Dia Estadual do Queijo Artesanal Paulista destaca crescimento da produção

Data celebra avanço da formalização, premiações, turismo rural e iniciativas de capacitação das queijarias no Estado

Da redação

O queijo artesanal paulista ganhou, na quinta-feira (17), uma data oficial para celebrar sua história, identidade e importância para a produção rural do Estado. Instituído pela Lei nº 18.484, de 9 de junho de 2026, o Dia Estadual do Queijo Artesanal e Autoral Paulista reconhece uma cadeia que vem ampliando sua presença no mercado, impulsionada pela formalização das queijarias, pela qualificação dos produtores, pela valorização dos produtos regionais e pela integração com o turismo rural.

A escolha de 17 de setembro faz referência à criação da Associação dos Queijeiros Artesanais Paulistas (AQPA), considerada um marco para a organização e o fortalecimento dos produtores do segmento no Estado.

Nos últimos anos, São Paulo registrou avanço no número de produtores formalizados e também ampliou a presença dos queijos artesanais paulistas em concursos e premiações nacionais e internacionais. Parte desse movimento está relacionada às ações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), especialmente com a modernização do Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP) e a ampliação das iniciativas de apoio, capacitação e regularização dos pequenos produtores.

Formalização amplia espaço para as queijarias

Atualmente, o Estado conta com 124 queijarias artesanais registradas junto ao SISP Artesanal, que reúnem 1.230 produtos cadastrados entre queijos e derivados lácteos. O crescimento dos registros ganhou maior ritmo a partir de 2023, com a implantação de equipes especializadas em produtos artesanais e a simplificação dos processos de registro.

As mudanças contribuíram para modernizar o sistema de inspeção, reduzir etapas burocráticas e facilitar o acesso dos pequenos produtores à regularização. Além de ampliar a segurança e a formalidade da produção, a regularização permite que as queijarias tenham acesso a novos mercados e participem de eventos e concursos que exigem produtos devidamente registrados.

A evolução pode ser observada na própria trajetória dos registros. Em 2016, São Paulo possuía 19 queijarias artesanais registradas no SISP. Atualmente, são 124 estabelecimentos, um crescimento superior a 550% no período.

O reconhecimento da produção paulista também ganhou destaque em 2026, durante o Mundial do Queijo Brasil, realizado na capital. Ao todo, 47 queijarias artesanais registradas no SISP foram premiadas. Os produtores conquistaram um prêmio especial, sete medalhas super ouro, 14 ouros, 12 pratas e 14 bronzes.

Mais do que representar o desempenho dos produtos em uma competição, a participação em concursos contribui para dar visibilidade às diferentes características dos queijos produzidos no Estado, além de aproximar os produtores de consumidores, especialistas e novos mercados.

Queijo também movimenta turismo rural

O fortalecimento da cadeia não está restrito à produção e à comercialização dos queijos. Em diferentes regiões paulistas, as queijarias passaram a integrar roteiros de turismo rural e gastronômico, criando novas possibilidades de geração de renda para as propriedades.

É nesse contexto que estão inseridas as Rotas do Queijo de São Paulo. A iniciativa reúne 102 propriedades distribuídas por 77 municípios, conectando a produção artesanal a experiências gastronômicas, cultura regional e turismo rural.

São oito rotas temáticas e 17 experiências e destinos queijeiros, que permitem ao visitante conhecer as propriedades, acompanhar aspectos da produção e ter contato mais próximo com os produtores e com a identidade de cada região.

A estratégia também cria uma alternativa de comercialização para as queijarias, ao transformar a própria propriedade e o processo de produção em parte da experiência oferecida ao consumidor. Para pequenos produtores, a atividade turística pode representar uma oportunidade adicional de agregar valor aos produtos e diversificar as fontes de receita.

Formalização e inovação

Outro eixo das ações voltadas ao setor é a capacitação. O Estado iniciou a implantação dos Centros de Referência em Queijos Especiais (CRQE), projeto desenvolvido a partir de uma cooperação internacional com a Embaixada da França no Brasil.

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O queijo artesanal paulista reúne produção, cultura local e turismo rural em diferentes regiões do Estado

A iniciativa é coordenada pela APTA Regional, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital-APTA), o Instituto de Zootecnia (IZ-APTA) e a Defesa Agropecuária, órgãos vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O projeto também conta com a participação do Centro Paula Souza (CPS), com apoio da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (OCESP) e de especialistas franceses reconhecidos pela tradição na produção de queijos artesanais e especiais.

Os centros têm como proposta formar produtores, técnicos e multiplicadores especializados em queijaria artesanal e especial, trabalhando aspectos como boas práticas de fabricação, segurança dos alimentos, inovação e desenvolvimento de novos produtos.

A criação de uma data específica para o queijo artesanal e autoral paulista ocorre, portanto, em um momento de transformação da atividade no Estado. Ao mesmo tempo em que preserva técnicas, receitas e características ligadas à identidade de diferentes regiões, o setor busca avançar em formalização, qualidade, inovação e acesso ao mercado.

Nesse cenário, o queijo deixa de ser apenas um produto elaborado nas propriedades rurais e passa a representar também uma ferramenta de valorização territorial, agregação de valor e aproximação entre campo, consumidor e turismo.

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