{"id":4675,"date":"2017-07-04T19:58:57","date_gmt":"2017-07-04T22:58:57","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=4675"},"modified":"2017-07-04T19:58:57","modified_gmt":"2017-07-04T22:58:57","slug":"leite-mercado-em-periodo-de-transicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-mercado-em-periodo-de-transicao\/","title":{"rendered":"Leite: mercado em per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Junho caracterizou-se como um per\u00edodo em que as altas de pre\u00e7os foram mais pontuais, enquanto as tend\u00eancias de estabilidade e queda ganharam for\u00e7a<\/em><\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nDe acordo com c\u00e1lculos do Cepea-Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada-Esalq\/USP, o pre\u00e7o l\u00edquido do leite recebido pelo produtor em junho (referente ao entregue em maio) permaneceu nos mesmos patamares do m\u00eas anterior, chegando a R$ 1,2688\/litro na \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d (compreende os estados de GO, MG, PR, RS, SC, SP e BA) \u2013 leve queda de 0,39% (ou de R$0,005\/litro).<\/p>\n<p>Os resultados da \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d evidenciam o momento de transi\u00e7\u00e3o, onde cada bacia leiteira apresentou uma situa\u00e7\u00e3o diferente, em fun\u00e7\u00e3o das vari\u00e1veis capta\u00e7\u00e3o, qualidade e competitividade. Os pre\u00e7os do leite recebido pelos produtores no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais ca\u00edram em virtude da maior capta\u00e7\u00e3o, proporcionada pelo clima favor\u00e1vel, boa precipita\u00e7\u00e3o e in\u00edcio das pastagens de inverno no estado ga\u00facho.<\/p>\n<p>Por outro lado, o menor volume ofertado (caracter\u00edstico do per\u00edodo de entressafra) em S\u00e3o Paulo elevou a competitividade entre ind\u00fastrias pelo leite, levando ao aumento do pre\u00e7o na m\u00e9dia paulista. As cota\u00e7\u00f5es nos demais estados ficaram praticamente est\u00e1veis, com varia\u00e7\u00f5es menores de um centavo por litro.<\/p>\n<p>No caso de Paran\u00e1 e em Santa Catarina, houve eleva\u00e7\u00e3o da capta\u00e7\u00e3o dos latic\u00ednios e cooperativas amostradas. Entretanto, a competi\u00e7\u00e3o entre empresas por leite e o maior pagamento por qualidade ajudaram a manter os pre\u00e7os valorizados. J\u00e1 em Goi\u00e1s e Bahia, a capta\u00e7\u00e3o caiu, mas a quest\u00e3o da qualidade e a maior dificuldade dos latic\u00ednios em repassar valoriza\u00e7\u00f5es ao consumidor pressionaram as cota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esses resultados, somados \u00e0 pesquisa de derivados realizada pelo Cepea, com o apoio financeiro da OCB-Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas Brasileiras, sugerem que o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o para a desvaloriza\u00e7\u00e3o das cota\u00e7\u00f5es do leite recebido pelo produtor se iniciou.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa de derivados, o leite spot na \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d j\u00e1 registrou queda de 2,1% da segunda quinzena de maio para a primeira de junho. O pre\u00e7o do leite UHT negociado nos atacados do estado de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m recuou 3,8% de maio para junho. O varejo tem pressionado o atacado e as ind\u00fastrias, refletindo a dificuldade em manter o ritmo de vendas.<\/p>\n<p>Diante disso, as expectativas dos agentes entrevistados em rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os de julho demonstraram estar mais alinhadas do que em meses anteriores. A por\u00e7\u00e3o de agentes que acreditam em queda se elevou para 67,8% (representando 87,9% do volume amostrado). J\u00e1 a parcela de agentes que apostam em estabilidade caiu para 20% (10,7% do volume amostrado). A porcentagem de colaboradores que esperam altas caiu pela metade, chegando a 12,2% (que t\u00eam participa\u00e7\u00e3o de 1,4% do volume).<\/p>\n<p><strong>Entre estabilidade e leve queda<\/strong><br \/>\nA tend\u00eancia projetada pelo Cepea se confirmou com pequenas varia\u00e7\u00f5es em outras fontes. Foi o que apresentou, por exemplo, Conseleite-RS, que indicou que o pre\u00e7o do leite teve uma leve queda em junho. O valor de refer\u00eancia divulgado ficou em R$ 1,0178, por litro, 1,69% abaixo do consolidado de maio, que fechou em R$ 1,0353.<\/p>\n<p>Segundo o presidente do Conselho, Alexandre Guerra, a justificativa para esse cen\u00e1rio passa pela retra\u00e7\u00e3o do consumo decorrente da crise econ\u00f4mica e da falta de frio. \u201cPrecisamos que o consumo volte a oxigenar a ind\u00fastria\u201d, frisou, lembrando que o valor de refer\u00eancia divulgado \u00e9 s\u00f3 um balizador. \u201cCada empresa agrega b\u00f4nus referentes \u00e0 qualidade e \u00e0 quantidade\u201d, explica.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Santa Catarina, o presidente do Conseleite do estado, Adelar Maximiliano Zimmer destaca que os pre\u00e7os de refer\u00eancia ao produtor para junho registram 3% de queda. \u201cA crescente importa\u00e7\u00e3o de leite registrada nos \u00faltimos meses e a retra\u00e7\u00e3o no consumo continuam sendo os principais motivos para a queda do pre\u00e7o pago pelas ind\u00fastrias aos produtores\u201d, cita.