{"id":6827,"date":"2018-11-13T18:50:52","date_gmt":"2018-11-13T20:50:52","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=6827"},"modified":"2018-11-13T18:50:52","modified_gmt":"2018-11-13T20:50:52","slug":"como-sera-genetica-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/como-sera-genetica-50-anos\/","title":{"rendered":"Como ser\u00e1 a gen\u00e9tica leiteira em 50 anos?"},"content":{"rendered":"<p>A iniciativa do projeto que estimou como o mercado de leite seria em 50 anos foi liderado por Jack Britt (North Carolina State University) e publicado no Journal of Dairy Science (Volume 101, Edi\u00e7\u00e3o 5, pag. 3722\u20133741). O artigo cobriu muita coisa, mas aqui destacaremos alguns t\u00f3picos sobre as mudan\u00e7as que poderemos ver na sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Espera-se ver constantes ganhos em rendimento de gordura e prote\u00edna, estima-se que a produ\u00e7\u00e3o do volume de s\u00f3lidos, dobre nos EUA. Isso requer ganhos um pouco mais r\u00e1pidos do que temos experimentado nos \u00faltimos 50 anos, mas seremos auxiliados pela sele\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica que facilitar\u00e1 as taxas mais r\u00e1pidas de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Maiores rendimentos de s\u00f3lidos necessitam de maior produ\u00e7\u00e3o de leite. Dobrando a produ\u00e7\u00e3o de leite seria igual a termos um rendimento m\u00e9dio de leite de aproximadamente 23.000 kg. Isso parece um n\u00famero muito alto para a m\u00e9dia dos EUA, mas tenha em mente que v\u00e1rias vacas j\u00e1 conseguiram produ\u00e7\u00f5es superiores a 30.000 kg e alguns rebanhos j\u00e1 tem m\u00e9dias acima de 18.000 kg. Os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o de leite tendem crescer a uma taxa mais lenta do que a de s\u00f3lidos, devido aos sistemas de pagamento que favorecem os s\u00f3lidos sobre o leite fluido, podemos n\u00e3o dobrar a produ\u00e7\u00e3o de leite, mas grandes ganhos est\u00e3o estimados.<\/p>\n<p><strong>Qu\u00e3o baixo podemos ir?<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto estimamos o crescimento das produ\u00e7\u00f5es, os intervalos entre gera\u00e7\u00f5es se tornaram mais curtos. J\u00e1 vimos um grande decl\u00ednio no intervalo entre gera\u00e7\u00f5es, entre os touros e seus filhos, atrav\u00e9s dos intensos m\u00e9todos de sele\u00e7\u00e3o usados pelas centrais de I.A. O atual intervalo de gera\u00e7\u00e3o entre reprodutores, atualmente \u00e9 um pouco mais de dois anos. . . quatro anos menos do que a uma d\u00e9cada atr\u00e1s. E um intervalo de 17 meses poder\u00e1 ser poss\u00edvel com novilhas bem criadas e touros que j\u00e1 estejam f\u00e9rteis aos 8 meses de idade.<\/p>\n<p>Pode ser poss\u00edvel diminuir ainda mais o intervalo de gera\u00e7\u00e3o no futuro, atrav\u00e9s de inova\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da reprodu\u00e7\u00e3o. De fato, pode ser poss\u00edvel que embri\u00f5es se tornem pais de embri\u00f5es. O\u00f3citos vi\u00e1veis<\/p>\n<p>e espermatozoides j\u00e1 foram produzidos a partir de c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias em camundongos. Se tais m\u00e9todos forem aperfei\u00e7oados em bovinos, n\u00f3s poderemos genotipar embri\u00f5es e identificar aqueles que gostar\u00edamos de &#8220;acasalar&#8221;. Em teoria, poder\u00edamos at\u00e9 &#8220;acasalar&#8221; um embri\u00e3o com si mesmo. Se isso parece um pouco absurdo, voc\u00ea talvez esteja certo. Atualmente, tais t\u00e9cnicas n\u00e3o est\u00e3o nem perto de serem implementadas, mas quem sabe daqui a 50 anos? Previs\u00e3o gen\u00f4mica para m\u00faltiplas gera\u00e7\u00f5es de embri\u00f5es seria impreciso hoje, dada a uma grande diferen\u00e7a entre a gera\u00e7\u00e3o mais recente de embri\u00f5es \u201cpais\u201d e a popula\u00e7\u00e3o prenunciada das vacas em lacta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia \u00e0 doen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Tuberculose (TB) \u00e9 end\u00eamica em grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial de bovinos e \u00e9 um perigo para as vidas das vacas infectadas e as pessoas com quem entram em contato. E se pud\u00e9ssemos escolher eliminar a susceptibilidade \u00e0 TB?