Quando se fala em produção animal, muitas pessoas imaginam que a saúde dos animais depende principalmente do tratamento de doenças. No entanto, a ciência tem mostrado que o caminho mais eficiente é justamente evitar que os problemas aconteçam.
Essa mudança de abordagem tem ganhado cada vez mais relevância em todo o mundo. Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) defendem o fortalecimento de estratégias preventivas como forma de promover a saúde animal, garantir a segurança dos alimentos e contribuir para a sustentabilidade da produção.
Na prática, isso significa que fatores como nutrição adequada, biosseguridade, manejo, bem-estar animal e monitoramento constante passaram a ocupar papel central dentro das granjas, fazendas e sistemas produtivos.
Segundo a FAO, animais saudáveis tendem a apresentar melhor desempenho produtivo, maior eficiência no aproveitamento dos nutrientes e menor suscetibilidade a desafios sanitários. Por isso, a prevenção é considerada hoje uma das principais ferramentas para promover uma produção mais eficiente e sustentável.
A nutrição está entre os pilares dessa estratégia. Assim como uma alimentação equilibrada contribui para a saúde das pessoas, a dieta dos animais exerce influência direta sobre seu desenvolvimento, sua capacidade de resposta aos desafios do ambiente e sua saúde intestinal.
“A prevenção começa muito antes de qualquer intervenção sanitária. Ela envolve um conjunto de fatores que inclui manejo adequado, ambiente, genética e, principalmente, nutrição. Quando o animal recebe os nutrientes de que necessita em cada fase da vida, ele tem melhores condições para expressar seu potencial produtivo e enfrentar os desafios do sistema de produção”, explica Gisele Neri, zootecnista e gerente da Kemin, fabricante global de ingredientes.
Nos últimos anos, a indústria de nutrição animal tem investido no desenvolvimento de tecnologias e ingredientes capazes de apoiar a saúde intestinal, a integridade do trato digestivo e o equilíbrio fisiológico dos animais. Essas estratégias contribuem para fortalecer as condições gerais de saúde dos animais, reduzindo impactos produtivos causados por diferentes desafios sanitários.
A preocupação com a prevenção também está relacionada a uma demanda crescente da sociedade por sistemas produtivos cada vez mais eficientes, sustentáveis e alinhados às boas práticas de produção animal.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência antimicrobiana é um dos principais desafios globais de saúde pública. Nesse cenário, especialistas apontam que a combinação entre manejo, biosseguridade e nutrição adequada desempenha papel importante dentro das estratégias voltadas à promoção da saúde animal.
“Hoje existe uma compreensão cada vez maior de que a saúde animal deve ser construída diariamente. A prevenção não depende de uma única ferramenta, mas da integração de diferentes práticas que contribuem para o bem-estar dos animais e para a eficiência da produção”, destaca a especialista.
Para o consumidor, embora muitas vezes esse trabalho aconteça longe dos olhos do público, seus efeitos podem ser percebidos na qualidade, segurança e regularidade do abastecimento de alimentos de origem animal.
Mito ou Verdade?
Produzir mais significa apenas tratar doenças quando elas aparecem?
Mito.
A produção animal moderna trabalha cada vez mais com estratégias preventivas para promover a saúde dos animais e reduzir impactos produtivos.
Nutrição influencia a saúde animal?
Sim.
A alimentação adequada contribui para o desenvolvimento, o bem-estar e o equilíbrio fisiológico dos animais.
A prevenção é importante apenas para a produtividade?
Não.
Ela também está relacionada ao bem-estar animal, à sustentabilidade da produção e à segurança dos alimentos.
A prevenção substitui outras práticas de manejo?
Não.
Ela funciona em conjunto com medidas como biosseguridade, monitoramento sanitário, ambiência e bem-estar animal.