Vacinação reprodutiva ajuda a proteger o rebanho e preservar a eficiência da pecuária

Prevenção de doenças que podem causar abortos, repetição de cio e queda na taxa de prenhez contribui para maior previsibilidade e produtividade na fazenda

A eficiência reprodutiva está diretamente ligada à capacidade de uma propriedade pecuária de produzir bezerros de forma regular e manter a produtividade do rebanho. Nesse cenário, a vacinação reprodutiva é uma das ferramentas utilizadas para reduzir os riscos de doenças infecciosas que podem provocar abortos, morte embrionária, infertilidade, repetição de cio, nascimento de bezerros debilitados e queda na taxa de prenhez. Mais do que uma medida de proteção sanitária, a prevenção contribui para tornar os resultados reprodutivos mais previsíveis e reduzir perdas ao longo do ciclo produtivo.

 

“Quando o rebanho está protegido, o produtor reduz os riscos sanitários e consegue trabalhar com mais previsibilidade dentro do planejamento reprodutivo. Isso é especialmente importante em sistemas que utilizam estação de monta, inseminação artificial ou protocolos de inseminação em tempo fixo, nos quais qualquer perda reprodutiva pode comprometer o resultado de toda a estratégia”, explica Gibrann Frederiko, médico-veterinário e promotor de vendas da Nossa Lavoura.

 

Entre as principais enfermidades que podem comprometer a reprodução do rebanho estão brucelose, leptospirose, rinotraqueíte infecciosa bovina, diarreia viral bovina, campilobacteriose e tricomonose. A ocorrência e a relevância de cada doença podem variar conforme a região, o sistema de produção, o trânsito de animais e o nível de controle sanitário da propriedade. 

 

Os impactos dessas doenças também afetam diretamente a produtividade e a rentabilidade da fazenda. A redução da taxa de prenhez, por exemplo, significa menos bezerros produzidos por ano e pode aumentar o custo de manutenção das matrizes, além de comprometer a reposição do rebanho e o número de animais disponíveis para comercialização. Em casos mais graves, também pode haver aumento dos custos veterinários, descarte involuntário de matrizes e redução da produtividade por hectare.

 

“Cada gestação perdida representa um animal que não será desmamado, comercializado ou utilizado na reposição do rebanho. Por isso, a reprodução precisa ser tratada como um dos centros econômicos da pecuária de cria. Prevenir problemas sanitários é uma forma de reduzir perdas antes que elas apareçam no resultado da fazenda”, destaca Frederiko.

 

Para reduzir os riscos, o protocolo de vacinação deve ser planejado com antecedência em relação à estação de monta, considerando a categoria dos animais, o histórico sanitário da propriedade, o calendário regional e as recomendações do fabricante. Dependendo da vacina utilizada, a primovacinação pode exigir duas doses iniciais com intervalo específico, enquanto animais já vacinados podem seguir um calendário de reforços.

 

“O calendário sanitário precisa ser tratado como parte do planejamento da propriedade. Não adianta definir uma estratégia e não respeitar os intervalos, deixar de fazer os reforços ou aplicar a vacina de maneira inadequada. A proteção esperada depende da execução correta do protocolo, por isso é importante seguir as orientações do fabricante e contar com acompanhamento veterinário”, afirma o médico-veterinário.

 

A vacinação, porém, não deve ser encarada como uma medida isolada. O desempenho reprodutivo depende da combinação entre sanidade, nutrição, genética e manejo. Escore corporal adequado, avaliação ginecológica das fêmeas, exame andrológico dos touros, controle de doenças venéreas, quarentena e exames de animais recém-adquiridos, controle de parasitas, qualidade da água, registros zootécnicos e sanitários e diagnóstico de gestação também fazem parte de um programa reprodutivo estruturado.

 

Outro ponto de atenção está na execução da vacinação. Falhas como utilizar produtos fora da validade ou armazenados de maneira inadequada, não seguir dose e via de aplicação e deixar de registrar as aplicações podem comprometer o resultado esperado. A vacinação contra brucelose, especificamente, deve seguir as exigências oficiais e ser realizada por profissional habilitado, conforme a legislação vigente.

 

Para Frederiko, o acompanhamento dos indicadores é fundamental para que o produtor consiga identificar os gargalos e avaliar a eficiência das medidas adotadas. “O primeiro passo é medir os resultados atuais da fazenda, como taxa de prenhez, natalidade, desmame, intervalo entre partos, idade do primeiro parto e desempenho dos touros. A partir desses dados, é possível entender onde estão os principais problemas e estruturar um calendário sanitário adequado para a realidade daquela propriedade”, orienta.

 

A organização dos registros também permite acompanhar a evolução do rebanho e identificar alterações que poderiam passar despercebidas. Nesse sentido, a prevenção pode contribuir não apenas para reduzir a ocorrência de doenças, mas também para tornar os resultados produtivos mais previsíveis e melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis na propriedade.

 

“A vacinação reprodutiva deve fazer parte de um planejamento anual, e não ser tratada como uma ação isolada ou emergencial. Com prevenção, acompanhamento veterinário e disciplina na execução do protocolo, o produtor reduz os riscos sanitários e cria melhores condições para alcançar eficiência reprodutiva e econômica”, conclui o especialista.

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