<\/p>\n<p>O leite acima do padr\u00e3o registrou o pre\u00e7o de R$ 1.3094, o litro. O leite padr\u00e3o ficou estipulado em R$ 1,1386 e o abaixo do padr\u00e3o R$ 1,0351. Os valores se referem ao leite posto na propriedade, com Funrural incluso. \u201cEssa retra\u00e7\u00e3o pressiona o setor e provoca redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os no campo e no mercado\u201d, estima o dirigente.<\/p>\n<p>Zimmer diz que se trata de \u00e9 um cen\u00e1rio at\u00edpico para essa \u00e9poca. \u201cPela primeira vez em dez anos de Conseleite \u00e9 registrada retra\u00e7\u00e3o nos meses de maio e junho\u201d. N\u00e3o tem d\u00favida que a importa\u00e7\u00e3o do leite em p\u00f3 contribui para a situa\u00e7\u00e3o. Somente em maio foram importados US$ 61 milh\u00f5es, boa parte gasto com leite vindo do Uruguai.<\/p>\n<p>J\u00e1 o presidente do Sindilat explica que a entrada do leite importado no mercado brasileiro vem ocorrendo como instrumento competitivo, uma vez que a produ\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses vizinhos \u00e9 mais barata do que a das fazendas brasileiras. \u201cPrecisamos ganhar em competitividade. Para fechar as importa\u00e7\u00f5es, precisamos ser mais eficientes no mercado interno\u201d, cita Guerra.<\/p>\n<p><strong>Capta\u00e7\u00e3o d\u00e1 sinais de recupera\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, referente aos primeiros tr\u00eas meses deste ano, aponta que foram adquiridos pela ind\u00fastria 5,87 bilh\u00f5es de litros no per\u00edodo, um ligeiro aumento de 0,1% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capta\u00e7\u00e3o de igual per\u00edodo do ano passado. J\u00e1 o \u00cdndice de Capta\u00e7\u00e3o de Leite do Cepea (ICAP-L\/Cepea) registrou eleva\u00e7\u00e3o 0,8%, na \u201cm\u00e9dia Brasil\u201d.<\/p>\n<p>\u201cCom a produ\u00e7\u00e3o em recupera\u00e7\u00e3o, o movimento de alta nos pre\u00e7os do leite pago aos produtores este ano est\u00e1 mais fraco, comparado ao primeiro semestre de 2016\u201d, informa Juliana Pila, analista da Scot Consultoria. A alta acumulada de janeiro a maio de 2017 foi de 6,6%, frente a um reajuste de 9,8% no mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da oferta de leite melhor este ano, a demanda fraca na ponta final da cadeia tem limitado as altas para o produtor nesta entressafra\u201d, completa. Segundo o \u00cdndice Scot Consultoria para a Capta\u00e7\u00e3o de Leite, no acumulado de janeiro a maio deste ano a capta\u00e7\u00e3o de leite no pa\u00eds cresceu 0,1%, frente ao mesmo per\u00edodo de 2016.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os aos produtores na regi\u00e3o Sudeste e Brasil Central, a expectativa \u00e9 que o movimento de alta permane\u00e7a nos pr\u00f3ximos pagamentos (julho e agosto), por\u00e9m, o ritmo de alta daqui para frente dever\u00e1 ser menor, com a retomada da produ\u00e7\u00e3o de leite no Sul do pa\u00eds e a demanda por derivados patinando na ponta final da cadeia.<\/p>\n<p>Sobre importa\u00e7\u00e3o de l\u00e1cteos, a analista da Scot informa que houve aumento em maio na compara\u00e7\u00e3o mensal. O volume importado foi de 17,70 mil t. Na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior, a alta foi de 30,8%, totalizando US$ 60,13 milh\u00f5es no per\u00edodo. O produto mais importado foi o leite em p\u00f3. No total foram 9,60 mil t que somaram US$ 32,62 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os maiores fornecedores para o Brasil, em valor, foram o Uruguai, com 46,8%, a Argentina, com 38,2% e a Nova Zel\u00e2ndia com 4,1%. Na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo do ano passado (maio de 2016) a redu\u00e7\u00e3o foi de 36,1% para o volume e 3,7% para os gastos. \u201cEm curto e m\u00e9dio prazos, o c\u00e2mbio (alta do d\u00f3lar em rela\u00e7\u00e3o ao real) dever\u00e1 ter influ\u00eancia sobre as importa\u00e7\u00f5es brasileiras\u201d, informa Juliana Pila.<\/p>\n<p class=\"xl24\" style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: left; tab-stops: 1.0cm;\" align=\"left\"><b><span style=\"font-size: 10.0pt;\">Tabela 1<\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"xl24\" style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: left; tab-stops: 1.0cm;\" align=\"left\"><b><span style=\"font-size: 10.0pt;\">Pre\u00e7os pagos pelos latic\u00ednios (brutos) e recebidos pelos produtores (l\u00edquido) em JUNHO\/17 referentes ao leite entregue em MAIO\/17<\/span><\/b><\/p>\n<p class=\"xl24\" style=\"margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: left; tab-stops: 1.0cm;\" align=\"left\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4676\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/07\/01-1024x654.png\" alt=\"01\" width=\"1024\" height=\"654\" \/>Fonte: Cepea-Esalq\/USP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Junho caracterizou-se como um per\u00edodo em que as altas de pre\u00e7os foram mais pontuais, enquanto as tend\u00eancias de estabilidade e queda ganharam for\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}