{"id":5586,"date":"2017-10-25T21:38:22","date_gmt":"2017-10-25T23:38:22","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=5586"},"modified":"2017-10-25T21:38:22","modified_gmt":"2017-10-25T23:38:22","slug":"barrar-importacoes-aumenta-preco-do-leite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/barrar-importacoes-aumenta-preco-do-leite\/","title":{"rendered":"Barrar importa\u00e7\u00f5es aumenta pre\u00e7o do leite?"},"content":{"rendered":"<p><em>A resposta \u00e9 dada por pesquisadores do Cepea-Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada da Esalq-USP<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Por Sergio de Zen e Nat\u00e1lia Grigol<\/strong><\/p>\n<p>A recente decis\u00e3o do Mapa-Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento de suspender temporariamente as importa\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos do Uruguai suscitou expectativas de melhorias para o mercado, principalmente no que diz respeito \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do leite no campo. Mas barrar as importa\u00e7\u00f5es uruguaias ir\u00e1 reverter a tend\u00eancia de queda observada desde junho deste ano e elevar o pre\u00e7o do leite pago ao produtor?<\/p>\n<p>O problema ao responder essa quest\u00e3o \u00e9 que ela implica rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito que n\u00e3o s\u00e3o diretas, o que torna a resposta mais complexa do que um simples \u201csim\u201d ou um \u201cn\u00e3o\u201d. \u00c9 preciso, portanto, trazer alguns dados \u00e0 discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de ser o quinto maior produtor de leite do mundo, de acordo com o USDA, o Brasil \u00e9, tradicionalmente, importador de l\u00e1cteos, principalmente de leites em p\u00f3. Nos \u00faltimos cinco anos (de setembro de 2013 a setembro de 2017), a balan\u00e7a comercial acumulou saldo negativo de US$ 1,26 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto as cotas de importa\u00e7\u00e3o de leite em p\u00f3 argentino limitam as compras a 3,6 mil t ao m\u00eas, o mesmo n\u00e3o ocorre para o Uruguai. Desde 2015, as aquisi\u00e7\u00f5es de leites em p\u00f3 uruguaio t\u00eam se elevado significativamente e o pa\u00eds se tornou o principal fornecedor do produto ao Brasil, superando a ent\u00e3o lideran\u00e7a argentina. De janeiro a setembro de 2017, foram importadas aproximadamente 86,5 mil t de leites em p\u00f3, sendo que 54,7% vieram do Uruguai e 36,9% da Argentina.<\/p>\n<p>No entanto, vale destacar que esse volume \u00e9 30,5% menor do que o registrado no mesmo per\u00edodo de 2016, por conta do enfraquecimento do consumo no mercado dom\u00e9stico. Com isso, a participa\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos sobre o total ofertado pelo Pa\u00eds em 2017 deve ser menor do que os 5% registrados em 2016.<\/p>\n<p>A demanda enfraquecida por l\u00e1cteos na ponta final da cadeia \u00e9, inclusive, o principal fator que vem afetando o pre\u00e7o do leite no campo e dos derivados. Devido \u00e0 perda do poder de compra frente \u00e0 retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o consumidor brasileiro diminuiu o consumo de itens menos essenciais \u00e0 sua dieta, como \u00e9 o caso da grande maioria dos l\u00e1cteos (produtos considerados bens superiores e cuja demanda \u00e9 el\u00e1stica).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o aumento da produ\u00e7\u00e3o neste ano tamb\u00e9m tem colaborado para a queda dos pre\u00e7os. Segundo o \u00cdndice de Capta\u00e7\u00e3o de Leite do Cepea (ICAP-L), a capta\u00e7\u00e3o mensal nos estados de Goi\u00e1s, Bahia, Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentou alta acumulada de 5,6% de janeiro a agosto. Na m\u00e9dia, o ICAP-L est\u00e1 7,1% maior do que no mesmo per\u00edodo do ano passado. A maior capta\u00e7\u00e3o neste ano est\u00e1 atrelada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas mais favor\u00e1veis neste ano e tamb\u00e9m ao maior acesso do pecuarista \u00e0 ra\u00e7\u00e3o, por conta da queda nos pre\u00e7os dos gr\u00e3os.<\/p>\n<p>A volatilidade dos pre\u00e7os do leite acentua um fato caracter\u00edstico da cadeia l\u00e1ctea: estar voltada ao mercado interno \u2013 ao contr\u00e1rio de outras prote\u00ednas, como carnes e ovos, que utilizam o mercado externo como uma esp\u00e9cie de \u201cesponja\u201d para drenar o excesso de oferta e equilibrar os valores no mercado dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>Um estudo do Cepea, ainda em andamento, tem demonstrado, por meio de modelos econom\u00e9tricos, que a forma\u00e7\u00e3o da cota\u00e7\u00e3o no mercado interno n\u00e3o \u00e9 diretamente influenciada pelas compras externas. Assim, suspender as importa\u00e7\u00f5es do Uruguai n\u00e3o deve impulsionar as cota\u00e7\u00f5es do leite no campo no curto prazo.<\/p>\n<p>No entanto, a a\u00e7\u00e3o do Mapa n\u00e3o deixa de ser importante, pois refor\u00e7a que a press\u00e3o do setor foi eficiente para colocar o tema e a cadeia do leite, de forma mais ampla, em discuss\u00e3o. O fato de o Brasil importar l\u00e1cteos pode n\u00e3o afetar diretamente o pre\u00e7o, mas impacta a din\u00e2mica da cadeia, que precisa ser debatida.<\/p>\n<p>As importa\u00e7\u00f5es de leites em p\u00f3 evidenciam um problema maior: os l\u00e1cteos brasileiros n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o competitivos quanto os importados, em termos de qualidade e pre\u00e7o. Quest\u00f5es como os altos custos de produ\u00e7\u00e3o, a baixa produtividade, dificuldades de assist\u00eancia t\u00e9cnica, dificuldade de acesso a cr\u00e9dito, falta de investimentos na atividade, gest\u00e3o ineficiente de fazendas e latic\u00ednios, dificuldades log\u00edsticas, pouca valoriza\u00e7\u00e3o do leite de qualidade, pouco incentivo ao consumo de l\u00e1cteos e a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o setor precisam ser discutidas.<\/p>\n<p>Barrar as importa\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos como estrat\u00e9gia pontual n\u00e3o resolve essas quest\u00f5es, al\u00e9m de ter s\u00e9rios implicativos pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos. O setor precisa de maior planejamento para que a\u00e7\u00f5es, tanto na esfera p\u00fablica quanto na privada, possam convergir para o fortalecimento da rela\u00e7\u00e3o entre os elos da cadeia.\u00a0 Somente assim \u00e9 que resolveremos \u201ca crise do leite\u201d e poderemos passar da condi\u00e7\u00e3o de importadores para de exportadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A resposta \u00e9 dada por pesquisadores do Cepea-Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada da Esalq-USP\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5587,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5586","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5586","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5586"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5586\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5587"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5586"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5586"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5586"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}