{"id":5823,"date":"2017-12-04T12:35:00","date_gmt":"2017-12-04T14:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=5823"},"modified":"2017-12-04T12:35:00","modified_gmt":"2017-12-04T14:35:00","slug":"leite-sul-sinais-recuperacao-precos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/leite-sul-sinais-recuperacao-precos\/","title":{"rendered":"Leite: no Sul, sinais de recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os"},"content":{"rendered":"<p><em>O mercado sinaliza uma lenta recupera\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os depois de seis meses de pre\u00e7os em queda decorrentes da redu\u00e7\u00e3o generalizada de consumo de leite e derivados. Essa situa\u00e7\u00e3o foi dimensionada no m\u00eas de novembro pelo Conseleite-SC.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>De acordo com proje\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o, o leite entregue em novembro a ser pago em dezembro pelos latic\u00ednios ter\u00e1 um aumento de 5,2% nos valores de refer\u00eancia, o que equivale a 5 centavos a mais por litro e R$ 1,0046 para o litro do leite padr\u00e3o.<\/p>\n<p>O consumo interno melhorou um pouco e as maci\u00e7as importa\u00e7\u00f5es do Uruguai foram suspensas. Esses fatores repercutiram na recupera\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, analisa o vice-presidente do Conseleite-SC, Adelar Maximiliano Zimmer. \u201cOs pre\u00e7os experimentar\u00e3o uma lenta marcha de recupera\u00e7\u00e3o, mas, somente a retomada do consumo em grande escala ir\u00e1 recompor a rentabilidade da cadeia produtiva de l\u00e1cteos\u201d, diz, explicando que o consumo baixo \u00e9 reflexo da queda de renda do brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cEstou convicto que os pre\u00e7os de remunera\u00e7\u00e3o dos produtores n\u00e3o cair\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses, mas a recupera\u00e7\u00e3o das perdas deve demorar\u201d, destaca. Santa Catarina \u00e9 hoje o quarto estado produtor nacional, com 2,9 bilh\u00f5es de litros\/ano. O oeste catarinense responde por 75% da produ\u00e7\u00e3o. Os 80 mil produtores de leite geram 8,3 milh\u00f5es de litros\/dia, mas, a capacidade industrial est\u00e1 estruturada para processar at\u00e9 10 milh\u00f5es de litros de leite\/dia.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Rio Grande do Sul, o pre\u00e7o do leite voltou a subir. Segundo dados apresentados pelo Conseleite ga\u00facho, o valor de refer\u00eancia estimado para novembro \u00e9 de R$ 0,8653, valor 4,36% acima do consolidado de outubro, que fechou em R$ 0,8292. A valoriza\u00e7\u00e3o foi puxada pelo aumento do leite UHT, que atingiu 8,15% no m\u00eas. Tamb\u00e9m tiveram aumento expressivo o queijo prato (7,76%) e o mussarela (5,91%).<\/p>\n<p>O valor nominal m\u00e9dio acumulado no ano (11 meses) indica queda de 6,72% se comparado com 2016. Considerando valores reais (levando-se em conta a infla\u00e7\u00e3o medida pelo IPCA), a redu\u00e7\u00e3o no per\u00edodo chega a 9,61% \u201cA tend\u00eancia para 2018 \u00e9 de pre\u00e7os melhores do que os praticados neste ano\u201d, projeta o professor da UPF-Universidade Passo Fundo, Eduardo Finamore.<\/p>\n<p>Diz tamb\u00e9m que o movimento de alta em novembro j\u00e1 era esperado pelo setor produtivo devido \u00e0s limita\u00e7\u00f5es de importa\u00e7\u00e3o ao leite uruguaio e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da capta\u00e7\u00e3o no campo. Segundo o presidente do Conseleite, Alexandre Guerra, \u00e9 importante considerar que a situa\u00e7\u00e3o do setor \u00e9 cr\u00edtica, com saldo acumulado de perdas no ano tanto ao produtor quanto \u00e0 ind\u00fastria. \u201cNas \u00faltimas semanas, o mercado se demonstrou mais cauteloso como reflexo da retomada das aquisi\u00e7\u00f5es do pa\u00eds vizinho, o que sinaliza para estabilidade nos pr\u00f3ximos meses\u201d, conta.<\/p>\n<p>Observa ainda que o Rio Grande do Sul n\u00e3o manda no mercado brasileiro. \u201cA gente tem que dan\u00e7ar a m\u00fasica do mercado. Estamos sofrendo por um mix de fatores que inclui a importa\u00e7\u00e3o de leite, a queda de consumo devido \u00e0 crise e diversas outras quest\u00f5es\u201d, salienta Guerra.\u00a0 Al\u00e9m disso, diz que a proje\u00e7\u00e3o do PIB para 2018 \u00e9 positiva, o que deve recuperar o poder de consumo das fam\u00edlias. Segundo ele, \u00e9 importante refor\u00e7ar a quest\u00e3o da competitividade da produ\u00e7\u00e3o, a partir da redu\u00e7\u00e3o de custos.<\/p>\n<p><strong>Queda nos pre\u00e7os do leite UHT<\/strong> &#8211; Os pre\u00e7os do leite longa vida ca\u00edram na primeira quinzena de novembro no atacado. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o recuo foi de 0,9% em rela\u00e7\u00e3o ao fechamento de outubro, quando o produto teve uma ligeira alta. O produto ficou cotado, em m\u00e9dia, em R$ 2,16 por litro no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>Segundo Rafael Ribeiro, analista de mercado da consultoria, as vendas ruins na ponta final da cadeia e a press\u00e3o de baixa do lado do varejo fizeram as cota\u00e7\u00f5es voltarem a recuar no atacado em novembro. \u201cA expectativa \u00e9 de mercado mais frouxo neste final de ano, com a demanda patinando, especialmente para os leites fluidos. Com isso, o cen\u00e1rio dever\u00e1 ser de estabilidade a queda para o leite longa vida\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n<p>Menciona que a dificuldade de aumento dos pre\u00e7os do produto na ind\u00fastria \u00e9 uma barreira para reajustes positivos de pre\u00e7os para o produtor de leite em curto e m\u00e9dio prazos. A aposta para reverter o quadro est\u00e1 em uma melhor demanda para produtos como creme de leite, leite condensado, manteiga, entre outros, considerando as festas de final de ano.<\/p>\n<p>Para o pagamento realizado em novembro (produ\u00e7\u00e3o de outubro), 48% dos latic\u00ednios pesquisados pela consultoria acreditavam em manuten\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do leite, enquanto outra propor\u00e7\u00e3o, quase igual, de 45%, falava em queda. \u201cPara dezembro, o tom do mercado \u00e9 de estabilidade a ligeira alta no pre\u00e7o do leite ao produtor\u201d, arrisca Ribeiro, observando que o vi\u00e9s baixista dever\u00e1 se manter em curto prazo, com a produ\u00e7\u00e3o crescente em importantes regi\u00f5es produtoras, somada a demanda patinando na ponta final da cadeia.<\/p>\n<p><strong>Custos de produ\u00e7\u00e3o sobem<\/strong> &#8211; Pela primeira vez desde janeiro, os custos de produ\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria leiteira n\u00e3o fecharam em queda no m\u00eas de outubro. O Custo Operacional Efetivo (COE), que considera os gastos correntes da propriedade, registrou varia\u00e7\u00e3o de 0,01% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Ainda que a varia\u00e7\u00e3o seja pequena, mostra a invers\u00e3o da tend\u00eancia de desvaloriza\u00e7\u00e3o, que acontecia desde fevereiro.<\/p>\n<p>\u201cCom o aumento das cota\u00e7\u00f5es dos componentes do concentrado, principalmente do milho, a perspectiva \u00e9 que, nos pr\u00f3ximos meses, os custos de produ\u00e7\u00e3o devem registrar novas altas. Certo \u00e9 que a rela\u00e7\u00e3o de troca em S\u00e3o Paulo piorou em outubro\u201d, informa o pesquisador do Cepea, Maximilian Rizzardo.<\/p>\n<p>Segundo ele, para comprar uma tonelada do concentrado 22% PB, o produtor paulista teve que vender 623,9 litros de leite, alta de 6,1% frente a setembro (588 litros\/t). A rela\u00e7\u00e3o de troca do sal mineral 130g de f\u00f3sforo tamb\u00e9m se elevou em 6,73%, chegando a 74,5 litros\/saca de 25 kg, contra os 69,8 litros\/saca registrados em setembro.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia foi confirmada pelo <em>Boletim Intelactus<\/em>, editado pela Embrapa Gado de Leite. Considera o aumento de pre\u00e7os verificado no grupo Energia e Combust\u00edvel como o maior dentre os grupos que comp\u00f5em o \u00edndice, 3,27%. Em seguida, os grupos Reprodu\u00e7\u00e3o, Volumosos, Concentrado, Sal Mineral e Sanidade apresentaram varia\u00e7\u00f5es respectivamente de 3,00%, 2,49%, 1,86%, 1,17% e 0,09% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o acumulado de novembro\/16 a outubro\/17 registra redu\u00e7\u00e3o de custos de -5,79% se comparado com o mesmo per\u00edodo de 2016. Novamente, o grupo de Concentrados \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela queda verificada, apresentando defla\u00e7\u00e3o de -23,15% no per\u00edodo. Sal Mineral tamb\u00e9m continua negativo, -1,08%, enquanto os demais grupos apresentam varia\u00e7\u00f5es positivas.<\/p>\n<p><strong>Caem as importa\u00e7\u00f5es de leite<\/strong> \u2013 De acordo com dados do Secex, as importa\u00e7\u00f5es de l\u00e1cteos totalizaram US$ 29,1 milh\u00f5es em outubro, valor 14% abaixo do m\u00eas anterior e 53% menor que o de outubro\/16. No acumulado do ano, o total das importa\u00e7\u00f5es soma US$ 499,3 milh\u00f5es, valor 7% inferior ao do mesmo per\u00edodo do ano anterior. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, o faturamento \u00e9 de US$ 6,3 milh\u00f5es, 5,8% abaixo do m\u00eas anterior e 62% menor que outubro do ano passado.