Cepea: oferta aumenta mais que o esperado, e preço tem alta de 1,3%

balde branco colunista natalia grigol

Natália Grigol – pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)

Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que o preço do leite captado em junho subiu pelo oitavo mês consecutivo. A alta frente a maio foi de apenas 1,3%, em termos reais, de modo que a “Média Brasil” foi de R$ 2,7524/litro – 3,25% maior que a registrada no mesmo mês do ano passado. Desde janeiro, o valor do leite pago ao produtor acumula avanço real de 32,1%. Porém, na média do primeiro semestre (de R$ 2,46/litro), observa-se queda de 14,3% (os valores foram deflacionados pelo IPCA de junho).

A perda no ritmo de valorização se explica, sobretudo, pelo aumento acima do esperado da oferta nacional. Mesmo com o atraso da safra no Sul e com a seca no Sudeste e no Centro-Oeste, a produção de leite vem se recuperando devido aos investimentos dos produtores na nutrição do rebanho, estimulados pelo incremento da margem nos últimos meses. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea avançou 4,14% em junho, puxado pela alta média de 7,2% nos estados do Sul e de cerca de 2% nos outros estados da “Média Brasil”.

“Ainda que a tendência sazonal sinalize a persistência do movimento de alta do leite ao produtor até agosto, é possível que esse não seja o comportamento dos preços em 2024”

Além da alta na produção interna, houve aumento de 22% nas importações de lácteos de maio para junho, totalizando cerca de 182 milhões de litros em equivalente leite, segundo dados da Secex. Mesmo que essa quantidade seja quase 14% menor que a internalizada no mesmo período do ano passado, ao considerar o primeiro semestre do ano, as compras externas ainda estão 1,4% maiores.

Ademais, a dificuldade das indústrias em garantir margem nas vendas dos lácteos ao longo do primeiro semestre é um fator importante que influencia na diminuição do ritmo de valorização do leite cru. Pesquisas do Cepea apoiadas pela OCB mostram que houve altas de 6,6% no preço médio do UHT, de 4,1% para a muçarela e de 2,5% para o leite em pó fracionado (400g) negociados entre indústrias e atacado em São Paulo em junho. Apesar dessas variações mensais positivas, é importante ressaltar que as elevações se concentraram majoritariamente na primeira quinzena do mês, visto que, a partir da segunda metade do período, houve aumento da pressão dos canais de distribuição sobre as negociações.

Ainda que a tendência sazonal sinalize a persistência do movimento de alta do leite ao produtor até agosto, é possível que esse não seja o comportamento dos preços em 2024. Diante da continuidade do contexto de mercado citado, a expectativa é de que o terceiro trimestre seja marcado pelo recuo das cotações do leite cru.

INDICADOR PREÇO DO LEITE AO PRODUTOR CEPEA
Preços líquidos – não contém frete e impostos. Valores nominais.
BA GO MG SP PR SC RS BRASIL
fev-24 2,1274 2,2382 2,2037 2,3048 2,3517 2,2524 2,2421 2,2347
mar-24 2,1507 2,3637 2,3116 2,3686 2,4202 2,3049 2,3443 2,3290
abr-24 2,2174 2,4576 2,4632 2,4563 2,5664 2,4289 2,4463 2,4576
mai-24 2,3099 2,7519 2,7341 2,6449 2,7902 2,7302 2,6517 2,7114
jun-24 2,4175 2,7774 2,7869 2,7040 2,8169 2,7579 2,6747 2,7524
variação mensal 4,66% 0,93% 1,93% 2,23% 0,95% 1,01% 0,87% 1,51%
Nota: a partir de janeiro de 2023, o Cepea mudou a forma de nomear as informações que divulga, identificando os dados pelo mês da captação do leite cru, e não mais pelo mês do pagamento. Maiores informações estão disponibilizadas no site do Cepea.

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