Projeto de pesquisa do Instituto de Zootecnia (IZ–APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de SP, recentemente aprovado pela Fapesp, se propõe a investigar marcadores moleculares no gene da lactoferrina. Presente no leite e outras secreções, como lágrimas e saliva, a proteína pode estar ligada a melhores indicadores de saúde e bem-estar em búfalas, aumentando a produtividade e qualidade do leite.
“A lactoferrina é uma proteína com alta capacidade de ligação com o ferro. Como diminui o ferro circulante, diminui o desenvolvimento microbiológico, já que bactérias patogênicas necessitam de ferro livre para o crescimento, e com isso há uma menor predisposição a doenças como a mastite”, explica Anibal Vercesi Filho, diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Genética e Biotecnologia do IZ, que coordena a pesquisa.
De acordo com o pesquisador, a possibilidade de utilizar marcadores moleculares de genes que codificam proteínas do leite, visando à seleção de características de importância econômica como produção, qualidade e saúde, representa uma ferramenta valiosa para o melhoramento genético. “O objetivo é verificar quais fatores não genéticos interferem na produção de lactoferrina e estimar se essa tem associação com produção e contagem de células somáticas”, comenta. A presença elevada desse tipo de células no leite pode ser indicativo de infecções ou outros problemas de saúde.
O projeto prevê o acompanhamento da lactação de 500 búfalas localizadas em seis fazendas no estado de São Paulo. Será realizado um controle leiteiro mensal de cada matriz para mensurar a produção de leite, e avaliados os teores de gordura, proteína, lactose e contagem de células somáticas (CCS), além da quantidade de lactoferrina nas amostras do leite. “Em conjunto vamos avaliar as amostras de sangue para extração do DNA genômico para identificação de polimorfismos e possíveis correlações com às características de produção e contagem de células somáticas”, afirma o pesquisador.
Laboratório de Genética do IZ
Reconhecido pelo desenvolvimento de metodologias para detecção de fraudes em produtos lácteos, como o método para identificação do leite de vaca em produtos de ovinos, caprinos e bubalinos, sendo responsável, em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), pelo Selo de Pureza – 100% Búfalo ABCB.
Pioneiro na identificação do leite A2 no país, produto livre da beta-caseína A1, cuja digestão produz betacasomorfina 7, que causa desconforto gastrointestinal em algumas pessoas, o laboratório realiza a maior parte das análises de leite A2 que são certificadas no país, além da avaliação genética para detectar animais que produzem este tipo de leite, contribuindo a formação de rebanhos que produzem leite A2.
Recentemente desenvolveu nova metodologia para genotipar o gene CSN3 da caseína cujo alelo B está associado a maior rendimento de queijo, contribuindo para aumento da rentabilidade dos produtores.