{"id":8406,"date":"2019-07-02T13:39:25","date_gmt":"2019-07-02T16:39:25","guid":{"rendered":"https:\/\/baldebranco.com.br?p=8406"},"modified":"2019-07-02T13:39:25","modified_gmt":"2019-07-02T16:39:25","slug":"a-nova-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/baldebranco.com.br\/portal\/a-nova-minas-gerais\/","title":{"rendered":"A nova Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p>No m\u00eas passado estive nos munic\u00edpios de Tr\u00eas Passos e Campo Novo, a 50 km da fronteira com a Argentina, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Viajei a convite da Cotricampo, uma cooperativa que tem o maior moinho de trigo do Brasil e que n\u00e3o capta nem processa leite; ela est\u00e1 focada em gr\u00e3os. Mas cerca de 80% dos seus cooperados produzem leite. Uma parte razo\u00e1vel \u00e9 apenas de produtores de leite. S\u00e3o aqueles que t\u00eam pouca terra e n\u00e3o conseguem mais acompanhar as exig\u00eancias de crescentes investimentos em grandes maquinarias que os gr\u00e3os apresentam. <\/p>\n<p>Este fen\u00f4meno de cooperativas de gr\u00e3os, su\u00ednos e aves serem arrastadas para o leite j\u00e1 ocorre h\u00e1 mais de vinte anos, na regi\u00e3o Sul. Vale lembrar que a cooperativa catarinense Aurora, na origem, tinha na prote\u00edna animal o seu neg\u00f3cio. Para apoiar os seus cooperados que iam trocando de atividade, na comercializa\u00e7\u00e3o chegou a ter mais de 1 milh\u00e3o de litros de leite\/dia, antes de decidir processar o leite produzido por seus cooperados. O mesmo vale para a Frimesa.  <\/p>\n<p>Tr\u00eas Passos e Campo Novo s\u00e3o munic\u00edpios agr\u00edcolas, mas com IDH (\u00cdndice de Desenvolvimento Humano) de 0,822 e 0,736. Portanto, numa escala mundial, s\u00e3o considerados munic\u00edpios desenvolvidos, de \u00edndices Muito Alto e Alto, respectivamente. Para compara\u00e7\u00e3o, Juiz de Fora (0,778) e Uberaba (0,772), t\u00eam IDH similares. Neste indicador, Tr\u00eas Passos empata com Curitiba e Campo Novo empata com Castro, a capital do leite. O IDH classifica uma sociedade em grau de desenvolvimento, combinando os indicadores de renda, educa\u00e7\u00e3o e longevidade (expectativa de vida ao nascer). <\/p>\n<p>O evento reuniu cerca de 400 produtores que vieram com a toda a fam\u00edlia. Desde crian\u00e7as com menos de dez anos at\u00e9 idosos, com mais de setenta anos. Mas quase a metade da plateia era formada por jovens leiteiros. Meninos de 15 a 20 anos, filhos de produtores familiares, que se dedicam a cursos profissionalizantes voltados para o agroneg\u00f3cio. Eles est\u00e3o na fase de ficar em d\u00favida quanto a se migram para atividades urbanas ou se dedicam ao neg\u00f3cio da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O presidente da Cotricampo, Gelson Bridi, me agradeceu por ter deixado Minas Gerais e ido at\u00e9 eles. Eu lhes disse que me sentia em casa, pois sa\u00ed da Minas Gerais tradicional para estar na nova Minas Gerais. E n\u00e3o era ret\u00f3rica. Afinal, o senhor Gelson nasceu em 1972, quando os tr\u00eas estados do Sul produziam 23% do leite brasileiro, menos do que Minas Gerais. Agora, j\u00e1 produzem 37%, mais do que a produ\u00e7\u00e3o total dos estados da regi\u00e3o Sudeste do Brasil. Produzem hoje 50% mais do que a produ\u00e7\u00e3o brasileira de quando o senhor Gelson nasceu.<\/p>\n<p>Entre o munic\u00edpio ga\u00facho de N\u00e3o-Me-Toque, que fica no noroeste do Estado, na regi\u00e3o de Passo Fundo, e o munic\u00edpio paranaense de Cascavel, que fica no sudoeste do Estado, est\u00e1 a nova Minas Gerais. Ali j\u00e1 se produz mais leite que este primeiro estado produtor brasileiro, com produtividade tr\u00eas vezes maior que a m\u00e9dia nacional e superior \u00e0 da Argentina, do Uruguai, Paraguai e demais pa\u00edses do Mercosul. Superam neste quesito a Nova Zel\u00e2ndia e pa\u00edses da Europa, como a Irlanda. E, o que \u00e9 melhor, a um custo altamente competitivo em ternos de mercado internacional.<\/p>\n<p>O que fez desta regi\u00e3o a nova Minas Gerais? H\u00e1 um conjunto de fatores. S\u00e3o produtores familiares, que moram na propriedade, em que o casal e os filhos trabalham juntos. Cabe \u00e0 mulher cuidar dos animais e aos homens cuidar da alimenta\u00e7\u00e3o e de outras culturas. Os filhos se dedicam ao estudo e ao leite, desde cedo. Boa parte se vincula a cooperativas ou a empresas que prestam servi\u00e7os de assist\u00eancia t\u00e9cnica, e os prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais buscam apoio neste segmento para se elegerem e, com isso, se comprometem politicamente com a causa do leite. <\/p>\n<p>Portanto, as institui\u00e7\u00f5es funcionam a favor do leite. \u00c9 isso que faz Ponta Grossa, Jaguara\u00edva, Passo Fundo, Toledo e N\u00e3o-Me-Toque serem munic\u00edpios com produtividade de leite com padr\u00e3o europeu. Portanto, n\u00e3o estamos falando de produtividade de um rebanho, mas, sim, falando de produtividade de munic\u00edpios. E, com um detalhe importante, com baixo custo de capta\u00e7\u00e3o, dada a densidade por km, pois a produ\u00e7\u00e3o por propriedade \u00e9 mais homog\u00eanea que na Minas Gerais tradicional. <\/p>\n<p>O que mais surpreende \u00e9 a vis\u00e3o de futuro deles. Em fevereiro, a convite da Coopavel fizemos o dia Ideas For Milk para produtores e empresas, durante o Show rural Coopavel, em Cascavel, no Paran\u00e1. Em mar\u00e7o, fizemos a semana Ideas For Milk, na Expodireto, em N\u00e3o-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. Agora, fizemos a palestra Ideas For Milk em Campo Novo. Nos tr\u00eas eventos, Coopavel, Cotrijal\/CCGL e Cotricampo criaram condi\u00e7\u00f5es para se discutir o Leite 4.0, ou seja, o que est\u00e1 acontecendo em termos de automa\u00e7\u00e3o, empreendedorismo, startups, os novos valores na atividade leiteira. E trouxeram produtores, jovens e seus pais para interagirem conosco, da Embrapa, e com os meninos ganhadores do Ideas For Milk. Nesta regi\u00e3o, est\u00e3o construindo hoje o leite do futuro e o futuro do leite. Esta \u00e9 a nova Minas Gerais!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas passado estive nos munic\u00edpios de Tr\u00eas Passos e Campo Novo, a 50 km da fronteira com a Argentina, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Viajei a convite da Cotricampo, uma cooperativa que tem o maior moinho de trigo do Brasil e que n\u00e3o capta nem processa leite; ela est\u00e1 focada em gr\u00e3os. 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