A força da produção animal, a recuperação das lavouras e a expansão dos embarques internacionais levaram o agronegócio de Santa Catarina ao maior Valor da Produção Agropecuária já registrado, reforçando a competitividade e a resiliência do setor
Isabela Schwengber, jornalista da Epagri
Após enfrentar um período de retração em 2024, o agronegócio de Santa Catarina voltou a demonstrar sua força em 2025, alcançando resultados históricos e reafirmando sua importância para a economia estadual e nacional. Impulsionado pela normalização das condições climáticas, pela recuperação dos preços agrícolas e pelo aumento da produção física em diversas cadeias produtivas, o setor registrou o maior Valor da Produção Agropecuária (VPA) já contabilizado no Estado.
Os números constam na 46ª edição da Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, elaborada pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) e divulgada no início de junho. O estudo aponta que o VPA catarinense atingiu R$ 75,1 bilhões em 2025, representando crescimento nominal de 15,8% em relação aos R$ 64,8 bilhões registrados em 2024. Quando descontada a inflação, o avanço real foi de 12,5%, revertendo a queda real de 4,3% observada no ano anterior.
O resultado consolida uma trajetória consistente de expansão do agronegócio catarinense, que apresentou crescimento médio real de 4,3% ao ano na última década, mesmo diante de desafios climáticos, econômicos e geopolíticos.

Radiografia completa do agronegócio catarinense
A publicação da Epagri/Cepa reúne análises detalhadas de 64 produtos agropecuários, abrangendo os segmentos de produção vegetal, produção animal, aquicultura e setor florestal. Com base em dados oficiais validados tecnicamente, o documento oferece uma visão abrangente do desempenho do setor em 2025 e das perspectivas para os próximos anos.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, a Síntese Anual representa uma importante ferramenta para compreender a evolução do agronegócio catarinense e subsidiar decisões estratégicas.
“A Síntese Anual da Agricultura traz um retrato da força e da evolução do agronegócio catarinense, evidenciando resultados históricos, como o maior Valor da Produção Agropecuária já registrado no Estado e o crescimento das exportações. Esses dados são fundamentais para orientar a tomada de decisões, aprimorar políticas públicas e fortalecer ainda mais o desenvolvimento do setor”, destacou.
Para o presidente da Epagri, Dirceu Leite, os resultados refletem a capacidade de adaptação e inovação dos produtores catarinenses, aliada ao trabalho contínuo de pesquisa e assistência técnica desenvolvido pela instituição.
“Os números são fruto de um trabalho silencioso, contínuo e integrado que une a pesquisa científica de ponta e a extensão rural da Epagri ao campo. Nossa empresa se orgulha de ser um dos braços técnicos que transformam conhecimento em rentabilidade, garantindo que Santa Catarina siga alimentando o Brasil e o planeta com sustentabilidade, alta produtividade e qualidade incomparável”, afirmou.
Grãos, frutas e pecuária lideram avanço do VPA
A recuperação do agronegócio catarinense foi impulsionada principalmente pelo excelente desempenho das lavouras de grãos e pela consolidação da pecuária, que continua sendo o principal motor econômico do setor.
Entre os produtos que mais contribuíram para o crescimento do VPA em 2025, destacam-se:
- Milho: crescimento de 50,5%;
- Milho para silagem: alta de 46%;
- Maçã: aumento de 34,3%;
- Tabaco: avanço de 33%;
- Bovinos de corte: crescimento de 32,6%;
- Soja: alta de 24,3%;
- Suínos: incremento de 20,1%.
A composição do VPA reforça o protagonismo da produção animal, responsável por aproximadamente 60% de toda a riqueza gerada pelo agronegócio catarinense. Os grãos representam cerca de 21% do valor total produzido.
Entre as atividades de maior relevância econômica no Estado, os destaques são:
- Suinocultura: 21,9% do VPA;
- Avicultura de corte: 15,4%;
- Produção de leite: 11,5%;
- Soja: 9,0%;
- Tabaco: 6,1%;
- Bovinocultura de corte: 5,3%.
