Após forte queda nos últimos meses, preço ao produtor reage 2%

“É importante lembrar que os preços do leite no campo são influenciados pelos mercados de derivados e spot, com certo atraso de um mês nesse repasse de tendência”

Depois de acumular queda de 12,1% em julho e agosto, o preço do leite recebido por produtores se valorizou em setembro. De acordo com o levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o preço de setembro, referente à captação de agosto, foi de R$ 1,3728/litro na “Média Brasil” líquida(1), altas de 1,94% (ou de 3 centavos) frente à do mês anterior e de 9,5% em relação à de setembro/18, em termos reais (deflação pelo IPCA de agosto/19).

Este movimento atípico de mercado esteve atrelado à oferta limitada de leite no campo, já que a captação de agosto não se elevou conforme o esperado por agentes do setor, e à consequente maior disputa entre empresas por matéria-prima.

É preciso destacar que, no Sudeste e Centro-Oeste, o período seco prejudica a disponibilidade de pastagens, limitando a produção. No Sul, por outro lado, as condições favoráveis de produção elevaram a captação de agosto em 10,9% no Rio Grande do Sul, em 11% em Santa Catarina e em 7,5% no Paraná. Com isso, o ICAP-L (Índice de captação de leite nacional) apresentou alta de 7,7% de julho para agosto/19. Apesar do aumento da captação, o volume de leite não tem sido suficiente para abastecer o mercado doméstico e, consequentemente, laticínios concorrem pela matéria-prima, visando reduzir a ociosidade.

A menor oferta no campo elevou, também, as cotações dos derivados lácteos. No mercado atacadista de São Paulo, o preço médio do leite longa vida em agosto, de R$ 2,53/litro, ficou 7,3% acima do verificado em julho/19. Entretanto, o cenário para setembro mudou e a média mensal deste mês (até o dia 26) caiu 2%, para R$ 2,48/litro. Segundo colaboradores do Cepea, indústrias reduziram o volume de produção e, agora, operam com níveis de estoques de médio a baixo, no intuito de evitar custos extras, uma vez que os atacadistas pressionam por cotações mais baixas.

É importante lembrar que os preços do leite no campo são influenciados pelos mercados de derivados e spot, com certo atraso de um mês nesse repasse de tendência. Os preços ao produtor de outubro, portanto, deverão ser influenciados pelo desempenho dos mercados de derivados e spot de setembro, que, vale observar, registraram quedas de preços na primeira quinzena do mês, pressionados pela expectativa de recuperação na produção, após o retorno das chuvas no Sudeste e Centro-Oeste. Assim, a valorização do leite ao produtor em setembro pode permanecer como um fato atípico e pontual.

(1) Considera os preços do leite recebido por produtores sem frete e impostos dos estados de BA, GO, MG, SP, PR, SC e RS.

Co-autora: Juliana Santos, pesquisadora do Cepea

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