Taxa de prenhez chega a 32% em fazenda leiteira após adoção de monitoramento inteligente

Na Granja Lamperti, no Rio Grande do Sul, tecnologia da Nedap contribuiu para melhorar os índices reprodutivos, antecipar problemas de saúde e tornar o manejo mais eficiente

 

A dificuldade em identificar o cio das vacas e acompanhar os indicadores reprodutivos pode comprometer a eficiência das fazendas leiteiras, aumentando os custos e o intervalo entre partos. Na Granja Lamperti, localizada em Anta Gorda (RS), a adoção de ferramentas de gestão e monitoramento individual do rebanho contribuiu para elevar a taxa de prenhez, que estava em aproximadamente 15% e chegou a atingir 32%. Atualmente, o indicador se mantém entre 24% e 25%. 

A transformação começou em janeiro de 2025, quando a propriedade familiar passou a utilizar o MyDC, software de gerenciamento zootécnico da VAS. Até então, a fazenda praticamente não contava com ferramentas digitais para acompanhar os resultados da reprodução. Com os primeiros levantamentos, foi possível identificar que a taxa de prenhez estava entre 13% e 14%, revelando a necessidade de aprimorar o manejo reprodutivo. 

O passo seguinte foi a adoção do Alta CowWatch, sistema de monitoramento individual com tecnologia Nedap. Por meio de colares inteligentes, a tecnologia acompanha continuamente o comportamento das vacas, fornecendo informações sobre reprodução, saúde, alimentação e bem-estar animal. 

Segundo o médico-veterinário da propriedade, Bernardo Ghilardi, a implantação do sistema, associada aos ajustes realizados no manejo, trouxe avanços importantes para a eficiência reprodutiva. Em alguns meses, a taxa de serviço chegou a 88%, indicador que representa a proporção de vacas elegíveis à inseminação que efetivamente são inseminadas em determinado período. 

“Quando começamos a medir a reprodução, a taxa de prenhez estava em torno de 13% a 14%. Depois da adoção do CowWatch, alcançamos, em alguns meses, até 88% de taxa de serviço. Saímos de aproximadamente 15% para um pico de 32% de taxa de prenhez e, atualmente, estamos mantendo esse indicador entre 24% e 25%”, explica o veterinário. 

Na rotina da fazenda, a mudança foi percebida principalmente na identificação dos animais em cio. Antes da implantação dos colares, a propriedade dependia fortemente de protocolos reprodutivos, já que muitos cios passavam despercebidos pela observação visual. 

“Antes do Alta CowWatch eu quase não via cio. Era protocolo em praticamente todas as vacas. Hoje consigo identificar muito mais cios de retorno, cerca de 80%, e continuo fazendo protocolos, mas não em todas as vacas”, relata o produtor João Vitor Lamperti, integrante da família responsável pela propriedade. 

A identificação mais precisa do cio permite direcionar os protocolos hormonais aos animais que realmente necessitam de intervenção, evitando manejos desnecessários e contribuindo para uma rotina mais organizada. 

Ganhos na saúde e na produtividade do rebanho 

Os resultados observados na Granja Lamperti não ficaram restritos à reprodução. O monitoramento contínuo também passou a auxiliar na identificação antecipada de alterações de saúde, permitindo que a equipe avalie possíveis problemas antes que eles se agravem. 

De acordo com médico-veterinário, um dos exemplos ocorreu durante um período em que a propriedade enfrentava casos de tristeza parasitária bovina, doença que já havia provocado a morte de animais. Após a implantação dos colares e os ajustes realizados no manejo, não foram registradas novas perdas pela enfermidade. 

NEDAP Granja Lamperti 10

“Depois que a propriedade adotou o Alta CowWatch, tivemos muitos ganhos, tanto na identificação antecipada de problemas de saúde quanto na reprodução. Quando começamos a instalar os colares, a fazenda enfrentava casos de tristeza parasitária bovina e já havia perdido vários animais. Desde então, não tivemos mais perdas por essa doença”, relata Ghilardi. 

Outro avanço ocorreu no manejo durante os meses mais quentes. A partir das informações geradas pelo sistema, a equipe avaliou a regularidade dos banhos das vacas e realizou ajustes para amenizar os efeitos do estresse calórico sobre o rebanho. 

Paralelamente às melhorias na gestão, a fazenda registrou evolução no desempenho produtivo. A produção, que anteriormente apresentava picos entre 32 e 35 litros por vaca, chegou a atingir 43 litros por animal, com duas ordenhas diárias. 

Para Tiago Ferreira, da Alta Genetics, responsável pelo acompanhamento da propriedade, os resultados demonstram que a tecnologia precisa estar associada ao conhecimento técnico e à interpretação adequada dos indicadores. 

“A tecnologia não anda sozinha. Esse acompanhamento é fundamental, com uma pessoa que tenha bom conhecimento técnico e entenda como esses indicadores podem transformar a realidade da fazenda”, destaca. 

A experiência também reforça a importância de integrar os dados de monitoramento às demais informações zootécnicas da propriedade. Dessa forma, os indicadores deixam de ser apenas registros e passam a orientar decisões relacionadas à reprodução, à saúde e ao manejo dos animais. 

Para a médica-veterinária e gerente da Nedap no Brasil, Anna Luiza Belli, o caso demonstra como o monitoramento individual pode contribuir para uma gestão mais precisa da pecuária leiteira. 

“O principal benefício do monitoramento é permitir que o produtor conheça melhor cada animal e consiga agir no momento certo. A experiência da Granja Lamperti mostra como os dados podem apoiar o trabalho da equipe técnica, melhorar os indicadores reprodutivos e contribuir para decisões mais eficientes em diferentes áreas da fazenda”, explica. 

A evolução da propriedade também acompanha a história da família Lamperti, que iniciou a atividade leiteira com apenas duas ou três vacas. Durante muitos anos, parte da produção era destinada à produção de queijos, comercializados pela família em uma época em que as condições das estradas dificultavam a coleta do leite. 

Hoje, com filhos e netos envolvidos na condução do negócio, a granja mantém sua tradição familiar e incorpora novas ferramentas para organizar o trabalho e acompanhar os resultados da produção. 

Para João Vitor, a tecnologia se tornou parte da rotina de manejo. “Facilitou muito para identificar se uma vaca está doente ou não. Se eu soubesse o quanto ajudaria, teria colocado cinco anos antes”, afirma. 

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