<\/p>\n<p>Geneticistas do Reino Unido desenvolveram avalia\u00e7\u00f5es gen\u00f4micas para resist\u00eancia \u00e0 TB, atrav\u00e9s da avalia\u00e7\u00e3o de dados de animais abatidos. N\u00f3s n\u00e3o poderemos ser capazes de eliminar a suscetibilidade em 50 anos, mas poder\u00edamos ir bem adiante nesse caminho que \u00e9 longo, para reduzir a suscetibilidade \u00e0 tuberculose, tristeza bovina, febre aftosa e v\u00e1rias outras doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<p>Isso seria ben\u00e9fico, particularmente nos pa\u00edses em desenvolvimento onde faltam os controles a doen\u00e7as, que existem em pa\u00edses desenvolvidos. Resist\u00eancia a doen\u00e7as infecciosas s\u00e3o apenas uma das possibilidades que poder\u00edamos desenvolver nos pr\u00f3ximos 50 anos. Sele\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas especializadas para produzir mais efetivamente queijo ou outros produtos, j\u00e1 pode ser avistado no horizonte. Estamos observando alguns desenvolvimentos nas avalia\u00e7\u00f5es gen\u00f4micas para efici\u00eancia alimentar, e h\u00e1 possibilidade tamb\u00e9m de que poderemos ser capazes de selecionar para reduzir a polui\u00e7\u00e3o causada pelos dejetos das vacas.<\/p>\n<p>Avalia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas para nitrog\u00eanio da ureia do leite pode ser usado como um caminho para selecionar vacas que venham a eliminar menos nitrog\u00eanio atrav\u00e9s das fezes, embora esse conceito \u00e9 altamente especulativo, muitos geneticistas j\u00e1 consideram essa possibilidade.<\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o de genes<\/strong><\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de genes \u00e9 vi\u00e1vel para algumas caracter\u00edsticas relativamente simples, como a cria\u00e7\u00e3o de bovinos que j\u00e1 nascem sem chifre (mochos), altera\u00e7\u00e3o do alelo beta-case\u00edna A1 para o alelo A2, criando o gene \u201cSLICK\u201d (pelo curto) para combater o estresse cal\u00f3rico em regi\u00f5es quentes. Mas precisamos deixar claro, que no momento, a edi\u00e7\u00e3o de genes ainda n\u00e3o foi aprovada para uso em animais destinados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos e talvez possa nunca ser, mas a possibilidade certamente existe. N\u00f3s podemos at\u00e9 ser capazes de ir al\u00e9m dessas mudan\u00e7as relativamente simples e editar grandes por\u00e7\u00f5es do genoma para otimizar caracter\u00edsticas como rendimento de leite e fertilidade.<\/p>\n<p>Cinquenta anos atr\u00e1s, a insemina\u00e7\u00e3o artificial estava a caminho de se tornar a ferramenta que dominaria a reprodu\u00e7\u00e3o de gado leiteiro, e a transfer\u00eancia de embri\u00f5es estava prestes a emergir. N\u00f3s sab\u00edamos a respeito de DNA e poderia ter previsto que os testes de DNA se tornariam importantes, mas n\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos nada sobre a ci\u00eancia da gen\u00f4mica, que permitiu a cria\u00e7\u00e3o de animais baseados em DNAs. N\u00f3s certamente veremos muitas mudan\u00e7as na pecu\u00e1ria de leite durante o pr\u00f3ximo meio s\u00e9culo. E atentem que nem estamos citando o que pode acontecer nas \u00e1reas de epigen\u00e9tica e microbioma.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que perdemos e o que antecipamos, que talvez n\u00e3o se realizar\u00e1? Isso \u00e9 dif\u00edcil de dizer, pois a \u00fanica coisa certa sobre prever o futuro \u00e9 que, desconsiderando a interven\u00e7\u00e3o divina, voc\u00ea errar\u00e1 muitas coisas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A iniciativa do projeto que estimou como o mercado de leite seria em 50 anos foi liderado por Jack Britt (North Carolina State University) e publicado no Journal of Dairy Science (Volume 101, Edi\u00e7\u00e3o 5, pag. 3722\u20133741). 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