Silagem de qualidade nasce de uma sequência de cuidados, do campo ao cocho

Especialista da Supra Sementes destaca os cinco pilares que ajudam o produtor a reduzir perdas, preservar nutrientes e melhorar o desempenho do rebanho

Quem trabalha com pecuária sabe que produzir uma boa silagem exige muito mais do que encher o silo. O resultado começa ainda na lavoura, passa pela colheita, compactação, vedação e só termina quando o alimento chega ao cocho.
Cada decisão tomada ao longo desse caminho interfere diretamente na qualidade da alimentação dos animais, no aproveitamento dos nutrientes e, consequentemente, no resultado da atividade. Um erro em qualquer etapa pode representar perdas de matéria-prima, aumento de custos e menor desempenho do rebanho.

Para o especialista em silagem da Supra Sementes, Maicon Paloschi (foto), o segredo está em respeitar cinco pilares fundamentais. “Não existe uma única etapa responsável por uma boa silagem. O resultado vem da soma de vários cuidados, desde a escolha do momento certo da colheita até a forma como o produtor retira e oferece esse alimento aos animais”, explica.

WhatsApp Image 2026 10 08 at 10.56.54O primeiro cuidado acontece ainda no campo. A planta precisa ser colhida no estágio ideal de maturação, buscando equilíbrio entre matéria seca, digestibilidade e teor de amido. No caso do milho, a recomendação é que a planta inteira esteja entre 32% e 38% de matéria seca. Colher antes ou depois do ponto adequado pode dificultar a compactação, comprometer a fermentação e reduzir o valor nutricional do alimento. “O produtor investe durante toda a condução da lavoura. Por isso, escolher corretamente o momento da colheita é essencial para que não seja perdido justamente na reta final”, afirma Paloschi.

Na sequência, entra a regulagem da colhedora. O tamanho das partículas e o processamento dos grãos influenciam a compactação, a fermentação e o aproveitamento da silagem pelos animais. Quando os grãos não são bem processados, parte do amido pode passar sem ser utilizada pelo rebanho.

A atenção à máquina durante a operação é decisiva. Ajustes no tamanho do corte e no processamento dos grãos ajudam a reduzir perdas e favorecem uma silagem mais uniforme e nutritiva. É justamente para apoiar o produtor ao longo dessas diferentes etapas que a Supra Sementes criou o FORTISILO, programa que reúne capacitação técnica, acompanhamento especializado e orientações práticas para a produção de silagem. A proposta contempla desde o planejamento da lavoura até a colheita, o armazenamento e o fornecimento ao rebanho, aproximando conhecimento técnico e tecnologia da rotina das propriedades.

O programa será implantado inicialmente nas principais regiões produtoras de leite e carne do Sul e Sudeste e contará com equipe técnica em regiões estratégicas, com recomendações ajustadas às condições locais e aos diferentes sistemas produtivos. As ações incluem eventos de campo, treinamentos, palestras, visitas técnicas e acompanhamento aos produtores.

Depois da colheita, o desafio é retirar o máximo possível de oxigênio da massa ensilada. Para isso, a compactação precisa ser feita de forma contínua, com camadas finas de forragem e peso suficiente sobre o material. Quanto menos ar permanecer dentro do silo, mais rápida tende a ser a fermentação e menores são as chances de aquecimento e deterioração.

A vedação também precisa ser imediata e bem executada. O uso de lonas de boa qualidade, corretamente posicionadas e fixadas, ajuda a impedir a entrada de oxigênio e água, preservando os nutrientes armazenados. Segundo Paloschi, muitos produtores fazem um bom trabalho até o enchimento do silo, mas podem perder parte desse resultado se não tiverem o mesmo cuidado no fechamento.

“Uma pequena falha na vedação pode gerar uma perda significativa, principalmente nas bordas e nas camadas superiores. É um detalhe que custa caro quando não recebe a devida atenção”, destaca.

O último pilar está no momento da utilização. Uma silagem bem produzida também pode perder qualidade durante a abertura e o desabastecimento. Por isso, é importante manter uma frente de corte uniforme, evitar o revolvimento excessivo da massa e retirar diariamente uma quantidade compatível com o tamanho do silo e com as condições climáticas. Esse manejo reduz a exposição ao oxigênio e ajuda a garantir que o alimento chegue ao cocho com maior estabilidade e qualidade nutricional.

“Produzir silagem de qualidade não depende de uma única operação, mas da soma de decisões corretas desde a lavoura até o fornecimento aos animais. Colheita no ponto certo, processamento adequado, compactação eficiente, vedação rigorosa e manejo correto na retirada são os cinco pilares que determinam o sucesso da conservação e o retorno econômico da atividade”, reforça Maicon Paloschi.

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