<\/p>\n<p>\u201cCom a queda das importa\u00e7\u00f5es mais acentuadas, o d\u00e9ficit da balan\u00e7a foi 16,3% inferior ao de setembro, saldo negativo de US$ 22,7 milh\u00f5es\u201d, informam os pesquisadores do Cepea, Bianca F. Teixeira e Lucas H. Ribeiro. Mesmo com as importa\u00e7\u00f5es suspensas por algumas semanas, o Uruguai continua sendo respons\u00e1vel por grande parte do volume importado (30%), atr\u00e1s apenas da Argentina, que representou 56% do total importado pelo Brasil em outubro. No total, foram internalizados 72,3 milh\u00f5es de litros em equivalente leite, queda de 7% frente ao m\u00eas anterior.<\/p>\n<p>O leite em p\u00f3 argentino representou 44% do total de l\u00e1cteos importados, enquanto o leite em p\u00f3 uruguaio, 17% do total. Os queijos tamb\u00e9m tiveram grande participa\u00e7\u00e3o no volume total importado, sendo 12,7% do total foi de origem argentina e 12,9%, uruguaia. Alguns pa\u00edses tamb\u00e9m se destacaram na importa\u00e7\u00e3o de queijos, como a Fran\u00e7a, Pa\u00edses Baixos e It\u00e1lia, que exportaram ao Brasil volumes consider\u00e1veis de queijos de massa dura e semidura.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores do Cepea, apesar da queda no faturamento, as exporta\u00e7\u00f5es totalizaram 7,1 milh\u00f5es de litros em equivalente leite, alta de 5,36% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Esse aumento \u00e9 justificado pela mudan\u00e7a no perfil de l\u00e1cteos vendidos, que utilizam maior volume de leite em sua produ\u00e7\u00e3o. Em outubro, o leite condensado foi o produto mais exportado pelo Brasil, com representatividade de 45,94% do volume total, sendo a Angola o principal pa\u00eds comprador, respons\u00e1vel por 28,56% do total.<\/p>\n<p>\u201cO queijo foi o segundo produto mais exportado. Em outubro, representou 36,35% com destino para o Chile, Taiwan e Argentina, que adquiriram, respectivamente, 19%, 107% e 201% a mais do que no m\u00eas anterior. Al\u00e9m disso, o volume exportado de leite em p\u00f3 quase dobrou, totalizando 126,5 mil litros em equivalente leite\u201d, descrevem.<\/p>\n<p><strong>Cresce a produ\u00e7\u00e3o do mundo<\/strong> \u2013 O volume total de leite global em 2016 atingiu 596,31 bilh\u00f5es de litros, aumento de 0,7% frente a 2015, segundo estimativa do USDA-Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que prev\u00ea que 2017 feche com um incremento de 1,8% em rela\u00e7\u00e3o a 2016, atingindo 606,86 bilh\u00f5es de litros. O crescimento m\u00e9dio, de 2010 a 2015, foi de 2,9% ao ano. Para 2018, a estimativa \u00e9 de incremento de 1,9% na produ\u00e7\u00e3o, atingindo 618,5 bilh\u00f5es de litros.<\/p>\n<p>\u201cA cota\u00e7\u00e3o mais alta de leite e derivados no mercado internacional e a demanda mundial crescente s\u00e3o os fatores de aumento da oferta a curto prazo\u201d, explica Juliana Pila, analista de mercado da Scot, citando que o aumento de consumo de l\u00e1cteos no cen\u00e1rio mundial tem sido puxado pelo incremento da demanda dos pa\u00edses asi\u00e1ticos, com destaque para a China. No Brasil, dados de produ\u00e7\u00e3o de 2016 totalizaram 33,62 bilh\u00f5es de litros, queda de 2,8% se comparado com ano anterior.<\/p>\n<p>Para 2017, segundo ela, de janeiro a outubro, a produ\u00e7\u00e3o aumentou 2,2% comparando com o mesmo per\u00edodo do ano passado. \u201cA produ\u00e7\u00e3o vem crescendo com o clima favor\u00e1vel e tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o da queda nos custos de produ\u00e7\u00e3o, especialmente da dieta\u201d, diz Juliana. Para 2018, ela espera uma recupera\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, apostando num incremento de 1,8% no volume captado, voltando o pa\u00eds a produzir no patamar de 35 bilh\u00f5es de litros.<\/p>\n<p>Ainda como proje\u00e7\u00e3o, a analista da Scot diz que h\u00e1 expectativa de pre\u00e7os firmes para a cadeia do leite, especialmente para o primeiro semestre de 2018. \u201cNo entanto, a situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 de cautela para o produtor, j\u00e1 que a atividade leiteira vem de dois anos ruins, de margens apertadas e preju\u00edzos em muitos casos. O produtor de leite est\u00e1 descapitalizado e a sugest\u00e3o \u00e9 aproveitar resultados mais favor\u00e1veis para recompor o caixa\u201d, analisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado sinaliza uma lenta recupera\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os depois de seis meses de pre\u00e7os em queda decorrentes da redu\u00e7\u00e3o generalizada de consumo de leite e derivados. 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