Esses números demonstram a diversificação produtiva de Santa Catarina e a forte integração entre agricultura e pecuária, característica que contribui para a estabilidade e competitividade do setor.
Exportações fortalecem protagonismo catarinense
O desempenho do agronegócio catarinense também foi impulsionado pelo mercado internacional. Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 7,9 bilhões, consolidando Santa Catarina como uma das principais potências exportadoras de proteína animal do país.
Os dados mostram que, em janeiro de 2026, o Estado respondeu por 49,4% do volume exportado e 51,7% da receita brasileira obtida com as vendas externas de carne suína. No segmento de carne de frango, a participação foi de 23,1% do volume embarcado e 26,4% da receita nacional.
Um dos fatores que contribuíram para esse desempenho foi a ampliação do acesso a novos mercados internacionais. As exportações de carne suína para o Japão, por exemplo, cresceram expressivos 58,1% em volume, reforçando a competitividade da cadeia produtiva catarinense.
Cenário exige planejamento e informação
Além dos resultados econômicos, a Síntese Anual apresenta análises sobre crédito rural, geopolítica, comércio internacional e tendências globais que influenciam diretamente o agronegócio.
De acordo com Luis Augusto Araujo, analista da Epagri/Cepa, o atual contexto exige cada vez mais informação qualificada para embasar decisões estratégicas.
“Produtores, investidores e gestores públicos precisam de uma leitura clara do presente para planejar o futuro. A Síntese reúne dados oficiais, validados tecnicamente, que mostram não apenas o que aconteceu em 2025, mas também apontam tendências para os próximos ciclos”, ressaltou.
Desafios persistem em algumas cadeias produtivas
Apesar do cenário amplamente positivo, alguns segmentos enfrentaram dificuldades ao longo do período analisado.
Entre os principais desafios estiveram a forte desvalorização do arroz e do feijão, pressionados pela queda dos preços de mercado, além da redução de 26% nos preços da cebola pagos ao produtor em janeiro de 2026.
O setor florestal também sentiu os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos de madeira a partir de agosto de 2025, provocando retração nas exportações.
Na pecuária leiteira, produtores do Alto Vale do Rio do Peixe registraram queda de aproximadamente 12% no preço recebido pelo leite no início de 2026. Já a aquicultura enfrentou redução no valor da produção de tilápias em função da diminuição dos preços pagos pelo mercado.
Perspectivas positivas para 2026
Mesmo diante desses desafios, o cenário para o agronegócio catarinense segue promissor. A recuperação dos grãos, especialmente soja e milho, e o crescimento de 14,2% da pecuária em valor, sustentado por preços favoráveis para suínos, aves e bovinos, reforçam as expectativas positivas.
Outro destaque foi a recuperação da produção de maçã na safra 2025/26, com crescimento de 27,9%. O município de Lages concentrou 83,2% da produção estadual, reafirmando sua liderança na atividade.

No setor leiteiro, os primeiros sinais de reação do mercado também começaram a aparecer. O preço do leite UHT passou de R$ 3,30 para R$ 3,42 por litro entre janeiro e fevereiro de 2026, indicando melhora nas condições de comercialização.
Com uma agropecuária diversificada, forte presença internacional e crescente incorporação de tecnologia e inovação, Santa Catarina consolida sua posição entre os estados mais competitivos do agronegócio brasileiro, transformando desafios em oportunidades e mantendo o setor como um dos pilares do desenvolvimento econômico estadual.
Box – Números que marcaram o agro catarinense em 2025
✔ VPA recorde de R$ 75,1 bilhões
✔ Crescimento real de 12,5%
✔ Exportações do agro somaram US$ 7,9 bilhões
✔ Produção animal representa 60% do VPA estadual
✔ Santa Catarina responde por 51,7% da receita brasileira das exportações de carne suína
✔ Milho liderou a alta do VPA com crescimento de 50,5%
✔ Pecuária avançou 14,2% em valor
✔ Maçã registrou recuperação de 27,9% na safra 2025/26
✔ Soja cresceu 24,3% e suínos 20,1% no VPA estadual.