Adutora do Leite terá 123 km de extensão e promete reforçar segurança hídrica no sertão sergipano

INFRAESTRUTURA HÍDRICA

Obra de R$ 618,2 milhões prevê atender 23 mil famílias rurais e beneficiar o abastecimento humano em 11 municípios; primeiro trecho, de 17 km, já está em execução

As obras da Adutora do Leite Frei Enoque, no Alto Sertão Sergipano, avançam com a implantação do primeiro trecho do empreendimento, que levará água do Rio São Francisco, a partir de Canindé de São Francisco, até Nossa Senhora da Glória. Com 123 quilômetros de extensão e investimento de R$ 618,2 milhões, a estrutura foi projetada para ampliar a segurança hídrica da região, especialmente para os produtores rurais que enfrentam dificuldades de acesso à água para manter suas atividades agropecuárias.

O andamento da primeira etapa, que contempla 17 quilômetros de tubulações até o município de Poço Redondo, foi acompanhado em visita técnica realizada em 15 de setembro por representantes da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) e da Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic).

A previsão é que o empreendimento beneficie diretamente cerca de 23 mil famílias do campo, com água destinada às atividades agropecuárias. A região atendida é uma das principais bacias leiteiras de Sergipe e concentra um rebanho bovino de aproximadamente 180 mil animais. A expectativa é que a nova infraestrutura contribua para reduzir os custos dos produtores com a aquisição e o transporte de água, além de oferecer maior regularidade no abastecimento, independentemente do regime de chuvas.

Executada pela Seagri e pela Coderse, a obra conta com R$ 618,2 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de contrapartida estadual. O secretário de Estado da Agricultura, Zeca Ramos da Silva, destacou a dimensão do investimento e sua importância para o desenvolvimento regional.

“Estivemos no Assentamento Canadá, em Canindé do São Francisco, acompanhando de perto a execução dos primeiros 17 quilômetros de obra da Adutora Frei Enoque. Uma obra estratégica para o Alto Sertão Sergipano, muito significativa porque é a maior obra estruturante com investimento público depois de cerca de 40 anos. Uma verdadeira redenção para a produção pecuária na região”, afirmou.

O Assentamento Canadá foi escolhido como ponto de partida dos trabalhos e receberá o primeiro dos 20 pontos de abastecimento de água bruta previstos no projeto. Para o produtor rural Julio Cesar de Souza, que cria aproximadamente 80 ovinos na localidade, a chegada da adutora representa uma perspectiva de redução significativa nas despesas com água.

Atualmente, segundo ele, é necessário pagar pelo fornecimento de água transportada a partir da área urbana de Canindé de São Francisco, o que eleva os custos da atividade. Com a implantação do ponto de abastecimento mais próximo, a expectativa é reduzir em aproximadamente 50% os gastos atuais. “Vai mudar muita coisa, principalmente no nosso custo para comprar água. Hoje a gente paga muito caro para vir água da rua, de Canindé”, relata.

De acordo com o diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral, um dos principais diferenciais do projeto será justamente aproximar os pontos de acesso à água das propriedades rurais, reduzindo a dependência dos carros-pipa e as distâncias percorridas pelos produtores.

“A perspectiva é beneficiar não somente os municípios por onde acontece a obra, de Canindé até Nossa Senhora da Glória, mas toda a região circunvizinha, porque vai encurtar as distâncias. Haverá um ponto de abastecimento, em média, a cada cinco quilômetros do trajeto da adutora”, explicou.

Além dos 123 quilômetros de tubulação, o projeto contempla a adequação da Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB-100), localizada no Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé de São Francisco, a construção de outras quatro estações elevatórias, 21 reservatórios e 20 pontos de distribuição de água. As estruturas estarão distribuídas pelos municípios de Canindé de São Francisco, Poço Redondo, Monte Alegre de Sergipe e Nossa Senhora da Glória.

A execução está sob responsabilidade do Consórcio Heca-Camel – Obras Hídricas, contratado por meio de licitação. O planejamento prevê a divisão do empreendimento em quatro etapas, com entrada em operação gradual dos trechos à medida que forem concluídos. Dessa maneira, os produtores poderão começar a utilizar a infraestrutura antes mesmo da finalização de toda a adutora, ampliando progressivamente o acesso à água na região.

Abastecimento humano

Embora tenha como foco o atendimento às demandas da produção agropecuária, a Adutora do Leite também terá papel estratégico no abastecimento humano. Ao chegar a Nossa Senhora da Glória, ponto final do empreendimento, a estrutura deverá oferecer uma reserva técnica para reforçar os sistemas de abastecimento de água da região.

A previsão é disponibilizar um volume adicional de 100 litros por segundo, contribuindo para suprir o déficit hídrico estimado e atender ao crescimento populacional projetado até 2049. A medida deverá beneficiar famílias de 11 municípios: Nossa Senhora da Glória, Carira, Frei Paulo, Moita Bonita, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Dores, Pedra Mole, Pinhão, Ribeirópolis, São Miguel do Aleixo e Simão Dias.

Com prazo de execução estimado em 1.080 dias, a Adutora do Leite deverá reforçar os sistemas integrados das adutoras do Alto Sertão e do Semiárido. Assim, além de oferecer melhores condições para a produção pecuária, o empreendimento busca ampliar a disponibilidade de água para as comunidades rurais e urbanas, fortalecendo a infraestrutura hídrica de uma das regiões mais importantes para a atividade leiteira sergipana.

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