{"id":5467,"date":"2017-09-20T23:13:15","date_gmt":"2017-09-21T02:13:15","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=5467"},"modified":"2017-09-20T23:13:15","modified_gmt":"2017-09-21T02:13:15","slug":"importacao-e-competitividade-do-leite-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/importacao-e-competitividade-do-leite-brasileiro\/","title":{"rendered":"Importa\u00e7\u00e3o e competitividade do leite brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Nos primeiros seis meses do ano o Brasil importou US$ 319,5 milh\u00f5es em l\u00e1cteos. E desde o m\u00eas passado, os argentinos passaram a ter as mesmas condi\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio que os uruguaios, ou seja, de poucas restri\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No dia 15 de agosto ocorreu uma audi\u00eancia p\u00fablica na C\u00e2mara dos Deputados, organizada pela Co\u00admiss\u00e3o de Agricultura, Pecu\u00e1ria, Abastecimento e Desenvolvimento Rural para debater os problemas que afetam a cadeia produtiva do leite, em especial, a importa\u00e7\u00e3o de leite e derivados, os crit\u00e9rios econ\u00f4micos adotados para a autoriza\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de leite, os impactos dessas pol\u00edticas na cadeia produtiva e a perda de competitividade do produto nacional.<\/p>\n<p>As importa\u00e7\u00f5es brasileiras s\u00e3o prove\u00adnientes majoritariamente do Uruguai e da Argentina. Nos primeiros seis meses de 2017 o d\u00e9ficit foi de 781 milh\u00f5es de equi\u00advalentes litros de leite, com gastos de US$ 319,5 milh\u00f5es, indicando tend\u00eancia de um ano com compras no mercado internacio\u00adnal maiores que as de 2015, que foram de 653 milh\u00f5es de litros. As importa\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos em 2016 foram de 1,644 milh\u00f5es de equivalentes litros de leite.<\/p>\n<p>No primeiro semestre de 2017, a maior importa\u00e7\u00e3o ocorreu no m\u00eas de janeiro, com 152 milh\u00f5es de litros de leite, como se observa na figura 1, que mostra a ba\u00adlan\u00e7a comercial de l\u00e1cteos no per\u00edodo de janeiro de 2015 a julho de 2017. O \u00edmpeto de importar no segundo semestre deve ser arrefecido em decorr\u00eancia dos pre\u00e7os das principais commodities l\u00e1cteas que v\u00eam apresentando tend\u00eancia de alta.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/10\/figura1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5468\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/10\/figura1.jpg\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"472\" \/><\/a><br \/>\nAt\u00e9 julho deste ano, comparando com as compras do primeiro semestre de 2016, decresceram as compras de leite em p\u00f3 em 17% e aumentaram as compras de soro em 13%; manteiga, em 95%; queijos, em 5%, e doce de leite, em 47%. Na figura 2, se observa a quantidade de l\u00e1cteos importados no per\u00edodo de 2015 a 2017.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/10\/figura2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5469\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/10\/figura2.jpg\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"443\" \/><\/a><br \/>\nO Uruguai foi o maior fornecedor de leite em p\u00f3, iogurte e manteiga. Da Ar\u00adgentina, comprou-se o soro de leite em p\u00f3 e o doce de leite. Os queijos importados vieram da Argentina (6,2 mil t) e do Uru\u00adguai (5,6 mil t). O leite modificado para alimenta\u00e7\u00e3o infantil veio da Alemanha.