u00e7\u00e3o tem sido muito boa para quem produz, apesar de se viver tempos de incertezas no pa\u00eds. \u201cOs diferentes setores da economia acumulam not\u00edcias ruins e projetam o curto prazo com pessimismo. Mas, este n\u00e3o \u00e9 o cen\u00e1rio para a\u00a0produ\u00e7\u00e3o de leite. Depois de tempos dif\u00edceis, o ambiente atual se mostra favor\u00e1vel\u201d, avalia.<\/p>\n<p>A Embrapa Gado de Leite mede a varia\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o de leite por meio do ICPLeite\/Embrapa, que reflete o comportamento de custos de uma fazenda t\u00edpica de Minas Gerais. Os pre\u00e7os de insumos s\u00e3o coletados no varejo daquele Estado. Tem como base o primeiro quadrimestre do ano, informa que, tendo dezembro passado como refer\u00eancia, janeiro iniciou o ano com queda nos custos de -0,44%. Em fevereiro, o fen\u00f4meno voltou a ocorrer. Os custos ca\u00edram -0,49%. Em mar\u00e7o, novamente ficou mais barato produzir leite, j\u00e1 que a queda foi de -0,91. Mas, foi em abril que o custo de produ\u00e7\u00e3o despencou. A queda foi de -4,72%.<\/p>\n<p>\u201cNo acumulado do primeiro quadrimestre do ano, produzir leite ficou 6,5% mais barato que dezembro de 2016. J\u00e1 para os pre\u00e7os pagos ao produtor de Minas Gerais, o inverso ocorreu. Quebrando o padr\u00e3o, os pre\u00e7os subiram desde janeiro e fecharam o quadrimestre com alta de 6,5%. Na m\u00e9dia, a margem bruta, diferen\u00e7a entre pre\u00e7o e custo, cresceu 13% no quadrimestre. No mesmo per\u00edodo, o IPCA \u2013 \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo, que \u00e9 a medida oficial da infla\u00e7\u00e3o brasileira, praticamente n\u00e3o se alterou\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Perguntado sobre o m\u00eas de maio, dias antes do fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, disse que notava uma leve varia\u00e7\u00e3o no mercado. \u201cPelo lado dos custos, ocorreu uma pequena eleva\u00e7\u00e3o no grupo concentrados. Por outro lado, houve queda no pre\u00e7o do leite no mercado spot, que dever\u00e1 ser transmitida ao pre\u00e7o recebido pelo produtor em algum n\u00edvel. Nos dois casos, custos e pre\u00e7os, a tend\u00eancia dos primeiros quatro meses do ano pode ser interrompida\u201d, adverte.<\/p>\n<p>Mas, segundo ele, o que se percebe \u00e9 um ambiente favor\u00e1vel para a rentabilidade na produ\u00e7\u00e3o de leite em 2017, mesmo neste atual ambiente de incertezas. \u201cOs custos dever\u00e3o se manter controlados e nada indica que teremos forte queda nos pre\u00e7os pagos ao produtor. Pelo visto, a rentabilidade na produ\u00e7\u00e3o de leite dever\u00e1 ter um comportamento diferente do restante da economia brasileira este ano. Tudo indica que ser\u00e1 um ano bom. Pelo menos foi muito bom no primeiro ter\u00e7o do ano\u201d, completa.<\/p>\n<p class=\"xl24\" style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: left; tab-stops: 1.0cm;\" align=\"left\"><b><span style=\"font-size: 10.0pt;\">Tabela 1<\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"xl24\" style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: left; tab-stops: 1.0cm;\" align=\"left\"><b><span style=\"font-size: 10.0pt;\">Pre\u00e7os pagos pelos latic\u00ednios (brutos) e recebidos pelos produtores (l\u00edquido) em MAIO\/17 referentes ao leite entregue em ABRIL\/17<\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"xl24\" style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: left; tab-stops: 1.0cm;\" align=\"left\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4467\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/06\/tabela1-1024x637.png\" alt=\"tabela1\" width=\"1024\" height=\"637\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contrariando a expectativa de agentes, que acreditavam em estabilidade, o pre\u00e7o do leite recebido por produtores subiu em maio (referente ao produto entregue em abril) pelo quarto m\u00eas seguido.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4466","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4466"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4466\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}