Melhoramento genético ganha protagonismo na construção de uma pecuária leiteira mais eficiente, sustentável e resiliente às mudanças climáticas
Celebrado em 1º de junho, o Dia Mundial do Leite reforça a relevância de um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros e de uma cadeia produtiva estratégica para o agronegócio nacional. Em um cenário marcado pelo avanço da produção, pela busca crescente por eficiência e pelos desafios ligados à sustentabilidade, ciência e tecnologia vêm assumindo papel cada vez mais central dentro das fazendas leiteiras.
Nesse contexto, a genética desponta como uma das principais ferramentas para transformar a produtividade dos rebanhos e tornar os sistemas de produção mais eficientes, resilientes e rentáveis. Estudos recentes conduzidos pela Zoetis, líder mundial em saúde animal, mostram que animais geneticamente superiores podem produzir mais leite, apresentar melhor desempenho em ambientes de estresse térmico e ainda contribuir para a redução da intensidade das emissões de gases de efeito estufa.
O tema ganha ainda mais relevância em um momento de expansão da atividade leiteira no Brasil. Dados recentes apontam que o país registrou, em 2025, a maior captação de leite da história, com 27,5 bilhões de litros adquiridos por laticínios sob inspeção sanitária. O crescimento da produção evidencia o potencial da cadeia, mas também amplia os desafios relacionados ao uso eficiente de recursos, adaptação climática e sustentabilidade da atividade.
Genética passa a orientar decisões estratégicas dentro das fazendas
De acordo com os estudos conduzidos pela Zoetis, a utilização de avaliações genéticas avançadas tem permitido identificar animais com maior potencial produtivo, melhor eficiência alimentar e maior capacidade de adaptação às condições ambientais cada vez mais desafiadoras.
Os resultados observados demonstram impactos significativos tanto no desempenho produtivo quanto nos indicadores ambientais dos rebanhos. Segundo a companhia, os animais avaliados apresentaram aumento médio de 9,2% na produção de leite, redução de 18,1% na taxa de reposição do rebanho, diminuição de até 12,7% na intensidade das emissões de metano e redução média de 9,5% na intensidade de nitrogênio relacionada à produção leiteira.
Mais do que ampliar a produtividade, o objetivo da genética moderna é construir rebanhos mais equilibrados e eficientes ao longo de toda a vida produtiva dos animais.
“A genética tem permitido que o produtor tome decisões cada vez mais assertivas dentro do rebanho, identificando animais com maior potencial produtivo, melhor eficiência alimentar e maior resiliência aos desafios climáticos. Quando olhamos para traços genéticos ligados à saúde, longevidade, fertilidade e sustentabilidade, conseguimos acelerar o melhoramento genético de forma consistente, além de construir rebanhos mais eficientes para a pecuária leiteira do futuro”, destaca Henrique Hooper, coordenador de Serviços Técnicos de Ruminantes da Zoetis Brasil.
Sustentabilidade ganha espaço dentro do melhoramento genético
A pressão global por sistemas de produção mais sustentáveis também tem acelerado a incorporação de indicadores ambientais nas avaliações genéticas.
Os dados relacionados à sustentabilidade apresentados pela Zoetis foram desenvolvidos a partir de estudos conduzidos com o modelo científico RuFaS (Ruminant Farm System), referência internacional na avaliação ambiental da pecuária leiteira. A metodologia passou a integrar a nova configuração do Clarifide Dairy Plus, solução genética da companhia voltada para apoio à tomada de decisão nas fazendas.
A análise considera informações relacionadas à produção de gases, sólidos voláteis e eficiência produtiva, associando esses dados ao DWP$® (Dairy Wellness Profit Index), índice econômico desenvolvido pela Zoetis para avaliar a rentabilidade dos animais dentro do sistema produtivo.
O DWP$ reúne diferentes características ligadas à produção e qualidade do leite, fertilidade, eficiência nutricional, bem-estar animal e uso racional de antibióticos. Com as atualizações recentes, o índice também passou a incorporar avaliações relacionadas à eficiência alimentar e à resiliência ao calor.
Na prática, isso permite que produtores selecionem animais não apenas pelo volume produzido, mas também pela capacidade de transformar nutrientes em leite de forma mais eficiente, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.
Resiliência ao calor se torna prioridade na pecuária leiteira
Outro ponto que ganha cada vez mais importância na cadeia leiteira é a adaptação dos animais às altas temperaturas.
Com o aumento da frequência de ondas de calor e os impactos das mudanças climáticas sobre a produção animal, cresce a necessidade de identificar bovinos capazes de manter desempenho produtivo, saúde e fertilidade mesmo em condições de estresse térmico.
Nesse cenário, os estudos da Zoetis avançam na identificação de características genéticas relacionadas à resiliência climática. As avaliações desenvolvidas pela empresa conseguem diferenciar animais mais adaptados às condições ambientais dentro de um mesmo rebanho, utilizando indicadores como temperatura, umidade e impacto climático sobre a produção.
A identificação desses animais se torna estratégica principalmente para sistemas de produção intensivos, nos quais o estresse térmico pode comprometer diretamente a eficiência produtiva e reprodutiva das vacas.
Eficiência alimentar reduz custos e impacto ambiental
Além da adaptação ao clima, a eficiência alimentar também vem sendo considerada um dos pilares da pecuária leiteira moderna.
Animais mais eficientes conseguem converter melhor os nutrientes consumidos em produção de leite, reduzindo desperdícios e aumentando o aproveitamento nutricional das dietas. O resultado é uma produção mais rentável e com menor emissão de gases de efeito estufa por litro produzido.
Segundo especialistas, esse tipo de avaliação tende a ganhar cada vez mais espaço nos programas de melhoramento genético, principalmente diante da necessidade de equilibrar produtividade, rentabilidade e sustentabilidade ambiental.
Genética baseada em dados impulsiona nova fase da pecuária leiteira
Para apoiar produtores na tomada de decisão baseada em informações técnicas, a Zoetis vem incorporando essas avaliações em soluções genéticas como o Clarifide Dairy Plus, considerado a primeira avaliação genética comercial desenvolvida especificamente para características relacionadas ao bem-estar de vacas e bezerras leiteiras.
A ferramenta fornece avaliações genômicas relacionadas a fatores de risco genético ligados a doenças economicamente relevantes em bovinos das raças Holandesa e Jersey, além de incluir indicadores relacionados à eficiência alimentar, sustentabilidade, adaptação climática e bem-estar animal.
A proposta é permitir que produtores identifiquem, com maior precisão, animais mais produtivos, eficientes e resilientes aos desafios atuais e futuros da pecuária leiteira.
Ao conectar genética, ciência e tecnologia, a companhia reforça a tendência de uma pecuária cada vez mais orientada por dados, eficiência produtiva e sustentabilidade, pilares considerados fundamentais para o crescimento do setor nos próximos anos.