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante destacar que a interna\u00adliza\u00e7\u00e3o dos l\u00e1cteos importados, em 2016, correspondeu \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de 4,5 milh\u00f5es de litros de leite\/dia e, que equivalem a substituir 4.500 produtores com produ\u00e7\u00e3o m\u00e9dia di\u00e1ria de 1.000 litros. Este n\u00edvel de importa\u00e7\u00e3o, se for mantido por um longo per\u00edodo, poder\u00e1 ser mais um fator de es\u00adt\u00edmulo de sa\u00edda da atividade, e em curto prazo, dificulta as negocia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os entre produtor e ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Novo acordo com argentinos &#8211; No Brasil, foram criadas in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es que representam os elos da cadeia produtiva do leite, al\u00e9m de tr\u00eas minist\u00e9rios que, de alguma forma, est\u00e3o preocupados com a competitividade do setor, que gera em\u00adprego, renda, e promove a distribui\u00e7\u00e3o de renda. Apesar das v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es representativas, em alguns momentos, agem de forma independente. Na mes\u00adma semana em que na C\u00e2mara dos Deputados se discutia a prote\u00e7\u00e3o do setor, principalmente da produ\u00e7\u00e3o, o setor industrial participava da promo\u00e7\u00e3o de acordos de comercializa\u00e7\u00e3o entre Brasil e Argentina.<\/p>\n<p>No dia 17 de agosto foi divulgado no site da Associa\u00e7\u00e3o de Pequenas e M\u00e9dias Empresas L\u00e1cteas da Argentina uma mat\u00e9ria sobre um acordo assinado, no qual os argentinos podem exportar para o Brasil com as mesmas condi\u00e7\u00f5es do com\u00e9rcio com o Uruguai, ou seja, poucas restri\u00e7\u00f5es. Este acordo j\u00e1 vinha sendo negociado h\u00e1 muito tempo e foi uma meta do novo governo argentino.<\/p>\n<p>No acordo com os argentinos, ficou definido que o prazo finalizar\u00e1 em 31 de maio de 2018, sem renova\u00e7\u00e3o. A partir de agosto, a cota de exporta\u00e7\u00e3o pode ser de at\u00e9 5.000 t\/m\u00eas; se ocorrer uma necessida\u00adde de aumentar o volume exportado, pode ser negociado, como previsto no acordo. O Mapa se comprometeu a atuar na simpli\u00adfica\u00e7\u00e3o dos tr\u00e2mites junto ao Minist\u00e9rio de Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, e as cl\u00e1usulas t\u00eam o objetivo de equiparar as mesmas condi\u00e7\u00f5es cedidas ao Uruguai e por parte dos dois pa\u00edses, Brasil e Argenti\u00adna, haver\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o do setor privado nas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os produtores brasileiros t\u00eam con\u00addi\u00e7\u00f5es de evoluir e se tornarem compe\u00adtitivos, pois h\u00e1 disponibilidade de terra para a alimenta\u00e7\u00e3o do rebanho e \u00e1gua, al\u00e9m de um mercado interno retra\u00eddo. Na tabela 1 se observa a demanda de leite com o aumento da popula\u00e7\u00e3o, manten\u00addo o mesmo n\u00edvel de disponibilidade e com incremento para 180 e 210 litros\/ habitante\/ano.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/10\/tabela1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5470\" src=\"https:\/\/baldebranco.com.brwp-content\/uploads\/2017\/10\/tabela1.jpg\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"262\" \/><\/a><br \/>\nEm 2016 a popula\u00e7\u00e3o foi estimada em 206,1 milh\u00f5es de brasileiros, e a produ\u00e7\u00e3o de leite, em 35,0 bilh\u00f5es de litros, resultando em uma disponibilidade aproximada de 170 litros\/habitante\/ano. Em 2016, se o consumo fosse de 180 litros\/ano a produ\u00e7\u00e3o deveria ter crescido 5,9% e para um consumo maior, de 210 litros\/ano, o volume deveria ter sido de 43,3 bilh\u00f5es de litros, ou seja, 16,7% de aumento na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estes fatores apontam para um ano de 2017 de consumo estagnado ou baixo e de balan\u00e7a comercial de l\u00e1cteos defi\u00adcit\u00e1ria; isto estressa a situa\u00e7\u00e3o delicada e desafiante pela qual passa o setor, notadamente, os produtores, que s\u00e3o o elo mais vulner\u00e1vel da cadeia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos primeiros seis meses do ano o Brasil importou US$ 319,5 milh\u00f5es em l\u00e1cteos. 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