O Rio Grande do Sul tem demanda por leite de búfala, mas a falta de matéria-prima faz com que parte do abastecimento venha de outros estados. UFRGS, Emater/RS, Seapi e Ascribu discutem formas de ampliar a produção local, especialmente em pequenas propriedades
Por Érika Ferraz – foto Ieda Risco
Um grupo multidisciplinar se reuniu na manhã de quarta-feira (2) para tentar romper um gargalo na produção de leite de búfala: a escassez de matéria prima para o único frigorífico do estado. Participaram da reunião a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Emater/RS, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação e Desenvolvimento Rural (Seapi) e a Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu).
O coordenador do Grupo de Estudos em Bubalinocultura (Gebu), professor Diogo Magnabosco, relatou que, a partir do encontro, será proposta a participação de representantes da cadeia junto à Câmara Setorial do Leite, com o objetivo de promover discussões e, eventualmente, criar um grupo de trabalho em específico. “Para realmente fomentar o búfalo, ver essa rota do leite para poder chegar na gôndola e poder produzir em maior escala e atender a nossa demanda aqui no Rio Grande do Sul”, relatou. O professor também disse que hoje, em grande parte, a demanda é atendida por “importados” de outros estados.
Dos dois frigoríficos que processam leite de búfalas no Rio Grande do Sul, apenas um está em funcionamento. O coordenador do Gebu entende que, em tendo mais produtores de leite, cresceria a possibilidade de mais laticínios sendo ativados. “Até pela característica da produção de leite búfala, a gente entende que ele pode ser gerado através de agricultura familiar, em pequena escala, em regiões específicas, até próximas ao local onde a gente tem essa produção”, pontuou.
Um trabalho de educação também foi sugerido para mostrar a pequenos produtores e estudantes do ensino técnico agrícola, os benefícios da bubalinocultura. “É um animal que exige menos na parte sanitária, os desafios sanitários são menores, resistente, em parte, ao carrapato, não tem tanto problema quanto isso, pela característica do próprio animal, pela forma como que ele vai buscar se termorregular, usa muito a água, tem um couro mais espesso, então, esse que é um problema grande no estado, ele consegue ser suprido, a gente vê, por exemplo, um problema menor com mastite, então a parte sanitária é uma parte bem interessante, isso gera um animal que consegue ser eficiente, resistente a alguns problemas mas ainda produzir um produto que consegue ter valor no mercado”, detalhou. Magnabosco ressaltou também, que o leite de búfala tem por característica render mais na produção da mozzarella de búfala, mais simples de ser feita e que tem inserção num mercado importante para atender restaurantes.