Em junho, as ins­tru­ções Nor­ma­ti­vas 76 e 77 do MAPA entra­ram em vigor e, após qua­se vin­te anos de nego­ci­a­ções, os gover­nos dos paí­ses do Mer­co­sul (Argen­ti­na, Bra­sil, Uru­guai e Para­guai) assi­na­ram, no dia 28, um acor­do de livre comér­cio com os paí­ses da União Euro­peia. O Pre­si­den­te Jair Bol­so­na­ro defi­niu o acor­do como “his­tó­ri­co”.

No docu­men­to do gover­no bra­si­lei­ro que resu­me o acor­do, estão lis­ta­dos vári­os pro­du­tos que, em dez anos, terão aces­so ampli­a­do ao mer­ca­do euro­peu por meio de quo­tas: serão 30 mil tone­la­das de quei­jos (exce­to mus­sa­re­la); 10 mil tone­la­das de lei­te em pó e 5 mil tone­la­das de fór­mu­la infan­til.

As pri­mei­ras rea­ções ao acor­do foram de cau­te­la. No Sena­do Fede­ral, decla­ra­ções na pri­mei­ra sema­na de julho real­ça­vam a neces­si­da­de de “dis­cu­tir a ques­tão com asso­ci­a­ções de pro­du­to­res rurais e de tra­ba­lha­do­res”, devi­do aos sub­sí­di­os pra­ti­ca­dos pelos paí­ses euro­peus. Repre­sen­tan­tes da indús­tria con­si­de­ra­ram a neces­si­da­de de rever tari­fas para expor­ta­ção e se repo­si­ci­o­nar, cri­an­do novas estra­té­gi­as de negó­ci­os. Pelo lado euro­peu, as prin­ci­pais enti­da­des agrá­ri­as, como sin­di­ca­tos e coo­pe­ra­ti­vas, e deze­nas de euro­de­pu­ta­dos con­si­de­ra­ram que o Acor­do pode­rá afe­tar o setor agrí­co­la de modo dra­má­ti­co, inclu­si­ve, deses­ti­mu­lan­do a suces­são fami­li­ar no meio rural.

A União Euro­peia é com­pos­ta de 27 paí­ses que, jun­tos, são o gru­po mai­or pro­du­tor e um dos mai­o­res expor­ta­do­res de lác­te­os do mun­do, com ele­va­do con­su­mo per capi­ta de lác­te­os. Os dois blo­cos soma­dos repre­sen­tam um mer­ca­do de 780 milhões de pes­so­as, mais de 200 milhões no Bra­sil. Aqui, o con­su­mo per capi­ta ain­da é bai­xo, e isso atrai as gran­des empre­sas lati­ci­nis­tas.

Há bene­fí­ci­os para pro­du­to­res e indús­tria bra­si­lei­ros? Sim, pode­rão aces­sar o rico mer­ca­do euro­peu, e com isso, qual­quer outro mer­ca­do. Con­si­de­ran­do o enor­me mer­ca­do inter­no bra­si­lei­ro, este esta­ria então garan­ti­do para aque­les pro­du­to­res de lei­te de bai­xa qua­li­da­de? Não, por­que o acor­do esta­be­le­ce que os paí­ses do Mer­co­sul, por sua vez, irão libe­rar 91% das impor­ta­ções ori­gi­ná­ri­as da União Euro­peia, per­mi­tin­do que pro­du­tos euro­peus che­guem ao con­su­mi­dor bra­si­lei­ro com pre­ços com­pe­ti­ti­vos. Afi­nal, este é o inte­res­se dos gover­nos: garan­tir a entre­ga de ali­men­tos segu­ros e de qua­li­da­de para os con­su­mi­do­res.

Por­tan­to, a nova rea­li­da­de está defi­ni­da por nor­mas para a qua­li­da­de do lei­te, mais um acor­do de livre comér­cio com uma das mai­o­res regiões expor­ta­do­ras. Se ade­quar a esta rea­li­da­de come­ça exa­ta­men­te com pro­du­to­res e indús­tri­as atin­gin­do os indi­ca­do­res de qua­li­da­de das INs e esta­be­le­cen­do índi­ces mais rigo­ro­sos para os pró­xi­mos dez anos. Um pri­mei­ro exem­plo: aumen­tan­do as exi­gên­ci­as quan­to às boas prá­ti­cas, para evi­tar o uso indis­cri­mi­na­do de anti­bió­ti­cos e anti­pa­ra­si­tá­ri­os. A indús­tria pode apoi­ar os pro­du­to­res na sele­ção dos medi­ca­men­tos e na sua apli­ca­ção, por meio de pla­nos de qua­li­fi­ca­ção e assis­tên­cia téc­ni­ca, para garan­tir que os seus pro­du­tos serão acei­tos em mer­ca­dos mais exi­gen­tes, ao mes­mo tem­po, cri­an­do rela­ções trans­pa­ren­tes e fide­li­za­ção de pro­du­to­res e con­su­mi­do­res.

Para encer­rar, mais uma data recen­te: dia 10 de julho, Dia da Piz­za! Não é em Roma onde se con­so­me mais piz­zas no mun­do, mas em Nova York, segui­do por São Pau­lo. Esta é a dimen­são do nos­so mer­ca­do de lác­te­os. Para man­tê-lo, em con­di­ções de com­pe­tir glo­bal­men­te, é neces­sá­rio o cum­pri­men­to das INs, evo­luir­mos nos seus indi­ca­do­res e inte­gran­do os elos da cadeia pro­du­ti­va do lei­te. Assim, for­ne­ce­re­mos pro­du­tos de melhor qua­li­da­de para os con­su­mi­do­res bra­si­lei­ros, e ain­da, daqui a dez anos, além das expor­ta­ções para Rús­sia, Chi­le e paí­ses da Áfri­ca que ocor­rem hoje, esta­re­mos expor­tan­do para o mun­do todo, Euro­pa incluí­da.

O Mer­co­sul é o prin­ci­pal for­ne­ce­dor de pro­du­tos agrí­co­las, com a par­ti­ci­pa­ção de 32% da pau­ta expor­ta­do­ra bra­si­lei­ra ou cer­ca de 14 bilhões de dóla­res em 2018. Do outro lado, a União Euro­peia é o mai­or inves­ti­dor nos paí­ses do Mer­co­sul.

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